Economia 19/07/2026 15:00
Sobretaxa dos EUA de 25% já afeta 20 estados do Brasil, diz CNI

A sobretaxa de 25% sobre as importações do Brasil, anunciada na madrugada de quarta-feira (15/7) pelos Estados Unidos, faz parte de uma série de medidas econômicas implementadas pelo governo de Donald Trump desde março de 2025.
Essa ação se junta a outras medidas adotadas por Washington que alteraram as regras do comércio internacional, impactando setores estratégicos da economia brasileira.
A decisão marca um novo período de tensão para a indústria nacional, que já vinha sofrendo com o tarifaço. De acordo com dados da balança comercial do primeiro semestre de 2026, divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), os efeitos negativos das tarifas impostas desde o retorno de Trump à Casa Branca já são sentidos em 74% dos estados brasileiros.
No primeiro semestre deste ano, 20 das 27 unidades da Federação registraram queda nas exportações para os Estados Unidos em comparação ao mesmo período de 2025. Desde março do ano passado, as vendas brasileiras ao mercado norte-americano diminuíram 13%, o equivalente a US$ 2,6 bilhões.
A retração foi principalmente impulsionada pela redução de 8,7% nas exportações de bens industriais, com destaque para produtos semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e produtos semimanufaturados de outras ligas de aço.
Entre os maiores exportadores brasileiros para o mercado norte-americano, São Paulo — responsável por 17,1% das vendas ao país — registrou queda de 4,3% no semestre. Também houve retração em Minas Gerais (-18,9%), Espírito Santo (-19,2%), Rio Grande do Sul (-22,6%), Santa Catarina (-32,9%), Paraná (-32,9%) e Bahia (-14%).
Os dados também mostram que a região Norte foi uma das mais afetadas pelas medidas comerciais dos Estados Unidos. Seis dos sete estados da região registraram queda nas vendas ao mercado norte-americano.
As maiores reduções foram observadas no Acre (-62,8%), Tocantins (-52,1%), Rondônia (-49,1%) e Amapá (-41,2%). O Pará, principal exportador da região para os Estados Unidos, teve retração de 31,4%, enquanto o Amazonas registrou uma queda mais moderada, de 2,6%.
DEPENDÊNCIA
Além da diminuição nas exportações, os números revelam a alta dependência do mercado norte-americano.
Em Sergipe, mais da metade (52,3%) de todas as exportações estaduais no primeiro semestre teve como destino os Estados Unidos. No Ceará, esse percentual foi de 33,4%; no Espírito Santo, 27,5%; e em São Paulo, 17,1%.
Para essas unidades da Federação, a nova sobretaxa de 25% tende a aumentar os impactos sobre as exportações. Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, a medida reduz a competitividade da indústria brasileira em um de seus principais mercados.
“O cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram”, afirmou Alban.
A nova tarifa, que entra em vigor já nesta quarta-feira (22/7), atinge cerca de 4 mil produtos brasileiros e afeta setores como madeira, produtos químicos, minerais não metálicos, alimentos, papel e celulose, além de máquinas e equipamentos.
PRODUTOS QUE SERÃO IMPACTADOS PELA SOBRETAXA:
Bens de consumo: calçados, vestuário e papel.
Commodities e alimentos: etanol, açúcar orgânico e molduras de madeira.
Apesar da nova cobrança, a medida mantém uma ampla lista de exceções. Ao todo, mais de 2 mil códigos tarifários ficaram de fora da sobretaxa.
Entre os principais produtos isentos estão café, carne bovina, mel orgânico, açaí, laranja, ferro-gusa, hidróxido de alumínio, aeronaves e peças aeronáuticas, terras raras, sucata de aço e determinados produtos energéticos.
REAÇÃO BRASILEIRA
Após o anúncio da sobretaxa, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que vai acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, que autoriza o Brasil a retaliar ou aplicar sobretaxas equivalentes contra países que imponham barreiras comerciais unilaterais aos produtos brasileiros.
Em nota, o Palácio do Planalto lamentou a decisão do governo norte-americano e afirmou que a medida representa um retrocesso na relação comercial entre os dois países.
O governo Trump, por sua vez, ameaçou o Brasil com mais consequências, caso o país decida reagir com reciprocidade à medida econômica. No mesmo documento que especifica a sobretaxa de 25%, o país afirma que poderá considerar que o atual nível de tarifação não é suficiente a depender da reação do Brasil.
“Ações do Brasil que aumentem o ônus ou a restrição ao comércio dos EUA — como aumentos de tarifas sobre produtos dos Estados Unidos, em vez de abordar as preocupações dos EUA com as práticas desleais constatadas na investigação — podem indicar que a ação dos EUA neste nível não é suficiente para obter a eliminação dos atos, políticas e práticas do Brasil”, afirma o texto.
Durante a coletiva de imprensa nessa quinta-feira (16/7), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também garantiu que o governo federal prepara um pacote de apoio aos setores mais afetados pela medida.
Entre as alternativas em estudo estão a ampliação dos instrumentos do Plano Brasil Soberano, linhas de crédito para empresas exportadoras e o reforço das ações de promoção comercial para diversificar mercados e reduzir a dependência das vendas aos Estados Unidos.
Deu em Paipee

Descrição Jornalista
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