Única foto, identidade falsa e morte do pai: como policiais encontraram condenado pela ‘Tragédia do Baldo’ - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Tragédias 28/06/2026 07:22

Única foto, identidade falsa e morte do pai: como policiais encontraram condenado pela ‘Tragédia do Baldo’

Única foto, identidade falsa e morte do pai: como policiais encontraram condenado pela ‘Tragédia do Baldo’

A prisão de Aluísio Farias Batista, de 69 anos, condenado pela “Tragédia do Baldo” e capturado nessa sexta-feira (26) no Mato Grosso após 42 anos foragido, revela uma complexa teia de fuga e uso de identidade falsa para se manter escondido da Justiça ao longo desse período.

Detalhes da “Operação Resgate” mostram como o motorista do ônibus responsável pela morte de 19 pessoas no Carnaval de Natal em 1984 conseguiu se esconder nesse tempo, chegando a renovar sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) com dados de uma pessoa falecida.

A investigação que levou à captura de Aluísio foi um trabalho minucioso, iniciado a partir de um único registro visual disponível: uma fotografia do condenado tirada no ano do crime, em 1984. A Polícia Civil do Rio Grande do Norte, em parceria com a Polícia Civil do Mato Grosso, conseguiu rastrear o foragido que vivia há décadas no estado do Centro-Oeste.

Um dos pontos cruciais para a localização foi a descoberta de que o pai de Aluísio Farias havia falecido em Tangará da Serra (MT) em 2021. Essa informação permitiu o intercâmbio de dados entre as forças policiais dos dois estados, estreitando o cerco ao fugitivo.

A farsa da identidade falsa

A “Operação Resgate” desvendou que, em 1995, Aluísio chegou a emitir um documento de identidade utilizando seus dados verdadeiros e originais no Mato Grosso. Contudo, a grande virada na fuga ocorreu em 1996, quando um indivíduo com o mesmo nome faleceu em Natal.

Aluísio Farias Batista aproveitou a oportunidade e passou a utilizar os dados dessa pessoa falecida para construir uma nova vida.

Embora o momento exato em que ele começou a usar essa identidade falsa ainda esteja sendo investigado, a Polícia Civil afirma com segurança que, em 2021, ele utilizou o RG vinculado à pessoa falecida para renovar sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH), permitindo-lhe continuar exercendo atividades profissionais como motorista sem levantar suspeitas.

A confirmação da verdadeira identidade de Aluísio só foi possível após um rigoroso cruzamento de informações cadastrais, análises documentais e procedimentos de comparação facial realizados pelas equipes de investigação.

A prisão e a confissão

No dia da prisão, os policiais foram primeiro ao local de trabalho de Aluísio, mas ele não estava. Em seguida, dirigiram-se à sua residência. Lá, o foragido tentou manter a farsa, apresentando inicialmente o nome falso que utilizava há anos. No entanto, diante da demonstração de que os policiais já sabiam sua real identidade, ele acabou confessando e revelando seu nome verdadeiro.

Aluísio Farias Batista foi conduzido à unidade policial e, posteriormente, encaminhado ao sistema prisional para o cumprimento de sua pena definitiva de 21 anos de reclusão, em regime fechado.

Palavras de Aluísio Farias Batista

Segundo o relato de Aluísio, havia intensa movimentação de Carnaval no bairro Alecrim e diversos ônibus estavam à disposição dos foliões. Ele afirmou que já havia encerrado sua jornada de trabalho quando foi solicitado por um superior para substituir outro motorista que não poderia realizar uma viagem.

Ainda conforme sua versão, ao chegar à região conhecida como Baldo, enfrentou uma descida com pouca iluminação e conduzia um ônibus lotado de integrantes de outra escola de samba.

Em determinado momento, precisou desviar de um veículo Volkswagen Fusca que estava à sua frente. Ao retornar para sua faixa de rolamento, encontrou outra escola de samba caminhando na via e, segundo ele, não houve tempo nem espaço para evitar o atropelamento.

O episódio ganhou repercussão nacional e foi amplamente divulgado pela imprensa. De acordo com Aluísio, após o caso ser exibido no programa Linha Direta, ele deixou o Rio Grande do Norte e passou a viver em Cuiabá, onde permaneceu por vários anos.

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista