Consumidor 25/08/2025 12:58
Manual do proprietário virou um quase indecifrável calhamaço. Já tentou ler?

antas foram as novas tecnologias embarcadas no automóvel que o manual de instruções tornou-se um calhamaço. As fábricas chegam a publicá-lo pelo sistema digital para ser acessado pela tela.
O resultado é que poucos se animam a decifrá-lo. E, quando o fazem, permanecem com muitas dúvidas. Entenda alguns pontos:
Dizem os manuais que a troca do óleo do motor deve ser feita, em geral, aos 10 mil km ou doze meses, o que vencer primeiro. Salvo quando o veículo é utilizado sob condições “severas”.
Neste caso, a frequência aumenta para seis meses ou 5 mil km. A meu ver, a fábrica deveria inverter: troca aos 5 mil km ou seis meses, salvo quando o veículo não rodar nas tais condições. Pois o motorista imagina que “severas” é andar sempre com peso no limite (ou além), puxando reboque ou na terra/lama.
Mas não é nada disso: é como roda a maioria, que sai de casa de manhã e roda alguns quilômetros até o trabalho. E só liga o motor novamente ao voltar para o almoço ou à noite.
O óleo do motor permanece frio e é contaminado pelo combustível. O que justifica sua troca num prazo mais curto. Alguns manuais nem explicam o que vem a ser “condições severas”, outros a explicam de modo quase incompreensível.
Combustível no Brasil é uma fonte de mal entendidos. Raros manuais explicam corretamente quais são e quais os mais adequados para cada modelo.
A octanagem, por exemplo, ou capacidade de resistir à compressão, alguns a mencionam pelo sistema RON, que passou recentemente a ser adotado no Brasil.
No entando, os manuais traduzidos de carros europeus, asiáticos ou norte-americanos costumam manter o padrão do país de origem do automóvel.
E outras barbaridades: num manual em português (brasileiro) da Mercedes Benz, de um carro “fabricado” em Iracemápolis (SP), consta com todas as letras que o teor máximo de etanol permitido na gasolina é de 10%, quando no Brasil ele já estava a 27%.
Alguns manuais sugerem apenas o óleo da marca “parceira”, outros mencionam também as características básicas, permitindo o uso dos concorrentes. Na Alemanha, a Mercedes-Benz foi processada pelo sindicato dos produtores de lubrificantes pois exigia o uso de um óleo específico nos motores, sob risco de se perder a garantia.
Pode-se abastecer com qualquer dos dois combustíveis se o carro é flex? Sim, mas não convém passar meses usando apenas um deles. Algumas fábricas recomendam alternar entre etanol e gasolina. Outras sequer se manifestam.
Sujeito a chuvas e trovoadas, alguns são “life-time” e não pedem troca. Outros sugerem a substituição em elevadas quilometragens. É tão contraditório que duas marcas presentes no Brasil usam o mesmo câmbio (CVT). Uma recomenda a troca, outra diz não ser necessário…
Todas as fábricas sugerem trocar rodas e pneus de posição ao atingir determinada quilometragem (em geral, cada 10 mil km). Muitas explicam superficialmente como fazê-lo.
Outras capricham um pouco mais. Nenhuma se dedica a detalhes como a possiblidade de incluir o estepe na operação. Recomendam também o alinhamento da direção, o que poderia ser defensável. Mas também o balanceamento das rodas. Como assim?
Elas por acaso se desbalanceam ao trocar de posição no carro?
Nenhuma fábrica deixa claro se se deve utilizar gasolina aditivada. Aliás, não deixam de ter razão ao recomendar a comum, pois a aditivação não é padronizada nem fiscalizada.
Também não se sabe se o etanol merece aditivos, pois é assunto nebuloso. Exceto para as fábricas que objetivamente não recomendam nenhum aditivo no tanque. Será que estão corretas?
Controvérsia eterna! Há um consenso entre as engenharias das fábricas ser normal um consumo de um litro cada 5 mil km, nos motores modernos.
Em alguns, o consumo é maior. Então, para evitar aborrecimentos nas concessionárias e na própria fábrica, e na maior cara de pau, alguns manuais informam ser normal a queima de ½ litro de óleo cada 1 mil km.

Descrição Jornalista
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