Futebol 05/11/2026 15:22
Tite desabafa após vitória: “Sei que não sou o técnico ideal para muitos torcedores do Botafogo”

O Botafogo venceu o Atlético-MG, por 1 a 0, no Nilton Santos, pela 34ª rodada do Brasileirão. Com o resultado, vai a 42 pontos e se afasta da zona de rebaixamento. Em entrevista coletiva, o técnico Tite enalteceu o elenco, saiu em defesa de Arthur Cabral e desabafou para os torcedores.
— Eu sei que não sou o técnico ideal para muitos botafoguenses, assim como não era na Seleção, no Grêmio, no Corinthians. Eu sei. Mas é colocar o clube acima às vezes. Isso é legal, isso é grandeza. E quando você dá um apoio ao atleta ou quando não vem, não é uma situação melhor para o clube, é só como eu vejo, respeito, mas é como vejo. Essa é a parte individual — disse.
— O Cabral trabalha muito, gente. Ele treina muito. Se tem uma coisa que posso assegurar a vocês é que ele não mede esforços. Às vezes você fica um tempo sem fazer gols e essa situação, para um 9, fica evidenciada. Ele é um exímio finalizador, tanto no alto quanto embaixo. E devo dizer que a grande maioria da torcida do Botafogo apoiou ele. As torcidas que nós falamos apoiaram. Talvez não ecoaram tanto, mas apoiaram. Teve uma pequena parte que reclama, sim, temos que respeitar, mas é o Botafogo representado — continuou.
— Mas quero enaltecer aqui o Gabriel, que foi muito bem, intervenções, seguro. Tem o Warleson, que é um grande profissional. Tem o Cleber, o terceiro (goleiro), menino, que está crescendo muito. Então você vê todo o trabalho desenvolvendo, e essa concorrência faz elevar o nível técnico dos atletas.
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Tite em Botafogo 1 x 0 Atlético-MG, pelo Brasileirão — Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
Tite estendeu os elogios a uma lista grande de jogadores: Ponte, Kadu, Alex Telles, Paulinho, Marçal, Ferraresi, Tiquinho, Edenilson e Vitinho.Para esta partida, Tite fez mudanças na equipe e começou com três zagueiros, com um meio campo formado por Edenílson, Huguinho e Medina. Além disso, Montoro e Ziyech sequer saíram do banco.
— Primeiro que o Botafogo vai estar sempre querendo evoluir, pela história que ele tem, e eu sei disso. Por isso que é pesado estar técnico do Botafogo. A responsabilidade é muito grande, o orgulho da mesma forma. Eu entendo quando vocês colocam que tal jogador tem uma qualidade técnica maior… Eu entendo isso tudo. Mas eu quero mostrar a ideia que eu tenho, que é um conjunto de atletas disponíveis para o Botafogo. E daqui a pouco a oportunidade, o treinamento, o desempenho em campo, as situações, as necessidades, a característica do jogo.
— Por exemplo, hoje nós colocamos o (Matheus) Martins e o (Kauan) Toledo, duas flechas, que a cada vez que a bola entrava no pivô ou triangulava por dentro era oportunidade real, clara, lance de perigo. Então você utilizou também a forma dos atletas que estavam fora. Por vezes, há a decisão. Mas há o respeito a eles todos. Inclusive nas manifestações públicas a vocês, sempre vai ter. Isso pode ter certeza.
No comando há sete jogos, Tite chegou apenas a sua segunda vitória. Apesar do retrospecto, o treinador avalia três desempenhos como positivos e traçou o que precisa evoluir para buscar o equilíbrio da equipe.
— Três jogos foram bons: Coritiba, Chapecoense e hoje. Contra uma equipe de modifica atletas, mas já tem oito ou nove meses. O Scarpa já tem característica, o Dudu, Victor Hugo que entrou, já têm uma forma de jogar e uma constância. A gente precisava ter solidez e uma presença de área mais forte. E uma consistência. Procuramos esse equilíbrio.
O Botafogo está com 42 pontos e ocupa a 11ª posição. A próxima rodada é somente no dia 18, contra o Corinthians, na Neo Química Arena.
Enaltecer o grupo
— Enaltecer o grupo de atletas. Por vezes, nós temos que escolher um ou outro jogador. Enaltecer o Justino, o Paulinho, o Huguinho, o Toledo… alguns estavam na base até ontem, identificados com a história do Botafogo e que são importantes. Isso não é desconsiderar outros jogadores que tenham qualidade técnica. Mas, por vezes, é o sistema, a necessidade, a circunstância, o condicionamento físico. O mais importante é trazer a consistência (para a equipe). Controlar quando está sem bola, dominar e ser efetivo. Se olhar as oportunidades criadas, o placar podia ser maior, pelas jogadas limpas. É o grupo, a equipe toda.
Vitória de hoje é uma resposta às críticas?
— Eu acredito em caminhada, passos, ajustes, trabalho. Não existe uma fórmula mágica. Eu respeito todas as críticas, a única coisa com que eu não concordo é o desrespeito pessoal. Agora, profissional… faz parte da minha atividade. Eu tenho respeito, a minha história fala isso.
Resposta às críticas e ponto de virada
— Acredito em caminhada no segundo turno, passo, ajustes, trabalho. Não tem outra fórmula mágica. A única coisa com que não concordo é o desrespeito pessoal. Agora, crítica ao profissional faz parte da minha atividade. A minha história fala isso.
Por que teve essa demora para achar a posição do Medina?
