Vacina 11/10/2021 08:15

Não imunizados são 74% dos internados por Covid no Brasil entre julho e setembro

Levantamento feito pelo Metrópoles aponta que três em cada quatro pessoas internadas com Covid-19 no período não completaram o ciclo vacinal

A redução das taxas de óbito por Covid-19 nos últimos meses comprova: as vacinas são eficazes para frear a disseminação do vírus e evitar hospitalizações e casos graves da doença. Outro índice que respalda o bom funcionamento dos imunizantes é o de internações hospitalares.

Levantamento feito pelo Metrópoles, por meio de dados do Ministério da Saúde, mostra que apenas 26% dos pacientes internados com a doença no Brasil entre julho e setembro foram totalmente imunizados – tomaram duas doses ou receberam a aplicação única de vacina.

Três em cada quatro pacientes internados no Brasil com diagnóstico positivo para Covid-19 no período, portanto, não completaram o esquema vacinal, o que é essencial para diminuir as chances de casos da doença evoluírem para a forma mais grave.

Desse total de internações registradas pelo Ministério da Saúde entre julho e setembro, 46,2% são de pacientes que não tinham tomado nenhuma dose da vacina; 25,7% tinham uma dose do imunizante.

Os números vêm do banco de dados de Síndrome de Respiratória Aguda Grave (SRAG), mantido pelo Ministério da Saúde. Nesse arquivo, estão registradas todas as ocorrências de SRAG. Para a reportagem, foram mantidas apenas as informações relacionadas aos casos confirmados de Covid-19 que levaram à internação.

A base de dados tem suas limitações. Não é em todas as internações que a equipe médica consegue confirmar que a vacina foi aplicada. Casos em que a informação foi marcada como ignorada foram descartados. Também não foram utilizadas as entradas que não traziam as datas de vacinação. Isso tende a supervalorizar a quantidade de imunizados em relação ao total.

É importante ressaltar que, nos primeiros meses do ano, a maior parte da população brasileira ainda não havia tomado nenhuma dose das vacinas. O início da campanha de imunização foi organizado pela dinâmica de grupos prioritários, como idosos e profissionais da área da saúde.

Por isso, os dados do início do ano apontam que a maior parte dos internados não tinham sido vacinados, já que uma porcentagem pequena da população brasileira havia recebido um imunizante. Os dados mostram que, usando esse intervalo, a partir de janeiro, 73,23% das pessoas hospitalizadas não tinham tomado nem mesmo uma dose do fármaco.

Em maio, o Ministério da Saúde e a Comissão Intergestores Tripartite (CIT) decidiram, em reunião conjunta, que estados e municípios poderiam iniciar a vacinação contra Covid-19 por faixa etária, desde que já tivessem finalizado a imunização de grupos prioritários.

Ao observar os dados por unidade federativa, é possível observar que os não vacinados são minoria na população, mas maioria entre os internados de quase todos os estados brasileiros. Pernambuco e Rio de Janeiro são as únicas exceções.

Especialistas avaliam que, por mais que o país apresente resultados mais otimistas em relação a casos e mortes por Covid-19, a taxa de transmissão do vírus ainda é alta e merece atenção

Por isso, pessoas que não estão imunizadas ou tomaram apenas a primeira dose ainda correm risco de serem contaminadas pelo coronavírus e, consequentemente, de serem hospitalizadas com casos mais graves da doença. É o que avalia o consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Davi Urbaez.

“Estamos em uma faixa de transmissão elevada da pandemia, porque, por mais que [o nível] esteja muito mais baixo do que já esteve, nós nunca entramos em baixa transmissão. Estamos em uma faixa de transmissão sustentada. Neste cenário, também temos que considerar que a média de vacinação da população com segunda dose é 40%. Então, sim, a imensa maioria dos internados são os não vacinados, porque estão mais suscetíveis.”

Até a noite de quinta-feira (7/10), 97,2 milhões de brasileiros estavam totalmente imunizados, ou seja, vacinados com duas doses ou com a aplicação única. O número equivale a 45,57% da população brasileira.

Deu em Metrópoles
Ricardo Rosado de Holanda



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