Terremoto mais destrutivo dos últimos tempos pode estar próximo de atingir a Califórnia - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Tragédias 19/07/2026 17:38

Terremoto mais destrutivo dos últimos tempos pode estar próximo de atingir a Califórnia

Terremoto mais destrutivo dos últimos tempos pode estar próximo de atingir a Califórnia

Um terremoto catastrófico pode estar próximo de atingir a Califórnia (Estados Unidos). Segundo estudos da Universidade de Bern e da Universidade do Havaí, a falha de San Andreas, a maior fratura tectônica do mundo, localizada no estado americano, está no seu nível mais alto de tensão dos últimos mil anos.

E é justamente esse acúmulo sísmico que engatilha uma ruptura geológica capaz de desencadear grandes tremores de terra.

A Falha de San Andreas é como uma espinha dorsal da Califórnia, que tem 1.287 quilômetros do seu território cortados pela formação geológica. O desnível tectônico lembra uma serpente, que passa pelos Vales de Coachella e do Silício, pelas Montanhas de San Gabriel e pela Ponte Golden Gate.

Há ainda outra falha geológica californiana importante, a de San Jacinto, que se estende por mais de 200 quilômetros ao sul do estado. Grandes metrópoles do estado, como Los Angeles e São Francisco, não são cortadas pelas falhas, mas sofreriam impacto considerável se um terremoto fosse desencadeado pelas rachaduras

As fissuras foram responsáveis por alguns dos terremotos mais devastadores de todos os tempos, como o de São Francisco em 1906, que chegou a 7,9 graus na escala Richter.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos estima que cerca de 700 pessoas morreram naquele incidente, que se alastrou por 477 quilômetros e deixou diversas regiões do Sul da Califórnia em ruínas.
Cidade de São Francisco depois do terremoto de 1906 — Foto: Serviço Geológico dos Estados Unidos
Cidade de São Francisco depois do terremoto de 1906 — Foto: Serviço Geológico dos Estados Unidos

Apesar da ferocidade das rachaduras tectônicas em diversos eventos catastróficos, como o do início do século XX, as formações estiveram calmas nos últimos 100 anos. Não é a agitação das formações que preocupa, mas sim o seu longo silêncio, sobretudo a quietude de San Andreas.

O movimento diário das placas tectônicas gera pressão sobre as formações rochosas que formam as fissuras e, em algum momento, essa energia acaba liberada por meio de uma fragmentação interna, que gera um terremoto.

Há um entendimento de que quanto maior o acúmulo de tensão, mais danoso pode ser o abalo sísmico, de forma que a tranquilidade das falhas acende um alerta para o que pode estar por vir.

“Continuamos acumulando essa energia sísmica, e ela precisa ser liberada. E a única maneira de liberá-la é por meio de grandes terremotos”, constatou a geóloga Kate Scharer, do Serviço Geológico dos Estados Unidos, ao Los Angeles Times. Ela é uma das coautoras do estudo “Os pequenos terremotos não são suficientes para isso”, publicado recentemente.

Os californianos nascidos nos séculos XX e XXI só viram o caos de um terremoto causado por San Andreas em produções de Hollywood, como o filme “Terremoto: A Falha de San Andreas”, que necessitou de recursos gráficos artificiais para representar a catástrofe.

Abalos Sísmicos mais recentes, como o de Northridge, ocorrido em 1994 não teve a mesma dimensão que um fenômeno impulsionado pela maior falha geológica do país. Naquele incidente, a magnitude foi alta, de 6,7 na escala Richter, mas a extensão dos tremores foi pequena, atingindo apenas uma parte pequena de Los Angeles. O evento deixou 57 mortos e milhares de feridos.

Região atingida pelo terremoto de 1994 — Foto: Serviço Geológico dos Estados Unidos
Região atingida pelo terremoto de 1994 — Foto: Serviço Geológico dos Estados Unidos

Diferentemente do tremor dos anos 90 e de outros ocorridos nos últimos 100 anos, uma pesquisa do Serviço Geológico dos Estados Unidos publicada em 2008 projeta consequências muito mais graves para um terremoto provocado por San Andreas.

A estimativa é que o próximo abalo sísmico da falha de magnitude 7,8 provocaria tremores violentos simultaneamente em Los Angeles, Orange, Riverside, San Bernardino, Ventura e Imperial, podendo resultar em 1.800 mortes.

Uma publicação de 2015 do órgão, chamada “A Nova previsão de terremotos para o complexo de falhas da Califórnia”, afirma que há probabilidade de 60% de um terremoto de magnitude 6,7 ou superior atingir a região de Los Angeles até 2045.

Já o estudo “Cajon Pass e o Sistema de Falhas de San Andreas Meridional: Acumulação de Tensão do Ciclo Sísmico e Carga Atual”, publicado em junho no Geophysical Research: Solid Earth, calculou que a falha de San Andreas e a falha de San Jacinto estão em seu nível máximo de tensão tectônica desde o ano 1.100.

A pesquisa “constatou que a tensão tectônica atingiu níveis mais altos do que em qualquer outro momento de todo esse registro.

A partir do modelo, vemos que as condições que historicamente precederam grandes rupturas conjuntas cruzando ambos os sistemas de falhas estão agora se aproximando”, disse ao Los Angeles Times Liliane Burkhard, autora principal do estudo e cientista da Universidade de Berna, na Suíça, e do Instituto de Geofísica e Planetologia do Havaí, na Universidade do Havaí.

Entretanto, os resultados dos estudos não são uma previsão, e a pesquisa têm limitações e incertezas. Ainda assim, a sugestão de que os sistemas de falhas estão “mais sobrecarregados do que em qualquer outro momento nos últimos mil anos é uma descoberta que merece ser levada a sério”, disse Burkhard.

A cientista acredita que “no fim das contas, a mensagem mais importante é simples: vamos garantir que estejamos preparados”.

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