Presa preventivamente após a deflagração da operação Vérnix, a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra compareceu a uma audiência de custódia na quinta-feira, dia 21, e declarou enfrentar problemas psicológicos.
A alegação integrou a estratégia de sua defesa, que pleiteava a substituição da prisão preventiva por domiciliar. O juiz responsável pelo caso, porém, negou o pedido.
Maternidade como argumento jurídico
A equipe de advogados de Deolane sustentou que ela, por ser mãe de uma criança de nove anos, teria direito a aguardar o desenrolar do processo em liberdade ou, ao menos, em regime domiciliar.
O argumento se baseou no Artigo 318-A do Código Penal, dispositivo que prevê esse benefício para mães com filhos menores de 12 anos. Mesmo com a fundamentação legal, a Justiça manteve a decisão pela prisão preventiva.
Operação Vérnix e as acusações de lavagem de dinheiro
A detenção de Deolane aconteceu em Barueri, na região metropolitana de São Paulo, no contexto de uma ação conjunta entre o Ministério Público estadual e a Polícia Civil. A operação Vérnix mira um suposto esquema de lavagem de dinheiro vinculado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com as investigações, a advogada teria desempenhado o papel de responsável pelo caixa e pela lavagem de recursos destinados à alta cúpula do PCC. Na mesma ofensiva, a Justiça expediu mandados de prisão contra Marcola, identificado como Marco Herbas Camacho, além de familiares e operadores financeiros ligados à organização.
Defesa reafirma inocência
Em nota assinada pela advogada Daniele Bezerra, irmã de Deolane, a defesa afirmou que a influenciadora demonstra “absoluta inocência”. O comunicado acrescentou que os fatos serão esclarecidos “em momento oportuno”.
Celulares apreendidos e senhas recusadas
Após a prisão, Deolane Bezerra se recusou a fornecer as senhas de dois celulares apreendidos durante a operação, conforme apuração do Estadão. Os dispositivos foram recolhidos por agentes durante buscas realizadas em sua residência, localizada no condomínio Tamboré, na Grande São Paulo.
A negativa, contudo, não deve representar um obstáculo para os investigadores. O delegado Edmar Rogério Dias Caparroz, da Delegacia Seccional de Presidente Venceslau, garantiu que a equipe policial dispõe de recursos técnicos capazes de extrair as informações necessárias dos aparelhos, independentemente da colaboração da presa.

