internacional 07/07/2025 11:25
‘Brics menos’: Esvaziada por ausências ilustres, cúpula pode impor derrota ao Brasil

Em 2022, um estudo pioneiro apontou para uma percepção que já era corrente sobre o Brics, grupo de emergentes que na época ainda tinha só cinco membros: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
A conclusão, com base na análise de 30 especialistas de diversas áreas, foi de que a falta de clareza na estratégia e nos objetivos do bloco impedia que o Brics tivesse o “efeito transformador” que se almejava quando foi criado.
Conduzido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), o estudo vislumbrava uma promessa de que o Brics ganharia maior relevância, “num mundo em que a geopolítica tende a ganhar primazia sobre os fatores econômicos”. Três anos depois, é um Brics transformado que se reúne hoje e amanhã no Rio, porém ainda sem apresentar uma ideia clara do que quer e do que é capaz.
A ampliação do grupo, aprovada em 2023 com o empurrão decisivo da China, dobrou o número de membros e deu ao Brics uma nova fisionomia. Era a realização de uma antiga aspiração de Pequim, o chamado “Brics Plus”, em que o bloco se converteria de um clube de grandes economias emergentes para uma plataforma de coordenação político-econômica do Sul Global.
O encontro no Rio deveria ser o primeiro passo na reafirmação da nova identidade, mas teme-se que desfalques importantes, incluindo o da própria China, e a falta de consenso façam desta a cúpula do “Brics menos”.
Com a ampliação do grupo, tornou-se mais difícil obter consenso. Para o Brasil, a diluição de poder reduziu sua capacidade de influenciar os rumos. O esvaziamento da cúpula, que começou de dentro do governo, consolidou-se com a ausência de alguns dos líderes mais importantes.
E a guerra no Oriente Médio enfraqueceu de vez o elenco, ocasionando os desfalques dos presidentes do Irã e do Egito (novos membros) e da Turquia (convidado especial).
A ausência do presidente chinês, Xi Jinping, confirmada a poucos dias do evento, não chegou a surpreender totalmente a diplomacia brasileira, pois havia sinais.
Mas causou desconforto. Pequim vinha mantendo mistério além do habitual, e a justificativa para a falta foi burocrática demais para a importância que a China vinha atribuindo ao Brics e à sua relação com o Brasil.
Na cúpula anterior, na cidade russa de Kazan, o presidente Lula teve que faltar porque sofreu um acidente doméstico tão grave que exigiu uma cirurgia no cérebro. E, mesmo assim, na época houve cobrança pela ausência de Lula.
Fontes oficiais compartilharam detalhes dos preparativos para a cúpula, sob condição de anonimato. Há “uma diferença fundamental de visões” entre o Planalto de um lado, Itamaraty e Fazenda de outro, sobre o que é o Brics e como ele pode servir o Brasil. É por isso, comenta um diplomata, que a Presidência parece estar “com o freio de mão puxado”.
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Mudança de foco
Na área econômica, o Brasil deu pouca ênfase aos temas de maior interesse, como meios alternativos de pagamento e uso de moedas locais. Temores no Itamaraty e na Fazenda em criar atritos com os EUA explicariam a timidez, diz a fonte.
O entendimento de que resultados substantivos estarão em falta na cúpula do Rio teria sido um dos motivos para a decisão de Xi de não comparecer.
Outras razões especuladas são riscos de segurança, instabilidade doméstica e a guerra comercial com os EUA. O governo não apresentou uma explicação para a ausência inédita do líder numa cúpula do Brics, limitando-se a anunciar que o país será representado pelo primeiro-ministro Li Qiang, em tese o número dois na hierarquia estatal.
Sem Xi e o presidente russo, Vladimir Putin — impedido de vir por um mandado de prisão por crime de guerra — a cúpula perdeu peso e ainda corria o risco de terminar sem resultados, após meses de reuniões.
A solução foi colocar o foco em temas com chance de consenso, como saúde, clima e inteligência artificial. Além da declaração final, documentos separados foram negociados sobre os temas.
Para o Brasil, o esvaziamento pode projetar uma imagem de desprestígio do país, ainda que passageiro. Uma derrota maior se avizinha, porém.
Por resistência de alguns novos membros, a começar pelo Egito, pode sair de vez da declaração conjunta o apoio do grupo à aspiração de Brasil, Índia e África do Sul de serem membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. A menção foi incluída pela primeira vez na cúpula de Johannesburgo, no que foi considerada uma vitória diplomática dos três países.
Mas o trecho foi desidratado no encontro do ano passado em Kazan, na Rússia, fazendo alusão mais genérica a países de África, Ásia e América Latina.
Agora, o temor de alguns diplomatas é que a linguagem favorável à aspiração brasileira seja “sepultada” — e logo no Rio. Sendo o país-sede, o Brasil dificilmente bloquearia a declaração, e até agora “não há plano B” para evitar o retrocesso, diz um embaixador.
Ainda que a cúpula tenha sofrido um esvaziamento que mais uma vez põe em xeque o “efeito transformador” do Brics na arquitetura global, não significa que o grupo tenha perdido importância para seus membros.
Apesar da ausência de Xi, o bloco deve seguir ocupando um lugar relevante na estratégia chinesa. O mesmo para a Rússia, maior defensora de mecanismos próprios do Brics, como uma plataforma de pagamentos.
— O Brics é uma brilhante manifestação de uma transformação global em direção ao multilateralismo e a uma multipolaridade inclusiva — disse ao GLOBO Victoria Panova, diretora do Conselho de Especialistas do Brics e vice-reitora da Escola Superior de Economia, em Moscou.
Na política externa russa, ele aparece em segundo lugar na escala de importância entre as organizações internacionais, incluindo as da ONU.
— Isso dá uma medida do valor que Moscou dá ao grupo como uma ilustração viva das aspirações do país.
Deu em O Globo

Descrição Jornalista
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