Crédito 10/11/2025 06:05
Endividamento das famílias brasileiras bate recorde e atinge 79,5% em 2025

O endividamento das famílias brasileiras alcançou um patamar recorde em 2025, segundo dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), o número de famílias com algum tipo de dívida chegou a 79,5% em outubro, o terceiro mês consecutivo de recorde e uma alta de 22 pontos percentuais em comparação a janeiro de 2015, quando o índice era de 57,5%.
O levantamento mostra que o aumento do endividamento tem sido contínuo ao longo da última década. Em janeiro de 2025, 76,1% das famílias já estavam comprometidas financeiramente — número que continuou crescendo nos meses seguintes, refletindo o encarecimento do crédito, o baixo poder de compra e o endurecimento das condições bancárias.
As dívidas mais comuns envolvem cartão de crédito, cheque especial, empréstimos consignados, financiamentos de veículos e prestações da casa própria.
A CNC explica que estar endividado não significa necessariamente estar inadimplente, mas sim ter compromissos financeiros em aberto — o que se tornou cada vez mais difícil de administrar para grande parte da população.
O cenário preocupa porque a proporção de famílias com parcelas em atraso também atingiu um recorde histórico, chegando a 30,5% em outubro. Isso significa que três em cada dez famílias brasileiras não conseguiram quitar parte de suas dívidas dentro do prazo.
Entre os fatores que explicam o quadro estão o aumento do custo de vida, o crescimento do endividamento via crédito rotativo e o orçamento mais apertado das famílias de baixa e média renda.
Economistas ouvidos pela CNC avaliam que, mesmo com a redução gradual da taxa básica de juros (Selic), o acesso ao crédito segue limitado e com altas taxas de juros no varejo, o que impede uma recuperação mais rápida.
A CNC alerta que o país entra em 2026 com o maior desafio de endividamento da série histórica da pesquisa, iniciada em 2010. A entidade destaca que políticas de educação financeira, redução do custo do crédito e melhor controle fiscal serão essenciais para frear o avanço da inadimplência.
Segundo especialistas, sem crescimento consistente da renda e do emprego, o risco é de que as famílias passem a consumir menos, afetando diretamente o comércio e os serviços, setores que dependem do crédito para sustentar as vendas.

Descrição Jornalista
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