Deputado e aliado histórico do PT anuncia fim do apoio ao presidente após derrubada de veto ao PL da Dosimetria
A relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e um de seus aliados mais antigos no Congresso ruiu publicamente. O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que foi relator do PL da Dosimetria, declarou em entrevista à BandNews que não pretende mais apoiar o petista e fez duras críticas ao estilo de governar do presidente.
“Eu tenho dito até — e é importante lembrar que eu apoiei o Lula, mas não vou apoiar mais — que o Lula está governando apenas para quem visitava ele na cadeia. Não é nem para o PT, mas para aqueles que visitavam ele na cadeia”, afirmou o parlamentar, em referência aos 580 dias em que Lula ficou preso em Curitiba, após ter sido condenado em três instâncias judiciais por corrupção.
Derrubada do veto e rejeição de Jorge Messias no centro da crise
O estopim da declaração foi a derrubada pelo Congresso Nacional, na última quinta-feira, 30, do veto presidencial ao projeto de lei do qual Paulinho foi relator. Além disso, o deputado lamentou a intenção do PT de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão dos parlamentares.
Na avaliação de Paulinho da Força, a derrota do governo não se deve a um fator isolado. Ele apontou uma combinação de elementos: a subida do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas, movimentações políticas no Congresso e, sobretudo, a postura de Lula em relação ao Legislativo.
“Há muito de política nisso [rejeição de Jorge Messias e derrubada do veto], há o crescimento do Flávio nas pesquisas, mas também há insistência do Lula, falta de e, principalmente, falta de escuta”, declarou.
Alerta ignorado: Alcolumbre avisou sobre rejeição a Messias
Segundo o deputado, o presidente insistiu em indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF, mesmo após ter sido alertado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de que o nome enfrentava forte resistência entre os senadores.
“Na medida em que o presidente Lula não conversa com o Congresso — ou, se conversa, não ouve —, quando o presidente do Senado diz: ‘Esse rapaz não passa, vamos trocar; se não é o [Rodrigo] Pacheco, ex-presidente do Senado, vamos colocar outro, alguém que possa ser aceito pela Casa’, já se tem uma oposição razoavelmente forte no Senado”, relatou Paulinho.
Diante da insistência de Lula, Alcolumbre teria optado por se afastar da articulação. De acordo com Paulinho da Força, o presidente do Senado lhe disse sobre Messias: “Eu não vou me desgastar pedindo voto para alguém em quem ninguém quer votar”.
Resultado previsível e falha na articulação política
Para Paulinho da Força, a rejeição de Messias já era amplamente previsível. “Eu já sabia do resultado. É muito simples ter uma noção: você ouve alguém do governo, alguém d”, declarou, indicando que os sinais de derrota eram claros para quem acompanhava o cenário político no Congresso.
O deputado direcionou suas críticas também à articulação política do governo. Na visão dele, a administração Lula insiste em não dialogar de forma efetiva com deputados e senadores, o que vem gerando derrotas sucessivas e aprofundando o isolamento do Executivo perante o Legislativo.


