Namorada do chefe da PF recebeu valores milionários de empresa ligada a Vorcaro - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Corrupção 28/06/2026 10:30

Namorada do chefe da PF recebeu valores milionários de empresa ligada a Vorcaro

Namorada do chefe da PF recebeu valores milionários de empresa ligada a Vorcaro

Jornalista Renata Varandas mantém vínculos financeiros com a Ambipar, multinacional sob investigação e com contratos bilionários junto ao governo Lula

Contratos públicos no valor de quase meio bilhão de reais, vínculos empresariais ocultos e uma relação afetiva com o chefe da Polícia Federal formam o centro de uma nova polêmica envolvendo a jornalista , apresentadora do Poder em Foco no SBT News.

A reportagem, veiculada pela Gazeta do Paraná, revela que ela recebeu valores milionários da Ambipar, multinacional que figura em investigações de corrupção relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro.

Relação com o diretor-geral da PF e histórico profissional

Renata Varandas é namorada do diretor-geral da Polícia FederalAndrei Rodrigues. Além de jornalista e apresentadora, ela atua como sócia de um escritório de lobby sediado em Brasília. Seu histórico inclui uma demissão da TV Record, motivada justamente por ter misturado  com interesses financeiros.

Fontes dentro da PF relatam que Andrei estaria adotando conduta semelhante à de Alexandre de Moraes com sua esposa, Viviane Barci, que firmou um contrato de R$ 129 milhões em serviços advocatícios para o Master — valor considerado muito acima da média praticada no mercado.

Vínculos expostos e depois apagados nas redes sociais

A conexão entre Renata e a Ambipar era visível publicamente: a jornalista exibia o nome da empresa como vínculo profissional em seu perfil no Instagram. No entanto, após o início das apurações jornalísticas sobre o caso, a menção à companhia foi removida da biografia da rede social.

SBT News, por sua vez, não informou ao público sobre nenhum dos vínculos profissionais ou pessoais mantidos pela apresentadora de seu programa político.

Contratos milionários da Ambipar com o governo federal

Em 2024, a Ambipar celebrou cinco contratos com o governo federal que totalizam R$ 480,9 milhões, destinados a serviços em terras indígenas. Um detalhe relevante é que três desses contratos foram firmados sem processo licitatório. A PF, comandada pelo namorado de Renata, é responsável pela segurança nessas mesmas regiões onde a empresa opera.

O maior desses contratos, avaliado em R$ 269,7 milhões, foi assinado com a Funai em dezembro de 2024.

Ambipar assumiu a prestação de serviços após a empresa originalmente classificada em primeiro lugar na  ter sido desclassificada. Coincidência ou não, na mesma época — em 21 de dezembro — Renata Varandas estreou seu programa semanal no SBT News.

Encontro entre Andrei Rodrigues e Daniel Vorcaro em Londres

Oito meses antes do contrato com a Funai, o diretor da PFAndrei Rodrigues, participou de um evento em Londres ao lado de Daniel Vorcaro.

A ocasião custou 640 mil dólares — aproximadamente R$ 3,2 milhões na cotação da época — e as despesas foram bancadas por Vorcaro. O Banco Master, de propriedade do empresário, é alvo de investigação por suposta manipulação de ações da Ambipar.

Recuperação judicial e insolvência da Ambipar

Em outubro de 2025, a Ambipar recorreu à recuperação judicial, declarando dívidas de R$ 10,5 bilhões. A empresa já se encontrava tecnicamente insolvente enquanto continuava recebendo recursos públicos e mantendo contratos ativos com o governo federal — três deles obtidos por meio de dispensa de licitação.

Investigação da CVM e manipulação de ações

CVM (Comissão de Valores Mobiliários) investiga a Ambipar por suposta manipulação coordenada de ações em parceria com o Banco Master. Conforme relatório técnico, os dois grupos teriam atuado conjuntamente para inflar artificialmente as cotações da empresa. As ações da Ambipar registraram uma valorização extraordinária de 863% entre junho e agosto de 2024.

STF restringe acesso de Andrei Rodrigues ao inquérito

O ministro do STF André Mendonça, que assumiu a relatoria do caso Master, tomou uma medida incomum: restringiu o acesso do diretor-geral da PF às investigações do inquérito. A decisão proíbe que  compartilhem dados sigilosos com Andrei Rodrigues, em um contexto de crescente desconfiança entre o  e a cúpula da Polícia Federal.

Essa restrição foi adotada depois que o diretor da PF entregou um relatório contendo menções ao ministro Dias Toffoli, encontradas no celular de VorcaroToffoli era o relator anterior do caso, mas se declarou impedido após virem à tona informações de que sua empresa havia vendido parte de um resort para um fundo vinculado ao Banco Master.

Deu em ContraFatos

Ricardo Rosado de Holanda
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