
Violência 30/07/2025 06:54
Mulher espancada no elevador diz que ‘momento é delicado’ e vai ‘focar’ na recuperação

A mulher de 35 anos que foi agredida com mais de 60 socos pelo namorado dentro do elevador do prédio onde mora em Ponta Negra, na Zona Sul de Natal, se pronunciou pela primeira vez depois do crime, que ocorreu no fim de semana.
Em uma publicação nas redes sociais, a vítima agradeceu a ajuda e a solidariedade dos amigos e de desconhecidos que se sensibilizaram com o caso. Ela disse ainda que vai focar na recuperação.
“Estou com acesso ao meu perfil e agradeço toda a solidariedade e amor que todos estão me ofertando no momento”, disse.
“É um momento muito delicado e eu preciso focar na minha recuperação. Obrigada a todas as minhas amigas que estão sendo minha rede de apoio no momento”, completou.
Agredida com mais de 60 socos, a vítima teve múltiplas fraturas no rosto e no maxilar e deve ser submetida a uma cirurgia.
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Vítima se pronunciou nas redes sociais — Foto: Divulgação
O ex-jogador de basquete Igor Eduardo Cabral, de 29 anos, foi preso em flagrante e teve a detenção transformada em prisão preventiva após passar por audiência de custódia. Segundo a polícia, ele vai responder por tentativa de feminicídio.
Em depoimento na delegacia, após o crime, Igor alegou que tem claustrofobia. Questionado pela polícia, ele disse que nunca foi preso ou processado anteriormente. Ele é estudante do curso de ciências contábeis.
A polícia encontrou boletins de ocorrência em que o nome de Igor Cabral está envolvido em brigas com outras pessoas. Em um dos casos, houve troca de agressões físicas dele com amigos dentro de uma casa em Caicó, na região Seridó potiguar.
No dia do crime, a vítima relatou aos policiais de plantão que o homem disse que iria matá-la. A revelação foi feita em um bilhete, porque ela não conseguia falar.
Ainda no bilhete, a mulher relatou que permaneceu no elevador porque sabia que seria agredida pelo homem (veja bilhete abaixo).
“Eu sabia que ele ia me bater. Então, não saí do elevador. Ele começou a me bater e disse que ia me matar”, escreveu.
O crime aconteceu no último sábado (26) por volta das 16h e foi registrado pela câmera do elevador do condomínio. O vídeo mostra o casal discutindo e, quando a porta do elevador se fecha, Igor parte pra cima da vítima e começa a desferir socos contra ela.
É possível perceber que ele dá pelo menos 60 socos. A mulher ficou com o rosto completamente ensanguentado.
De acordo com uma amiga da vítima – que pediu para não ser identificada, o segurança do condomínio que via as imagens da agressão pela câmera do elevador acionou a Polícia Militar. Quando o elevador chegou no térreo o agressor foi contido pelos moradores e preso em seguida. A vítima foi levada para o Hospital Walfredo Gurgel.
Ainda de acordo com a amiga da vítima, a discussão começou porque o homem teve uma crise de ciúmes.
Testemunhas informaram que a discussão entre o casal começou ainda na área comum do residencial e que o homem jogou um aparelho celular na piscina. Vizinha da vítima, a moradora Iranilda Oliveira conta que estava com a família na churrasqueira do condomínio comemorando o aniversário de uma neta, quando presenciou o fato.
“Esse casal chegou, ficou um pouco distante da gente, nós na churrasqueira e eles lá na piscina. Só que começou uma discussão, a gente não sabia o que estavam discutindo. De repente a gente observou na hora que ele pegou o celular e jogou dentro da piscina. Pronto, aí ela já se levantou e ele saiu atrás. E a gente não acompanhou”, contou a moradora à Inter TV Cabugi.

Segundo a delegada Victória Lisboa, da Delegacia da Mulher em Natal, a vítima nunca havia registrado qualquer boletim de ocorrência ou pedido medida protetiva contra o namorado.
A delegada informou que o rosto da vítima ficou bastante machucado. “Ao manter contato com a vítima, creio eu, a delegada do plantão entendeu por tentativa de feminicídio, uma vez que ela estava muito lesionada, o rosto completamente desfigurado”, completou.
“Ele justificou essa situação de claustrofobia, porque ele estava, querendo ou não, no elevador. Mas, assim, a meu ver, isso não é nenhuma justificativa para o que foi feito”, disse a delegada.
A delegada Victória disse nesta segunda-feira (28) que aguardava a recuperação da vítima para colher o depoimento dela e também “sobre possíveis agressões pretéritas”.
Saiba como denunciar casos de violência contra a mulher:
Deu em G1

Descrição Jornalista
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