Comportamento 26/10/2025 17:07
Um psicólogo explica o “Boomerasking”, uma tendência irritante em crescimento. Será que você pratica?

A conversa é a base de qualquer bom relacionamento. Sem ela, não conseguimos nos conectar, informar, nos relacionar ou sequer nos comunicar de maneira verdadeiramente significativa.
Fazer perguntas é uma parte especialmente importante disso. Elas ajudam a mostrar que nos importamos, que temos interesse e que queremos aprender mais, e, o mais importante, que estamos ouvindo o que a outra pessoa tem a dizer.
É isso que torna o “boomerasking”, uma nova tendência de conversação, tão frustrante. Conforme descrito em um estudo de 2025 publicado no Journal of Experimental Psychology: General, o termo se refere à tendência de fazer uma pergunta a outra pessoa apenas para respondê-la você mesmo.
O que é “Boomerasking”?
Ao contrário do que se pode pensar, o boomerasking não tem relação com a geração Baby Boomer; quase qualquer pessoa pode cometê-lo. O nome faz referência a um bumerangue.
O boomerasking começa quando a pessoa A faz uma pergunta à pessoa B.
Por exemplo, A pergunta: “O que você fez no fim de semana?” B responde: “Ah, nada de mais.” Antes mesmo de B ter a chance de perguntar de volta ou reconhecer a resposta, A já responde à própria pergunta: “O meu foi incrível!” e começa a listar todas as coisas legais que fez.
Os autores do estudo de 2025, Alison Wood Brooks e Michael Yeomans, explicam o processo de forma simples: “O boomerask começa quando alguém faz uma pergunta, mas — como um bumerangue — a pergunta retorna rapidamente à sua origem.”
Pergunta + ostentação (ask-bragging): quando alguém faz uma pergunta e, em seguida, fala algo positivo sobre si mesmo.
Ex.: perguntar quais são os planos de B para o feriado apenas para se gabar das férias incríveis que planejou.
Pergunta + reclamação (ask-complaining): quando alguém faz uma pergunta e depois revela algo negativo sobre si.
Ex.: perguntar sobre a agenda de B para contar sobre a consulta médica horrível que precisa enfrentar.
Pergunta + compartilhamento (ask-sharing): quando alguém pergunta algo e depois compartilha algo neutro. Ex.: perguntar sobre a noite de B apenas para contar sobre um sonho estranho que teve.
Em nenhum desses casos a pessoa A se envolve com a resposta de B. A pergunta inicial serve apenas para centrar a conversa nela mesma ou no que quer dizer.
Por que o boomerasking é irritante?
Passamos grande parte do dia em conversas, e com razão. Conversar é como aprendemos, nos conectamos, ensinamos, flertamos, criamos vínculos, persuadimos e entretémos. Cada troca envolve pequenas decisões que moldam o tom e a direção da conversa; precisamos escolher com cuidado o que dizer, como dizer, e, claro, o que perguntar e como perguntar.
Perguntas têm papel funcional e pessoal dentro de uma conversa. Funcionalmente, perguntamos para aprender sobre um tema ou sobre a pessoa. Pessoalmente, perguntamos para demonstrar qualidades nossas: calor humano, curiosidade, cuidado.
Perguntar e responder são vitais para o ritmo da conversa. Transformam dois monólogos sobrepostos em diálogo verdadeiro. Quando você faz perguntas e se envolve com as respostas de forma sincera, cria um espaço de segurança e interesse.
O boomerasking quebra totalmente esse ritmo. É o equivalente conversacional a um “bait-and-switch”: uma pessoa convida à conexão e, no mesmo fôlego, redireciona abruptamente para si.
Mesmo que a pessoa do outro lado não perceba conscientemente o egoísmo se for uma ocorrência única, provavelmente sairá sentindo que a conversa foi inútil, sua presença serviu apenas de gatilho para a história do outro.
Se alguém é conhecido por boomerasking repetidamente, pode ser cansativo tentar criar vínculo com essa pessoa.
A conversa tende a ser unilateral e, no pior caso, performativa. O boomerasking constante faz o ouvinte sentir que seu papel é apenas preparar o terreno para o outro. Poucas coisas drenam tanto a alegria de uma conversa quanto perceber que suas palavras são apenas um trampolim para a história de alguém.
Como ser um parceiro de conversa melhor?
O antídoto para o boomerasking é simples: autoconsciência.
Faça perguntas que realmente queira saber a resposta. Não pergunte só para acelerar sua vez de falar. Perguntas motivadas por curiosidade geram trocas mais profundas e recíprocas.
Ouça pelo ato de ouvir, não apenas para responder. Conversadores impressionantes sabem quando não falar, deixando espaço para o outro ou para o silêncio.
Faça acompanhamento com atenção. Perguntas de seguimento mostram que você realmente ouviu e processou o que foi dito. Pode ser simples, como “Sério? E como foi?”
Se tiver algo importante a compartilhar, seja honesto. Dizer “Posso te contar algo engraçado que aconteceu hoje?” é melhor do que fingir uma pergunta só para guiar a conversa. A sinceridade é mais apreciada do que se colocar no centro.
Reconheça que todos nós cometemos boomerasking de vez em quando. Às vezes estamos animados ou muito envolvidos em nossas histórias. Isso não nos torna rudes, apenas socialmente desajeitados.
No entanto, adotar uma postura egocêntrica de forma consistente fará você perder amigos rapidamente.
Conversamos para praticar gentileza e reciprocidade, dois elementos que o boomerasking ignora completamente.
*Mark Travers é colaborador da Forbes USA. Ele é um psicólogo americano formado pela Cornell University e pela University of Colorado em Boulder.
Deu em Forbes

Descrição Jornalista
O que se sabe dos vazamentos de dados de ministros do STF
18/02/2026 08:25
Carreta com 25 toneladas de melão tomba na BR-304, em Mossoró
18/02/2026 07:09
Três praias do litoral do RN ficam impróprias para banho
01/02/2026 07:28 215 visualizações
Ministério da Saúde emite alerta para o vírus Nipah no Brasil
02/02/2026 04:40 199 visualizações
Como identificar pessoas interesseiras, segundo a psicologia
01/02/2026 10:39 187 visualizações
03/02/2026 15:54 184 visualizações
Boris Casoy acerta com o SBT e volta à TV após quatro anos
06/02/2026 07:30 183 visualizações
Fachin: Dúvidas sobre conflitos de interesses devem ser tratadas sempre com transparência
02/02/2026 16:06 180 visualizações
STJ alerta para golpe do oficial de justiça no WhatsApp; veja como funciona
01/02/2026 09:06 175 visualizações
“Norte do Brasil tem mulheres mais feias do mundo”, diz e-mail de Epstein
05/02/2026 07:35 159 visualizações