FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Psicologia 21/12/2025 10:36

Segundo a psicologia, aqueles que cresceram nas décadas de 1960 e 1970 desenvolveram capacidades mentais que estão se perdendo nos dias de hoje

Segundo a psicologia, aqueles que cresceram nas décadas de 1960 e 1970 desenvolveram capacidades mentais que estão se perdendo nos dias de hoje

Pais e educadores comentam com frequência como a Geração Alfa, que cresceu cercada por telas e recursos digitais, tem sido impactada negativamente em aspectos simples da vida cotidiana.

Pesquisas indicam que esse fenômeno já pode estar afetando também a Geração Z, formada pelos jovens adultos atuais, já que o tempo excessivo diante das telas tende a prejudicar a comunicação e as relações interpessoais.

Por outro lado, há boas notícias para quem tem mais de 50 ou 60 anos.
De acordo com uma pesquisa publicada no jornal francês Ouest-France, pessoas nascidas nas décadas de 1960 e 1970 desenvolveram uma série de habilidades mentais que, segundo a psicologia, estão se tornando cada vez mais raras nos dias de hoje.

O principal fator por trás desse desenvolvimento foi um estilo de vida mais simples, porém mais exigente. A ausência de telas e a necessidade de assumir responsabilidades desde cedo, em muitos casos, tiveram papel importante nesse processo. Entre os aspectos destacados pelo estudo estão habilidades como paciência, autonomia e tolerância à frustração.

Pontos fortes de pessoas com mais de 50 anos

1. Paciência

Para essa geração, o tédio não era encarado como um problema na infância. “Quando não havia nada para fazer, você saía, pegava um livro ou inventava uma brincadeira na hora”, explica a Cottonwood Psychology. Além disso, a informação demorava mais para circular, o que ensinou o valor da espera e contribuiu para decisões mais conscientes e maior tranquilidade emocional.

2. Tolerância à frustração

A revista Eluxe aponta que uma das primeiras lições aprendidas por quem nasceu nas décadas de 1960 e 1970 foi que a vida nem sempre é justa. Pais não suavizavam frustrações, professores não distribuíam troféus pela simples participação, e isso ajudou muitas crianças a entender que o fracasso não é o fim do caminho, mas parte do aprendizado.

3. Capacidade de regular as emoções

Em muitos casos, emoções intensas não eram o centro das atenções na infância. Segundo o estudo, desenvolver autocontrole desde cedo está associado a maior bem-estar emocional e a menores níveis de ansiedade e estresse na adolescência.

4. Satisfação com o que se tem

Essas gerações cresceram com menos bens materiais e expectativas mais realistas. A educação recebida não estimulava ideias idealizadas sobre como a vida deveria ser, o que favoreceu uma relação mais equilibrada com desejos e conquistas.

5. Tolerância ao desconforto

A necessidade de esperar e lidar com limitações, algo muito diferente do ritmo acelerado atual, contribuiu para o desenvolvimento da flexibilidade emocional e da resiliência ao longo do tempo.

6. Maior capacidade de concentração

Atividades como ler por horas, escrever cartas ou ouvir um álbum inteiro de música ajudaram a fortalecer a atenção prolongada. Esse hábito contrasta com o consumo rápido e fragmentado de conteúdo que se tornou comum com as novas tecnologias e redes sociais.

7. Gestão direta de conflitos

O diálogo presencial, apesar de gerar momentos desconfortáveis, favoreceu o aprendizado da escuta ativa, a leitura da linguagem corporal e formas mais claras e empáticas de se expressar.

Ainda assim, é importante não idealizar o passado. As décadas de 1960 e 1970 estiveram longe de ser perfeitas e foram marcadas por injustiças e dificuldades. Na Espanha, por exemplo, muitas pessoas começaram a trabalhar aos 14 anos em condições precárias para ajudar financeiramente a família.

Basta ouvir quem viveu esse período para entender que, apesar dos aprendizados, também foi uma época de grandes desafios.

Deu em Minha Vida

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista