História 12/09/2025 14:50
Tigela achada no Egito pode ser a referência mais antiga a Jesus

Uma tigela de cerâmica encontrada submersa nas ruínas do antigo porto de Alexandria, no Egito, pode conter a mais antiga referência arqueológica conhecida a Jesus Cristo.
Apelidada de “Taça de Jesus”, o objeto foi descoberto em 2008 por uma equipe liderada pelo arqueólogo submarino francês Franck Goddio, durante escavações no local onde se acredita ter existido o palácio da rainha Cleópatra.
A tigela, datada do primeiro século depois de Cristo, traz a enigmática inscrição em grego DIA CHRSTOU O GOISTAIS, que muitos traduzem como “Por Cristo, o cantor” ou “O mágico, por Cristo”.
Para estudiosos como o Dr. Jeremiah Johnston, especialista em Novo Testamento, o artefato pode confirmar que Jesus já era uma figura reconhecida por seus milagres e exorcismos mesmo fora da Judeia, em um período muito próximo ao de sua crucificação.
Jesus era conhecido como curador e milagreiro”, afirma Johnston ao Daily Mail. “A Taça de Jesus é uma evidência material de seu impacto além das fronteiras judaicas.”
A peça remete a práticas de adivinhação da época, nas quais objetos semelhantes eram usados em rituais místicos. Em cerimônias descritas em textos antigos, praticantes lançavam óleo na água para obter visões e respostas espirituais. A invocação de nomes poderosos era comum — e, à época, o nome de Cristo já poderia ter sido associado a autoridade espiritual.
Contudo, a autenticidade da referência a Jesus ainda é motivo de debate. Alguns especialistas, como Bert Smith, da Universidade de Oxford, sugerem que a inscrição pode ter relação com um indivíduo chamado “Chrestos” — nome comum à época — e que “Ogoistais” faria alusão a um grupo religioso de origem pagã.
Outros estudiosos apontam que o termo “chrêstos” também poderia significar apenas “bom” ou “gentil”, indicando que a tigela pode ter sido um presente ou um utensílio ritualístico desvinculado de qualquer figura histórica específica, repercute o Daily Mail.
Outra hipótese, defendida por György Németh, da Universidade Eötvös Loránd, propõe uma interpretação mais pragmática: a tigela poderia ter sido usada para preparar unguentos, sendo a inscrição uma simples referência a pomadas de unção (diachristos), não ao Cristo bíblico.
Mesmo com as divergências, se a inscrição realmente fizer referência a Jesus, o achado torna-se um marco sem precedentes, possivelmente a mais antiga menção arqueológica ao cristianismo fora dos textos sagrados. Isso indicaria que a fama de Jesus se espalhou pelo mundo mediterrâneo ainda durante o século I, colocando Alexandria como um importante ponto de difusão precoce de sua influência.
A Taça de Jesus, portanto, reacende discussões sobre as origens do cristianismo e o intercâmbio religioso em um Egito antigo onde crenças judaicas, cristãs e pagãs coexistiam e se influenciavam mutuamente.
Deu em Aventuras na História

Descrição Jornalista
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