Economia 05/04/2025 12:28
O país do carrinho vazio: 81% dos brasileiros dizem que perderam poder de compra no governo Lula

Enquanto o governo federal insiste em narrativas de estabilidade e recuperação, o brasileiro sente no bolso uma realidade bem diferente.
De acordo com a pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (2), 81% dos brasileiros afirmam que perderam poder de compra nos últimos 12 meses.
Em outras palavras: os salários não acompanham os preços e o consumo básico virou desafio cotidiano.
O levantamento, que ouviu 2.004 pessoas em 120 municípios entre os dias 27 e 31 de março, evidencia um descompasso entre o discurso oficial e a realidade do cidadão comum. Segundo o instituto, a maioria da população está comprando menos, pagando mais e culpando o governo federal pela situação.
A sensação de empobrecimento é nítida e não se trata de um conceito técnico de inflação. Trata-se de uma percepção concreta de que, com o mesmo dinheiro, leva-se menos comida para casa.
Quando 8 em cada 10 brasileiros afirmam que o poder de compra caiu, não é “sensação térmica” — é empobrecimento prático.
A pesquisa também revelou outros dados que complementam o quadro de insatisfação:
A combinação desses fatores reflete uma realidade de insegurança econômica em que as famílias lutam para manter padrões mínimos de consumo, especialmente na alimentação.
Com o avanço do descontentamento, 56% dos brasileiros avaliam que a economia piorou, mesmo percentual dos que reprovam a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A crítica, antes concentrada nas regiões Sudeste e Sul, chega agora ao Nordeste, onde a desaprovação subiu 9 pontos percentuais — um sinal de desgaste até mesmo nos redutos históricos do PT.
Além da percepção negativa sobre a economia, os entrevistados também fizeram comparações com gestões anteriores:
Esses números sugerem um cenário de frustração com as promessas não cumpridas e uma queda de expectativa em relação à capacidade do atual governo de reverter o quadro econômico.
Para a maioria da população, a economia não se mede pelo PIB ou taxa Selic, mas sim pelo carrinho de compras. E quando o feijão vira item de luxo e a carne some da mesa, nenhum anúncio de programa social ou antecipação de 13º salário é capaz de reverter a percepção de perda.
A economia, para o brasileiro comum, é aquilo que cabe no carrinho do mercado — e hoje, cabe menos. Muito menos.
Deu em ContraFatos

Descrição Jornalista
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