Agronegócios 11/08/2025 08:55
Governo dos EUA investiga influência da China no agronegócio brasileiro e busca entender bilhões em investimentos recentes

O governo dos Estados Unidos colocou o Brasil no centro de uma investigação inédita sobre a influência da China no agronegócio brasileiro.
A proposta legislativa, incluída no Intelligence Authorization Act para o ano fiscal de 2026, quer mapear e entender o alcance dos investimentos chineses na agricultura brasileira e os impactos estratégicos que eles podem gerar para a cadeia de suprimentos global e para a segurança alimentar.
O texto, revelado pelo Valor Econômico, foi apresentado pelo senador republicano Tom Cotton, aliado do presidente Donald Trump, e já aprovado pela Comissão de Inteligência do Senado. Agora, segue para votação no plenário, antes de ir para a Câmara dos Representantes e, por fim, para sanção presidencial.
Se aprovado, será a primeira vez que o Brasil é citado formalmente em um projeto de lei de orçamento de inteligência dos EUA.
A investigação, que deve ser conduzida pela diretora nacional de inteligência, Tulsi Gabbard, pretende responder a perguntas estratégicas. Entre elas, qual é o grau de envolvimento do governo chinês com o agronegócio brasileiro e se há direcionamento político de Xi Jinping para ampliar a presença de empresas e capitais chineses no setor.
O levantamento também deve identificar joint ventures entre companhias chinesas e brasileiras, além de quantificar o volume de investimentos e aquisições feitos por entidades controladas pelo Estado chinês.
Outro ponto sensível será avaliar como esses investimentos podem afetar o mercado global e a segurança alimentar, considerando que o Brasil é um dos maiores exportadores de soja, milho, carne bovina e outros produtos estratégicos.
O projeto estabelece que, em até 60 dias após a lei ser sancionada, a equipe de inteligência dos EUA, com apoio do Departamento de Estado e do Departamento de Agricultura, apresente um relatório inicial.
O documento será público, mas poderá conter anexos classificados como confidenciais.
Além disso, em até 90 dias da entrada em vigor, a diretora Tulsi Gabbard deverá entregar ao Congresso um dossiê completo sobre os investimentos chineses na agricultura brasileira, incluindo implicações comerciais e geopolíticas.
A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009. Em novembro de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu Xi Jinping no Palácio da Alvorada para assinatura de 37 acordos de cooperação, entre eles a abertura de novos mercados para produtos agropecuários brasileiros.
O movimento consolidou a aproximação entre Brasília e Pequim, mas também despertou a atenção de Washington.
Para os EUA, a crescente dependência do agronegócio brasileiro de compradores e investidores chineses pode criar vulnerabilidades estratégicas, tanto para o Brasil quanto para o mercado global.
O anúncio da investigação ocorre em um momento de forte atrito entre os governos de Trump e Lula.
Na última semana, o presidente americano confirmou uma tarifa adicional de 40% sobre exportações brasileiras para os EUA — a maior em vigor contra qualquer país atualmente.
Paralelamente, Trump aplicou a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, alegando violações de direitos humanos e processos politizados.
A medida incluiu o congelamento de bens nos EUA e a proibição de entrada no país para Moraes e familiares.
Além da disputa em torno da influência da China no Brasil, o governo americano também abriu um processo no USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) para investigar práticas comerciais brasileiras consideradas “irrazoáveis” ou “discriminatórias”.
O escopo é amplo: desde a proteção ao Pix, passando pelo comércio informal na Rua 25 de Março, até políticas de tarifas preferenciais para países como México e Índia.
Também estão na pauta questões ambientais, como desmatamento ilegal, e disputas ligadas ao mercado de etanol e propriedade intelectual.
A preocupação americana não é nova. A China, além de comprar grandes volumes de commodities brasileiras, também investe diretamente em infraestrutura de transporte, armazenamento e processamento de grãos.
Há registros de empresas chinesas adquirindo participações em portos, armazéns e empresas do setor de logística que atendem ao agronegócio.
Essa presença física e financeira dá à China não apenas capacidade de compra, mas também influência sobre a logística de escoamento e preços internacionais.
Para os EUA, isso poderia, no longo prazo, reduzir a influência americana no mercado agrícola global.
A investigação EUA-China vai além da economia. Em termos estratégicos, o controle da produção e do fluxo de alimentos é considerado um pilar de segurança nacional.
Se a China conseguir assegurar cadeias de suprimentos críticas em países produtores como o Brasil, poderá aumentar seu poder de barganha geopolítica.
Na prática, isso significaria mais capacidade de influenciar preços e rotas comerciais, algo que preocupa Washington.
Embora o Brasil não seja o alvo direto de sanções nessa proposta, a inclusão do país no relatório pode ter efeitos diplomáticos e comerciais.
Empresas brasileiras com joint ventures ou contratos de fornecimento para companhias chinesas podem ser citadas, gerando pressão política.
Além disso, dependendo das conclusões, os EUA podem adotar medidas para limitar a expansão de investimentos chineses no Brasil, o que afetaria setores que hoje dependem desse capital para expansão.
Apesar de a NSA já ter espionado comunicações do governo brasileiro no passado — como revelado pelo Wikileaks em 2013 —, esta é a primeira vez que o Brasil é citado formalmente em um projeto de lei de orçamento de inteligência.
O fato revela um aumento do peso estratégico do Brasil na disputa entre EUA e China.
Essa disputa, que começou no campo tecnológico e industrial, agora avança sobre a segurança alimentar e o controle de recursos naturais.
Com a aprovação na Comissão de Inteligência do Senado, as chances de o projeto passar no plenário com a redação atual são grandes.
Caso seja sancionada, a lei colocará o Brasil sob o radar de uma investigação detalhada conduzida por alguns dos órgãos de inteligência mais poderosos do mundo.
A expectativa é que os primeiros relatórios sejam entregues antes do final de 2025.
A iniciativa americana mostra que o agronegócio brasileiro se tornou um ponto-chave no tabuleiro geopolítico global.
A crescente presença da China no setor agrícola brasileiro desperta alertas sobre dependência comercial, controle logístico e segurança alimentar.
Enquanto Washington busca mapear e entender essa influência, Brasília terá de equilibrar relações com dois parceiros que disputam protagonismo no comércio mundial.
O resultado dessa investigação poderá influenciar não apenas a relação Brasil-EUA-China, mas também o fluxo de investimentos e as estratégias do agronegócio nos próximos anos.
Deu em CPG

Descrição Jornalista
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