Em termos de ação, porém, as notícias não são tão otimistas. Em avaliações anuais do progresso em direção às metas florestais globais, descobriu-se que, em 2023, a taxa de desmatamento era 45% maior do que deveria ser para interromper gradativamente o fenômeno até 2030.
“Há um enorme ponto cego em termos de compreensão e priorização do valor das florestas em pé”, afirma Erin Matson, consultora da Climate Focus, empresa responsável pela avaliação. “Os governos são frequentemente afetados pelo lucro, e é muito mais fácil ganhar dinheiro desmatando uma floresta ou extraindo madeira do que a protegendo”.
Efeito cascata
O estudo da IUCN destaca ainda que as descobertas são especialmente preocupantes dada a quantidade de vida que as árvores sustentam. Incontáveis outras plantas, animais e fungos dependem dos ecossistemas florestais e serão prejudicados pela extinção desses ambientes.
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Esse é o caso, por exemplo, do ouriço-terrestre (Erinaceus europaeus), que já tem dado um passo em direção à extinção. Típico do continente europeu, sua população diminui conforme ele perde seu habitat natural pela expansão da agricultura e do desenvolvimento rural.
Também há preocupações com a sobrevivência das aves migratórias, muitas das quais fazem escalas nas vastas costas e estuários da Grã-Bretanha. Quatro aves limícolas do Reino Unido – a tarambola-cinzenta (Pluvialis squatarola), o maçarico-galego (Numenius phaeopus), a vira-pedras (Tringa interpres) e o pilrito-de-bico-comprido (Calidris ferruginea) – tornaram-se mais ameaçadas.
Além disso, as árvores também possuem um papel fundamental na regulação dos ciclos biogeoquímicos da Terra, como na reciclagem da água, dos nutrientes e do carbono. Sem elas, toda a biosfera pode ser comprometida.
“Esta importante análise de espécies de árvores ameaçadas destaca o quão crítico é proteger e restaurar ecossistemas florestais diversos e saudáveis”, reitera Cleo Cunningham, chefe da Birdlife International. “Nosso relatório deve ser levado a sério; para o bem das comunidades locais, da vida selvagem e das próprias florestas”.

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