Um volume superior a R$ 40 bilhões movimentado por redes de postos de combustíveis no Estado do Rio de Janeiro está na mira de autoridades policiais e do Ministério Público.
As apurações, conduzidas ao longo dos últimos dez meses, já resultaram em nove operações distintas e envolvem suspeitas que vão de lavagem de dinheiro e uso de empresas de fachada a corrupção e outros delitos.
Mandados cumpridos e envolvidos nas investigações
No total, foram cumpridos 109 mandados de busca e apreensão e 25 mandados de prisão.
As investigações, segundo o jornal O Globo, apontam o envolvimento de facções criminosas, milícias, integrantes do jogo do bicho e até agentes públicos na rede de irregularidades que permeia o setor de combustíveis fluminense.
Fiscalização da Secretaria de Fazenda revela cenário alarmante
De forma paralela às operações policiais, a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) realizou levantamento próprio e constatou irregularidades em 2,1 mil dos 2,2 mil postos de combustíveis existentes no estado. Dentre esses, 1,7 mil sequer cumpriam a obrigação de registrar a movimentação de combustíveis e o volume de vendas.
A concentração dos estabelecimentos irregulares é maior na capital fluminense, com 636 postos, seguida por Campos dos Goytacazes, com 86, e São Gonçalo, com 81 unidades.
PCC e Comando Vermelho na mira das autoridades
Deflagrada em agosto do ano passado, a Operação Carbono Oculto investigou um esquema atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC) envolvendo importações fraudulentas e comercialização ilegal de combustíveis. Durante as apurações, os investigadores também identificaram a participação do Comando Vermelho (CV) e de grupos suspeitos de perfurar oleodutos e roubar cargas de combustíveis e lubrificantes.
Operação Unha e Carne mira lavagem de dinheiro bilionária
Neste mês, a sexta fase da Operação Unha e Carne, conduzida pela Polícia Federal, focou em uma organização criminosa suspeita de utilizar mais de 80 postos na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavar dinheiro. Conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o grupo teria movimentado R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
O cenário revelado pelas investigações expõe a profundidade da infiltração do crime organizado no mercado de combustíveis do estado, com ramificações que conectam facções, milícias e agentes públicos em um esquema de proporções bilionárias.

