Judiciário 19/08/2025 12:56
OAB-PR cobra autocrítica e autocontenção do STF

A carta denuncia fragilidades na condução dos processos relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023, apontando interpretações casuísticas sobre competência, abuso na conexão processual e aplicação cumulativa de crimes que resultam em penas excessivas a réus de participação considerada secundária.
O texto ainda critica violações às prerrogativas profissionais da advocacia, como restrições ao acesso aos autos, prazos exíguos para defesa, dificuldades de contato com réus presos e medidas cautelares que limitam a comunicação.
Outro ponto destacado refere-se à colaboração premiada no contexto dos atos de 8 de janeiro. A OAB-PR questiona sua legalidade, citando ausência de espontaneidade, múltiplas versões prestadas e a pressão do contexto de prisão preventiva, fatores que comprometem a credibilidade das declarações.
Também há críticas à instabilidade gerada pelas oscilações sobre foro privilegiado, ao uso de decisões monocráticas e a julgamentos em plenário virtual, considerados prejudiciais à transparência e à oralidade.
Em tom de alerta, a OAB-PR conclama o STF a adotar autocrítica e autocontenção, lembrando que a legitimidade da Corte depende do respeito às garantias fundamentais e ao devido processo legal. O texto defende que não há democracia sem devido processo e que a justiça se legitima não apenas pelo resultado, mas pelo caminho percorrido.
Veja a íntegra do manifesto
A OAB-PR, fiel ao seu compromisso histórico e institucional de defesa intransigente da democracia, da Constituição e do Estado de Direito, bem como diante do atual e preocupante cenário social, político e jurídico do Brasil, apresenta a Carta do Paraná, fruto das conclusões do Congresso “Supremo Tribunal Federal: defesa da democracia e o necessário respeito ao devido processo legal”, ocorrido nos dias 6 e 7 de agosto de 2025, em Curitiba/PR.
Em um cenário marcado por acentuada polarização e tensões ideológicas, no qual até a soberania nacional é posta à prova diante de indevidas interferências externas, o Supremo Tribunal Federal assumiu protagonismo inédito, especialmente diante da responsabilidade de julgar fatos de extrema gravidade e com potencial de abalar o Estado Democrático de Direito.
Se é certo que a atuação da Suprema Corte deve ser reconhecida por seus méritos, é igualmente legítimo e necessário que aspectos de sua atividade jurisdicional sejam objeto de análise crítica e técnica. A Suprema Corte ocupa posição insubstituível na preservação do Estado Democrático de Direito, mas sua legitimidade decorre não apenas de sua autoridade institucional, como também da observância estrita às regras constitucionais, processuais e éticas. Defender o STF, como instituição, significa também exigir uma atuação transparente, colegiada e em estrito respeito ao devido processo legal. A construção e a preservação da democracia não são automáticas: resultam de uma atuação pautada pelo devido processo legal, com respeito aos direitos fundamentais e aos limites impostos pelo modelo republicano.
Nesse contexto, é fundamental que se faça uma análise técnica e desprovida de paixões sobre sua atuação recente, sobretudo nos procedimentos criminais posteriores ao “Inquérito das Fake News”, culminando nas ações penais que tratam dos gravíssimos fatos ocorridos em 8 de janeiro de 2023.
A partir dos debates realizados no mencionado evento, o Conselho Estadual da OAB-PR aprova e torna públicas as seguintes conclusões:
A partir das reflexões e conclusões apresentadas nesta Carta, fruto do intenso debate realizado em pioneiro congresso que se debruçou sobre o tema de maior preocupação hoje em nosso país, a OAB/PR reafirma sua confiança na capacidade institucional do Supremo Tribunal Federal de evoluir no sentido de fortalecer o Estado Democrático de Direito, preservando-o por intermédio de atuação firme, independente e justa. Da mesma forma, espera do STF autocrítica e autocontenção para evitar desvios autoritários e violações ao devido processo legal.
A OAB-PR reafirma que apoiar o Supremo Tribunal Federal como pilar da democracia não significa endossar todas as suas práticas ou decisões. A lealdade às instituições se demonstra na vigilância crítica e na cobrança firme para que atuem dentro dos limites constitucionais.
A melhor resposta a qualquer ameaça ao Estado Democrático de Direito não é a mitigação seletiva de garantias; pelo contrário: é nesse cenário que cresce a necessidade de respeito a esse conjunto de garantias próprias do devido processo legal. É nas crises que mais se exige o respeito às regras, pois a justiça se legitima não apenas pelo resultado, mas pelo caminho percorrido.
Para os próximos capítulos desta história, esperamos um Supremo Tribunal Federal que demonstre um compromisso renovado com o respeito aos princípios fundamentais do sistema de justiça criminal — devido processo legal, imparcialidade, legalidade, contraditório e ampla defesa — e que veja na advocacia o caminho legítimo (e único) para a efetivação da justiça, jamais um obstáculo a ser superado.
Defender a democracia é tarefa contínua, que exige coragem para apontar erros, firmeza para exigir correção e compromisso para preservar as garantias que sustentam a liberdade de todos.
Não há democracia sem devido processo legal, nem justiça sem a voz livre da advocacia. Que esta Carta se inscreva na história como testemunho firme e inequívoco de que a OAB-PR esteve, está e estará na trincheira da Constituição, da democracia e das liberdades fundamentais, em qualquer tempo e contra qualquer arbítrio.
Curitiba, 15 de agosto de 2025.

Descrição Jornalista
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