Mulheres 20/01/2026 15:47
7 em cada 10 mulheres vivem no limite emocional, diz estudo

Como vocês estão se sentindo hoje? Se a resposta for “cansada”, “ansiosa” ou “sem motivação”, saiba que você faz parte de uma estatística muito real.
O estudo Check-up de Bem-Estar 2025, realizado pela Vidalink, revelou dados sobre a saúde mental feminina: 7 em cada 10 mulheres relatam ansiedade, angústia ou desmotivação frequente.
Enquanto isso, entre os homens, esse índice cai para 51%.
A desigualdade de gênero no ambiente corporativo não afeta apenas o bolso, mas a alma. Segundo o estudo da Vidalink, que analisou 11.600 colaboradores em 250 grandes empresas, a dupla jornada é vivida por 38% das mulheres, superando em 14 pontos percentuais o índice dos homens.
Como analisa Magali Frare Corrêa, da Vidalink, esse acúmulo de responsabilidades destrói a qualidade de vida e o sentimento de pertencimento. O dado mais curioso é o paradoxo do cuidado: embora sejamos as que mais buscam apoio — 16% das mulheres fazem terapia e 18% utilizam medicamentos. Apenas 21% de nós estamos satisfeitas com o bem-estar geral. Ou seja, estamos tentando nos curar, mas o ambiente continua nos adoecendo.
Muitas vezes, quando sentimos ansiedade, achamos que somos “frágeis” ou que não estamos dando conta. Mas Taty Nascimento, especialista em liderança inclusiva, traz uma perspectiva libertadora: o problema é estrutural.
Modelos de performance tradicionais: Valorizam o “esforço teatral” e a disponibilidade 24/7.
Punição ao cuidado: O sistema premia quem pode terceirizar o cuidado (com filhos, idosos e casa) e penaliza quem precisa conciliar tudo isso.
A “exaustão de combate”: É quando a mulher não está apenas cansada, mas lutando diariamente contra um contexto que não a favorece.
A pergunta correta, segundo Taty, não é o que há de errado com as mulheres, mas o que há de errado com os modelos de gestão que ainda cobram presença em vez de impacto.
Além da jornada dupla, a biologia e o preconceito também pesam. Outra pesquisa citada, da farmacêutica Astellas, mostra que 47% das mulheres brasileiras relatam prejuízo profissional devido ao estigma da menopausa.
Essa realidade faz com que talentos brilhantes recusem promoções ou até abandonem carreiras por não conseguirem conciliar as expectativas profissionais com as mudanças físicas e pessoais. Para as empresas, isso resulta em perda de inovação e alta rotatividade de talentos experientes. É um custo humano e organizacional alto demais.
É fundamental identificar quando o cansaço virou algo mais sério. Fique atenta a estes sinais indicados pela especialista Taty Nascimento:
Supercompensação: Aumento excessivo do perfeccionismo para “provar” que é capaz.
Presenteísmo: Você está fisicamente no trabalho, mas com falhas de memória e dificuldade de foco.
Silêncio: Perda de voz e invisibilidade em discussões estratégicas por pura exaustão.
Resistência ao descanso: Dificuldade ou medo de se desconectar e tirar folgas.
Irritabilidade: Respostas emocionais desproporcionais a situações cotidianas.
Para transformar esse cenário, não basta falar de equidade; é preciso agir na cultura da empresa. O modelo de equidade deve substituir a métrica de “horas dedicadas” pelo impacto estratégico.
Líderes precisam ser treinados para:
Praticar a escuta ativa e realizar conversas individuais de qualidade.
Garantir uma distribuição justa de carga de trabalho e oportunidades.
Intervir efetivamente diante de microagressões no ambiente de trabalho.
Incentivar o uso real da licença-paternidade, dividindo o peso do cuidado.
Como bem diz Magali Frare Corrêa, o equilíbrio entre saúde e carreira é o que garante o engajamento real. Não deveríamos ter que escolher entre crescer profissionalmente e estar bem psicologicamente.
A equidade de gênero precisa sair do papel e entrar na regra do jogo organizacional. Só assim teremos ambientes onde as mulheres possam entregar impacto com qualidade, mas dentro de um contexto de vida real e saudável.
Deu em Alto Astral

Descrição Jornalista
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