— Eu vou falar só da minha parte, e da parte do Bellão também, porque temos um trabalho em consonância. O Medina é um jogador muito versátil, com uma capacidade de inteligência de jogo e de posição muito grande. Lado esquerdo externo, rodando por dentro. Às vezes de 10, mas não é onde ele melhor produz. Ele te dá versatilidade nesse aspecto. Outros têm características importantes. Ele merece. O Edenílson cansou, o Paulinho teve que sair, o Telles não estava com condições clínicas, mas quis vir para o jogo. “Professor, eu vou fazer tudo”. Foi para casa, drenou a garganta, estava com amigdalite. Estourou pus, cuspiu pus pra caramba para fora. É um pouquinho do torcedor saber o que acontece no bastidor pela retribuição do carinho que ele nos dá.
Escolhas em momento delicado na tabela
— Meu querido e saudoso pai, falecido, cada vez que ele me via, quando eu chegava em casa, falava: “bota os meninos”. O Botafogo tem que se orgulhar, os jovens têm que se orgulhar, e é essa mescla, não só os experientes. Precisa olhar para o lado, ver um jogador de sustentação em que tu sinta confiança. Então essa mescla é do Justina, mas desses todos. Do Toledo, do Pereira, que deslocou o braço duas vezes. Ia tirar no primeiro tempo. Por conta do contato, é um jogo de contato físico. Aí, no intervalo, colocou uma proteção. Então, sabe… é a importância de todos. Sei do talento que todo o grupo tem, mas é uma equipe. Nós. Nós. Nós. Principalmente retribuir o carinho do torcedor botafoguense. Quando te afaga, o atleta se sente mais confiante para jogar.
Conselho ao Bellão
— O Bellão e o Marcelo têm sido fundamentais. Um grande clube tem que ter uma comissão técnica específica importante para trazer para quem vem uma troca de conhecimentos e busca de informações. Quem não vai beber na fonte do Carli para saber como jogar com três zagueiros e de líbero? Eu não tenho problema nenhum em beber na fonte. Não tenho esse orgulho próprio. Eu divido e gosto de dividir a alegria. Sair fora e ver um garoto vestir a camisa do Botafogo contente com o pai. Troco informações com o Leo, toda essa semana foi importante para estabelecer esse canal de comunicação. Eu ia falar uma coisa que me chateou bastante, mas não vou falar.
O que funcionou do que foi trabalhado essa semana?
— Fomos uma equipe extremamente competitiva, sólida defensivamente. No início do jogo, não encontramos os espaços mais longos de infiltração. Quando tivemos os atletas de velocidade, conseguimos. Aliás, foi muito do que nós sofremos nos jogos anteriores. A gente ficava com muita posse, mas o adversário conseguia retomar e tinha espaço. Hoje foi o inverso. Então a gente vai procurando esse ponto de equilíbrio. Cara, eu estou há um mês e meio. Eu também não tenho todos os conhecimentos de como o atleta reage ao momento de dificuldade. Agora é mais fácil falar: “pô, o Toledo entrou bem, o Justino entrou bem…”. Aí tu vai bebendo da fonte daquilo que o Botafogo tem aqui. O lado humano e profissional do Botafogo cativa demais, cara. Eu me sinto mais do que pressionado a devolver para vocês o carinho com que vocês acolhem as pessoas que chegam. Nós pensamos: “o que podemos fazer mais?”. Ele proporciona que você tenha energia para fazer mais e mais.
Importância do Ferraresi e do Tiquinho
— É perfeito quando você fala isso, é uma mescla de um jogador que tem idolatria e carinho que tem com o torcedor. É bonito de ver. Tu pega um Marçal, que é identificado. O Telles, o Vitinho, que estão há mais tempo. Eu já vivenciei isso, tenho 10 exemplos para falar para vocês. “Pô, estou entrando com o Tiquinho, com o Marçal…”. Eles são identificados com a história do clube, claro que eles irradiam essa confiança e te trazem essa mescla, sim.
Qual momento resolveu entrar com 3 zagueiros
— Eu não podia colocar naquele momento porque não estava definido. Eu não queria externar publicamente o que podia fazer como sistema, não por vocês, mas pelo adversário. E não era um dia também que a carga de trabalho permitia. Era campo reduzido, com mais posse e finalizações. No dia subsequente, trabalhamos três ou quatro dias nessa formação porque estava todo mundo fresco e clean para fazer esse nível de treinamento.
Como estão os jogadores lesionados?
— Preciso do departamento médico para me ajudar. O Danilo tentou fazer de tudo, é um grande menino, identificado com o Botafogo. Fez tudo para poder participar, nós seguramos até o final. Ontem, quando fizemos o trabalho aqui, ele fez um estirão para fazer o cruzamento, não teve a condição de seguir. O Telles eu falei. O Arthur está trabalhando, é um baita de um profissional. Quando eu cheguei aqui, no vestiário, ele estava com o fone, extremamente concentrado. O Pantaleão também está recuperando, a gente está tentando buscar para que tenha toda essa força e o grupo todo esteja fortalecido.
Surpresa na formação
— Tem duas formas de jogar e vocês viram. A equipe tem dois sistemas. A utilização do grupo todo em relação a uma ou outra vocês também têm amostragem. É aquilo que digo, que o campo fala. Às vezes ele esconde também. Você está com o jogo controlado e, daqui a pouco, em uma bola isolada…
Efetividade
m— Teve uma bola na trave, a outra bateu no quadril. Teve mais uma no pau, do Tiquinho. Também esse aspecto. Traduzir em gol as oportunidades criadas. É o desafio entre solidez e efetividade.
Deu em GE

Descrição Jornalista
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