O periódico londrino The Economist defendeu em editorial que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abdique de concorrer à reeleição em 2026. Para a revista, o Brasil precisa de renovação política e estabilidade das instituições.
“Apesar de todo o seu talento político, é simplesmente arriscado demais para o Brasil ter alguém tão idoso no poder por mais quatro anos. Carisma não é escudo contra o declínio cognitivo”, afirma a publicação, que relembra o caso de Joe Biden, nos EUA.
A saúde do presidente é um dos pontos abordados, e o procedimento cirúrgico neurológico realizado em dezembro de 2024 é lembrado. Caso cumpra um eventual segundo mandato consecutivo, o petista encerraria o governo com 85 anos.
Sobre a economia, o texto descreve as diretrizes atuais como focadas em programas sociais e aumento de impostos, apesar da simplificação tributária. A revista vê limitações nesse modelo para o setor produtivo.
“Embora a economia brasileira tenha crescido surpreendentemente rápido nos últimos anos, as políticas econômicas de Lula são medíocres. Elas se concentram principalmente em auxílios aos pobres, com medidas de arrecadação de receita cada vez menos favoráveis às empresas, embora ele também tenha agradado os empregadores com uma reforma tributária simplificada”.
Cenário sucessório e indicadores populares
A publicação observa a ausência de um herdeiro político preparado no campo governista, o que favorece a manutenção do nome de Lula. O ministro Fernando Haddad é citado como alternativa interna, mas com baixa adesão do eleitorado.
No campo oposto, o editorial avalia que o capital eleitoral de Jair Bolsonaro enfrenta dificuldades de transferência para seus descendentes diretos. O senador Flávio Bolsonaro é analisado como um nome com poucas chances de vitória.
“Flávio é impopular, ineficaz e quase certamente perderia uma disputa contra Lula”, projeta o editorial. Diante disso, o governador paulista Tarcísio de Freitas é apontado como a opção mais competitiva da direita, por representar uma imagem institucional estável:
“(…) Tarcísio de Freitas, o governador conservador de São Paulo (…) já tem uma leve vantagem nas pesquisas contra Lula em comparação com Flávio, apesar de não estar oficialmente concorrendo e se recusar a dizer se vai ou não. O Sr. Bolsonaro ainda pode perceber que Flávio não tem chance e mudar seu apoio para o Sr. Freitas. De qualquer forma, o Sr. Freitas deveria ter a coragem de entrar na disputa. Ao contrário dos Bolsonaros, ele é ao mesmo tempo ponderado e democrata. Ao contrário de Lula, ele tem apenas 50 anos”.
Dados do instituto Datafolha corroboram o distanciamento de parte da população, com 57% de rejeição a uma nova candidatura do presidente em junho. Em dezembro, o governo apresentou 32% de aprovação contra 37% de reprovação.
A revista conclui que a renúncia ao pleito ajudaria a preservar a biografia do político: “O presidente faria um favor ao seu país e consolidaria seu legado – algo que Biden não fez – anunciando que cumprirá sua promessa e se afastará da disputa”, finaliza o texto.

