Governo Federal 22/06/2021 08:59
Rogério Marinho no Senado: país precisaria investir dez vezes mais em saneamento
Em audiência no Senado, ministro do Desenvolvimento Regional disse que novo marco do saneamento elevou os investimentos para R$ 70 bilhões. Mas esse valor é bem inferior à demanda nacional. Marinho pediu, ainda, ajuda para manter o programa Casa Verde e Amarela

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, participou de uma sessão de debates na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado, onde apresentou resultados do trabalho da pasta em 2020.
O encontro teve a participação de Louise Caroline Campos Löw, superintendente do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam); Romildo Carneiro Rolim, presidente do Banco do Nordeste (BNB); Robson Braga de Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI); e Flavio Amary, presidente do Fórum Nacional de Secretários de Habitação e Desenvolvimento Urbano e secretário de Habitação de São Paulo.
Os senadores que participaram da sessão não fizeram perguntas aos participantes. Ao final, o presidente da comissão, o senador e ex-presidente da República Fernando Collor (Pros-AL), leu perguntas de internautas, mas as considerou respondidas pelos participantes.
O único senador, além de Collor, a participar, Lasier Martins (Podemos-RS) pediu auxílio para os municípios da metade sul do Rio Grande do Sul, que, conforme descreveu o parlamentar, sofre um êxodo devido à crise econômica na região.
Marinho confirmou que tem recebido prefeitos de cidades do extremo-sul do país e que há uma forte seca no território, devido à mudança do regime de chuvas no país.
Na apresentação, Marinho já havia citado a mudança do regime de chuvas no país, e até mencionou o trabalho da Defesa Civil no combate a incêndios, mas não correlacionou os temas.
Especialistas, no entanto, destacam que há relação direta entre o desmatamento e a mudança no regime de chuvas que afeta o Brasil. Para se ter uma ideia, dados mais recentes do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia Imazon apontam que o desmatamento da amazônia atingiu 778 km2 em abril de 2021, 45% a mais que no mesmo período do ano passado e um recorde para o mês em 10 anos.
Rogério Marinho também destacou o importante papel da água para a pasta, outro recurso natural que pode ser fortemente afetado pelo desmatamento. Mais uma vez, o tema não foi discutido ou questionado por parlamentares.
“A água é o vetor que une a habitação, saneamento, infraestrutura hídrica e Defesa Civil, na falta e no excesso”, afirmou o ministro.
Marinho começou a fala lembrando que metade da população ainda não tem tratamento de água e esgoto. Nas contas do ministro, o governo federal e os governos estaduais e municipais tinham capacidade para investir, por ano, R$ 7 bilhões em saneamento básico.
Mas, para atingir todo o país, seria necessário R$ 700 bi. Ele destacou que, com o novo marco do saneamento e os leilões subsequentes, houve aumento de R$ 70 bi em investimentos do setor privado em outorgas e melhoria da infraestrutura. Ainda assim, o valor é dez vezes inferior à demanda nacional.
Deu no Correio Braziliense

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