Emprego 17/06/2025 12:09
Escassez de mão de obra atinge o Brasil porque ‘pessoas estão viciadas no Bolsa Família’, diz Ricardo Faria, o ‘rei do ovo’, que dispara: ‘É um desastre contratar no Brasil’

O empresário Ricardo Faria, fundador da Global Eggs e considerado um dos maiores produtores de ovos do mundo, afirma que a escassez de mão de obra no Brasil e o ambiente econômico desfavorável têm freado o desenvolvimento do setor produtivo.
Ele aponta a burocracia estatal, a elevada carga tributária e os programas sociais como fatores que dificultam o crescimento sustentável das empresas.
Em entrevista concedida à Folha de S. Paulo neste domingo (15), Faria fez críticas contundentes ao atual modelo de políticas públicas voltadas para o trabalho e defendeu uma flexibilização nas relações formais de emprego como solução para o que classifica como um “desastre para contratar no país”.
À frente de uma multinacional que produz cerca de 13 bilhões de ovos por ano e atua em três continentes, Faria compara o desafio de empreender no Brasil a remar contra a correnteza em um rio cheio de obstáculos.
“É árvore caída, cobra, jacaré. Esse é o ambiente de negócios aqui”, afirmou à Folha. Ele critica a atuação estatal, que, segundo ele, dificulta o funcionamento do mercado.
“Enquanto o governo aumenta impostos diante de crises, as empresas precisam cortar custos”, completou.
Segundo o empresário, a escassez de mão de obra qualificada e os entraves burocráticos impedem que empresas brasileiras tenham a mesma agilidade e eficiência operacional observada nos Estados Unidos ou na Europa.
Um dos pontos centrais da entrevista foi a crítica de Faria ao programa Bolsa Família, que, segundo ele, estaria criando dependência em parte da população economicamente ativa.
“As pessoas estão viciadas no Bolsa Família. A gente não consegue nem treiná-las porque estão presas ao programa”, afirmou.
Ele também destacou uma mudança comportamental nos mais jovens, que têm rejeitado o vínculo empregatício tradicional com carteira assinada.
“Hoje, muitos não querem mais trabalhar oito horas por dia no mesmo lugar. Buscam flexibilidade, algo que o modelo formal não permite mais.”
Essa combinação de fatores, segundo ele, aprofunda a dificuldade para contratar trabalhadores no país, especialmente nos setores operacionais da indústria e do agronegócio.
Ao comparar os ambientes de negócios entre continentes, Faria é categórico: “Nos Estados Unidos, você abre uma empresa em duas horas e fecha em uma hora e meia. Aqui, leva meses.”
Ele também relatou que nos EUA um trabalhador do setor de ovos pode receber até US$ 20 por hora, com liberdade para definir sua carga de trabalho.
Na Europa, segundo ele, o cenário é estável e transparente, enquanto no Brasil, a insegurança jurídica e o excesso de regulamentações tornam o processo empresarial extremamente arriscado.
Esses fatores contribuem para o crescimento de um fenômeno que, conforme ele reforça várias vezes, é visível: o déficit de trabalhadores formais no país, o que agrava a escassez de mão de obra no Brasil.
O empresário vê com preocupação o que considera um retrocesso nas conquistas da reforma trabalhista, aprovada em 2017.
Segundo ele, mesmo após a promulgação de novas leis, decisões judiciais isoladas têm invalidado regras, gerando incerteza entre empregadores.
“O Judiciário, às vezes, age como se não existisse Parlamento. O Brasil continua com uma das legislações trabalhistas mais engessadas do mundo”, declarou.
Para Faria, o resultado dessa instabilidade é o desestímulo à formalização e a intensificação da informalidade, alimentando ainda mais a dificuldade para contratar trabalhadores no país.
Ricardo Faria transferiu sua residência fiscal para o Uruguai, mantendo, no entanto, sua nacionalidade brasileira.
Ele nega que a mudança tenha relação com medidas do atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e justifica a decisão como estratégia para acompanhar os 80% de seus negócios que estão fora do Brasil.
Ele critica o aumento recente do IOF e afirma que não realiza financiamentos no país há pelo menos dois anos.
Segundo Faria, o Brasil pune empresas que querem crescer, com tributos progressivos e pouco incentivo para inovação.
“Criamos uma cultura onde é melhor continuar pequeno. Se quiser crescer, a carga fiscal muda completamente. Isso trava a ambição empresarial e fortalece ainda mais a escassez de mão de obra no Brasil.”
Embora afirme manter distância de contratos públicos, Faria revelou que realiza doações a campanhas de candidatos com perfil liberal, como Kim Kataguiri (União Brasil-SP) e Marcel Van Hattem (Novo-RS).
Ele defende que o empresariado não deve se afastar da política, mas também não deve se alinhar completamente a ela.
Em relação à polarização política, foi categórico: “Essa disputa entre direita e esquerda desgasta o debate público e impede a construção de soluções concretas.”
O empresário também comentou a recente alta no preço do ovo, que virou tema de debate nacional.
Segundo ele, o aumento foi pontual, causado por mortalidade de aves durante um calor extremo e aumento do consumo na quaresma.
O presidente Lula chegou a declarar que gostaria de “encontrar o pilantra que aumentou o preço do ovo”, o que Faria minimizou.
“Nem estava no Brasil. Estava no meio de uma aquisição. Soube dias depois. Lula sempre foi um entusiasta de empresas brasileiras no exterior.”
Ele conclui destacando que o setor avícola brasileiro mantém padrões sanitários superiores aos de muitos países, e que casos como o da gripe aviária nos EUA — onde 50 milhões de galinhas foram abatidas — reforçam a solidez da produção nacional.
Deu em CPG

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