FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
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Empresas 06/03/2026 12:14

Dívida média das empresas do RN é a maior da região Nordeste

Dívida média das empresas do RN é a maior da região Nordeste

Em 2025, 96.133 empresas no Rio Grande do Norte encerraram dezembro inadimplentes, de acordo com dados divulgados pela Serasa Experian.

O levantamento aponta que cada empresa potiguar inadimplente possuía, em média, 6,7 contas negativadas. A dívida média por CNPJ foi de R$ 22.575,93, valor mais alto entre todos os estados do Nordeste.

Na região, a unidade federativa campeã em quantidade de empresas inadimplentes é a Bahia (386.175), com dívida média por CNPJ de R$ 17.027,58. A Paraíba, que registrou 104.664 empresas em situação de inadimplência, possui o segundo maior valor médio de endividamento por CNPJ (R$ 21.097,93).

O economista Janduir Nóbrega explica que dentre as causas para o cenário estão fatores como ausência de planejamento adequado e incapacidade das empresas em quitar as dívidas. “As empresas melhor conduzidas tendem a sofrer menos com a inadimplência, porque a situação é semelhante ao consumidor que não se programou para honrar compromissos e tornou-se incapaz de cumpri-lo”, explica.

Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, avalia que os números têm relação direta com um ambiente econômico ainda desafiador.

“O ano de 2025 foi marcado por condições de crédito mais restritivas e custos financeiros elevados, o que reduziu a capacidade de muitas empresas de alongar dívidas e recompor capital de giro. O resultado é um aumento consistente da inadimplência ao longo dos meses, culminando em novo recorde histórico no encerramento do ano em todo o País”, afirma.

No Brasil, como mostra o levantamento da Serasa, numa análise por setores das empresas negativadas, os Serviços lideraram a inadimplência, com 55,2% do total registrado em dezembro de 2025.

Na sequência aparecem “Comércio” (32,7%), “Indústria” (8,1%), “Primário” (0,9%) e “Outros” (3,1%) – esta última é a categoria que contempla empresas do setor “Financeiro” e do “Terceiro Setor”. Já na análise por setor de origem das dívidas, o maior volume de negativações também esteve em Serviços (31,5%), seguido por Bancos e Cartões (19,3%).

Segundo Janduir Nóbrega, para evitar o quadro é necessário se programar quanto ao fluxo de compras. “É preciso que esse fluxo atenda às necessidades da empresa sem precisar que ela gaste mais do que o necessário para produzir. Esse controle pode ser feito com anotações para enxergar os compromissos que não podem ser deixados de lado”, ensina o economista.

Micro e pequenas empresas são as mais afetadas

Segundo a Serasa Experian, 2025 terminou com 8,9 milhões de empresas inadimplentes no Brasil, o maior patamar da série histórica. Ao todo, as dívidas negativadas somaram R$ 213 bilhões em dezembro. Na comparação com o mesmo mês de 2024, quando o país registrou 6,9 milhões de CNPJs inadimplentes, o aumento foi de aproximadamente 2 milhões de empresas no vermelho.

O Nordeste encerrou dezembro último com 1.365.944 empresas inadimplentes. O volume consolida a região como a terceira com maior número de CNPJs negativados no país no período. O Sudeste concentrou 4,81 milhões de empresas inadimplentes, o equivalente a 53,8% do total nacional. Na sequência apareceram Sul (1,45 milhão), Centro-Oeste (784 mil) e Norte (535 mil).

Entre as unidades federativas, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul lideraram com os cinco maiores números de CNPJs negativados no período. A dívida média por CNPJ foi de R$ 23.818,30, enquanto o ticket médio das dívidas chegou a R$ 3.380,90.

Do total de empresas inadimplentes em dezembro no Brasil, 8,5 milhões eram micro e pequenas empresas, que acumularam R$ 185,4 bilhões em dívidas. Esse grupo registrou média de 6,7 contas em atraso por companhia. Este dado específico, no entanto, não foi divulgado por estado.

“As micro e pequenas empresas, que representam cerca de 96% das empresas inadimplentes, têm, em geral, menor acesso a linhas de crédito estruturadas e dependem mais de recursos de curto prazo”, avalia Camila Abdelmalack, da Serasa.

João Hélio Cavalcanti, diretor-técnico do Sebrae-RN, disse que o dado não significa, necessariamente, que todas as pequenas empresas estejam em situação financeira crítica. “Muitas vezes trata-se de questões pontuais de fluxo de caixa. Diferentemente das grandes empresas, que contam com equipes especializadas para cuidar da gestão financeira, o pequeno empreendedor geralmente acumula várias funções dentro do negócio e nem sempre possui conhecimento técnico aprofundado para fazer um controle mais estratégico das finanças”, disse Cavalcanti.

Ainda segundo ele, com uma taxa Selic elevada e as dificuldades de acesso a crédito com condições mais favoráveis, é natural que as micro e pequenas empresas apareçam em maior número nas estatísticas de inadimplência.

“O Sebrae tem uma equipe que orienta sobre a gestão financeira desses pequenos negócios. Temos também uma plataforma que faz os serviços financeiros, acompanhamento e orientação aos empreendedores, com informações sobre como buscar crédito e melhores ofertas para determinadas necessidades”, afirma.

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista