Tragédias 30/06/2026 06:35
Relembre a Tragédia do Baldo, que matou 19 pessoas em Natal

A “Tragédia do Baldo”, que ocorreu em 1984 e deixou 19 mortos e 12 feridos, voltou ao noticiário devido à prisão do motorista envolvido, Aluísio Farias Batista, 42 anos após o acidente.
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte, em ação conjunta com a Polícia Civil de Mato Grosso, cumpriu na última sexta-feira (26) um mandado de prisão definitiva contra Aluísio, hoje com 69 anos, condenado a 21 anos de reclusão.
A captura foi realizada no âmbito da Operação Resgate, após investigações que localizaram o foragido no estado de Mato Grosso.
De acordo com as investigações, o homem conduzia um ônibus quando perdeu o controle do veículo na região do Baldo, em 25 de fevereiro de 1984, e atingiu integrantes de uma banda de música e foliões que participavam de um bloco carnavalesco.
Ricardo Rosado era editor de jornalismo da Rádio Trairi, à época, e lembra da madrugada de cobertura da tragédia. Ele e o jornalista Jânio Vidal foram os primeiros a chegar ao local, minutos após aquele que ficou conhecido como um dos momentos mais marcantes do Carnaval potiguar.
Eles estavam no Alecrim, cobrindo a abertura do Carnaval, e foram ver onde o bloco Puxa-Saco estava. “Não acreditamos no que estávamos vendo. Eu sinceramente pensei que o bloco estava descansando. Você via exatamente embaixo do viaduto [do Baldo] tambores, pistão, saxofone, tudo estraçalhado no chão, e os corpos, com muito sangue. Embora estivesse escuro, você percebia o sangue”, conta Rosado.
Segundo ele, os jornalistas viram pessoas pulando do ônibus, que carregava integrantes de uma agremiação. “Foi uma tragédia que não só marcou, mas definiu o Carnaval de rua em Natal. Um número de mortos impressionante, uma estrutura de emergência do Walfredo que não estava preparada para tanta gente chegar”, descreve.
A equipe da rádio estava mobilizada no evento do Alecrim e, diante do acidente, teve de ser desmobilizada para cobrir a “tragédia do Baldo”. De madrugada, no escuro e com dificuldades de comunicação, o rádio foi o primeiro a transmitir as notícias, além de pedidos de apoio na doação de sangue, convocação de médicos para prestar socorro e falas para tranquilizar as famílias.
Ele diz que estava passando pautas enquanto esperava o carro de reportagem da rádio para transmitir. “Neste intervalo, Jânio pegou o carro pessoal dele e saiu socorrendo feridos e levando para o [Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel]. A cidade inteira estava dormindo, praticamente”, relata.
Para ele, o impacto do momento foi forte para o carnaval de rua, que demorou a se recuperar em Natal. “Finalmente, 42 anos depois, conseguem prender o responsável. Pelo menos essas famílias todas ficam informadas de que o responsável está preso e que irá cumprir a pena”, diz ele.
Prisão
Após o episódio, o motorista fugiu e permaneceu foragido por mais de 40 anos. Segundo a Polícia Civil, as diligências para localização do condenado começaram a partir da única fotografia disponível do investigado, registrada à época do crime. As apurações indicaram ainda que ele passou a utilizar identidade de terceiros ao longo dos anos, o que dificultou sua localização.
As investigações apontam que, em 1995, ele emitiu um documento de identidade com dados verdadeiros no Mato Grosso. Em 1996, após a morte de um homem em Natal, passou a utilizar a identidade de uma pessoa já falecida. Em 2021, ele teria utilizado esse documento para renovar a Carteira Nacional de Habilitação e seguir exercendo atividades de motorista.
Segundo a Polícia Civil, a identificação foi confirmada por meio de cruzamento de dados cadastrais, análises documentais e comparação facial realizada pelas equipes de investigação. Ele foi conduzido à delegacia e, depois, encaminhado ao sistema prisional, onde cumprirá a pena definitiva de 21 anos de reclusão em regime fechado.
O caso
O acidente envolvendo o bloco carnavalesco Puxa-Saco é considerado um dos episódios mais marcantes do Carnaval de Natal. A manchete do jornal TRIBUNA DO NORTE de 26 de fevereiro daquele ano estampava: “Tragédia na abertura do carnaval de Natal. Ônibus atropela bloco. 19 MORTOS”.
Segundo reconstrução dos fatos, houve colisão com um Fusca estacionado antes de o ônibus sair do controle e avançar contra o grupo que participava do desfile.
Em reportagem da TN publicada em 2007, o carnavalesco Dickson Medeiros, diretor do bloco na época do acidente, relatou que o grupo vivia um momento de expansão e que naquele ano seria a primeira vez que o bloco de rua sairia com maior estrutura pela cidade. Ele também atribuiu o acidente a fatores como falhas no percurso, incluindo falta de iluminação e de policiamento.

Descrição Jornalista
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