Combustíveis 29/10/2026 11:59
Quem enche um tanque de 50 litros de gasolina vai pagar R$ 3,50 a mais só de ICMS a partir de fevereiro de 2027, e o Confaz já sobe o imposto pela quarta vez desde que ele virou valor fixo em 2023

Os novos valores estão nos Convênios ICMS 127 e 128, aprovados na 433ª reunião extraordinária do Confaz, em 27 de outubro, e publicados no Diário Oficial da União desta quarta-feira (28).
O diesel e o biodiesel passam a pagar R$ 1,30 por litro, contra R$ 1,17 hoje. O gás de cozinha, cobrado por quilo, vai de R$ 1,47 para R$ 1,54.

A alta da gasolina é de R$ 0,07 por litro, ou 4,46%. Para quem enche um tanque de 50 litros, a diferença só no ICMS dá R$ 3,50 a cada abastecimento.
O mesmo valor fixo vale para o etanol anidro, que é misturado à gasolina vendida nos postos. O Convênio 127 trata dos dois produtos na mesma cláusula.
A conta considera apenas o imposto estadual. O preço final na bomba depende ainda da Petrobras, dos importadores, das distribuidoras e da margem de cada posto.
No diesel, a alta é de R$ 0,13 por litro, segundo a Agência iNFRA. Em percentual, o aumento chega a 11,11%, o maior dos três produtos.
Um caminhão que enche um tanque de 500 litros passa a recolher R$ 65 a mais de ICMS a cada parada no posto, com a regra que começa a valer em fevereiro.
O biodiesel entra na mesma alíquota do diesel. O Convênio 128 fixa os dois em R$ 1,30 por litro, sem distinção entre o combustível fóssil e o renovável.
O gás de cozinha sobe 4,76% no imposto estadual. Num botijão de 13 quilos, o mais comum nas casas, a diferença soma R$ 0,91 por unidade.
O valor fixo de R$ 1,54 também vale para o GLGN, o gás liquefeito derivado do gás natural, segundo o texto publicado no Diário Oficial.

A atualização é anual. Segundo o Valor Econômico, a metodologia compara os preços médios mensais divulgados pela ANP de fevereiro a setembro de 2026 com o mesmo período de 2025.
Como o petróleo subiu ao longo do ano, a média dos combustíveis subiu junto. O valor fixo do ICMS acompanha esse movimento, um ano depois.
O Confaz reúne os secretários de Fazenda dos 26 estados e do Distrito Federal, sob a presidência do Ministério da Fazenda, e decide a alíquota cobrada sobre os combustíveis.
O ICMS dos combustíveis passou a ser cobrado em reais por litro em 2023, no regime chamado monofásico, em vez de um percentual sobre o preço de bomba.
Desde então, o imposto da gasolina acumula alta de 34,4%, e o do diesel, de 36,8%, de acordo com o levantamento da Agência iNFRA. O reajuste aprovado agora é o quarto do período.
A mudança de regra veio da Lei Complementar 192, de 2022, citada nos dois convênios. Ela determinou alíquota única nacional para cada combustível, cobrada uma só vez na cadeia.
A decisão vai na direção contrária das medidas federais. O governo zerou os tributos federais da gasolina, o que tirou R$ 0,89 por litro do preço final, segundo a iNFRA.
No diesel, a União paga subvenção de até R$ 3,52 por litro do produto importado. A parcela de R$ 2,12 foi prorrogada por mais 30 dias nesta terça-feira (27).
A segunda parcela, de R$ 1,40 por litro, vale até 12 de novembro, informou o jornal O Globo. Aqui no site, o detalhe está na matéria sobre a prorrogação do subsídio de R$ 2,12.
O Sindicombustíveis DF, que reúne os varejistas da capital, criticou o contraste entre a política federal e a dos estados em nota citada pela Agência iNFRA.
“Cada aumento tributário representa uma pressão adicional sobre os custos de abastecimento, transporte de mercadorias, produção e, consequentemente, sobre a inflação”, afirmou o sindicato, último elo da cadeia antes do consumidor.
O frete é o caminho mais curto até o preço de outros produtos, porque a maior parte das cargas do país roda de caminhão movido a diesel.
Em nota, o Confaz citou o “cenário de instabilidade mundial” dos preços dos derivados de petróleo para justificar a atenção ao diesel.
Segundo o conselho, os estados “monitoram e avaliam abreviar os termos da lei complementar quanto à atualização dos valores do diesel”. Não houve data nem proposta concreta de mudança.
Até que isso aconteça, vale o que foi publicado. Os convênios entram em vigor com a ratificação nacional e produzem efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2027.
O imposto novo chega daqui a três meses, mas a pressão sobre o diesel é de agora. O diesel da Petrobras saía às distribuidoras, em média, a R$ 3,26, segundo o Valor.
O jornal informou que a estatal pode reajustar o diesel ainda em outubro para reduzir a distância do importado. A Petrobras não confirmou e disse que avalia ajustes de forma técnica e periódica.
Na Abicom, que reúne os importadores, o presidente Sérgio Araújo disse ao O Globo que o abastecimento de novembro está “apertado”, com poucos navios confirmados até agora.
Para o motorista, o efeito do ICMS será de alguns centavos por litro. Somado a um eventual reajuste da Petrobras ou ao fim dos subsídios federais, o impacto no bolso pode ser maior.
O que os estados decidirem sobre o diesel nas próximas semanas e o que a União fizer com a subvenção em dezembro vão dizer quanto da alta chega de fato à bomba.
Você acha justo os estados subirem o ICMS dos combustíveis enquanto o governo federal tenta segurar os preços com desoneração e subsídio? Conte nos comentários.

Descrição Jornalista
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