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Ciência 06/01/2026 12:16

O que revelou a observação mais longa até hoje de região ativa do Sol

O que revelou a observação mais longa até hoje de região ativa do Sol

Astrônomos registraram a observação contínua mais longa já feita de uma única região ativa do Sol.

A área NOAA 13664 foi monitorada durante 94 dias, a partir da combinação de dados da sonda europeia Solar Orbiter, da Agência Espacial Europeia (ESA), e do observatório Solar Dynamics Observatory (SDO), da NASA.

O acompanhamento permitiu descrever desde o surgimento até o declínio dessa área ativa entre abril e julho de 2024.

Segundo os cientistas envolvidos no estudo, observar três rotações completas do Sol e acompanhar, praticamente sem interrupções, a evolução do campo magnético dessa região representa um marco para a física solar.

Observação do lado oculto do Sol

O Sol leva cerca de 28 dias para completar uma rotação. Da Terra, cada região ativa permanece visível por aproximadamente duas semanas e, em seguida, desaparece no lado oculto. A Solar Orbiter, lançada em 2020, ampliou esse limite ao permitir a observação do hemisfério não visível a partir do nosso planeta.

Foi assim que os pesquisadores conseguiram acompanhar a NOAA 13664 quando ainda estava no lado oculto. Em maio de 2024, a região tornou-se visível da Terra e esteve associada às tempestades geomagnéticas mais intensas desde 2003, responsáveis por auroras registradas em diversas latitudes incomuns no Hemisfério Norte.

Tempestades solares e impactos na Terra

As regiões ativas solares concentram campos magnéticos fortes e complexos, que podem provocar erupções conhecidas como flares e ejeções de massa coronal. Esses eventos liberam radiação e partículas de alta energia capazes de interferir em sistemas tecnológicos na Terra e na órbita.

Entre os possíveis efeitos estão falhas em comunicação por satélite, interrupções de energia, danos a satélites e aumento de radiação para tripulações aéreas.

“Até mesmo os sinais nas linhas férreas podem ser afetados e mudar de vermelho para verde ou vice-versa”, diz Louise Harra, professora da ETH Zurich e diretora do Observatório Meteorológico Físico de Davos, em comunicado. “Isso é realmente assustador.”

O tufão magnético associado à região NOAA 13664 também causou problemas em maio de 2024. “A agricultura digital moderna foi particularmente afetada”, afirma a pesquisadora. “Os sinais de satélites, drones e sensores foram interrompidos, fazendo com que os agricultores perdessem dias de trabalho e levando a quebras de safra com consideráveis prejuízos econômicos.”

Os dados também mostraram que, ao longo de três rotações solares, o campo magnético da NOAA 13664 tornou-se progressivamente mais complexo. Em 20 de maio de 2024, essa região esteve associada à erupção mais intensa das últimas duas décadas, registrada no lado oculto do Sol.

Clima espacial e novas missões

Os cientistas afirmam que as observações ajudam a aprimorar as previsões de clima espacial, área estratégica para a proteção de infraestrutura tecnológica dependente de satélites e redes elétricas.

“Quando vemos uma região no Sol com um campo magnético extremamente complexo, podemos presumir que há uma grande quantidade de energia ali que terá que ser liberada na forma de tempestades solares”, explica Louise Harra.

Hoje já é possível identificar regiões com elevado acúmulo de energia magnética, mas a intensidade e o momento exato das erupções ainda não podem ser previstos com precisão.

Para avançar nesse tipo de monitoramento, a ESA prepara a missão Vigil, prevista para 2031, que terá como foco principal o acompanhamento contínuo da atividade solar e seus efeitos no ambiente espacial próximo à Terra.

Deu em Galileu

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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