Futebol 24/06/2026 08:09
Justiça afasta Pedrinho do Vasco e determina intervenção na gestão

O presidente Pedrinho foi oficialmente afastado de suas funções na Vasco SAF. Em decisão proferida pela 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, a juíza Caroline Fonseca atendeu a um pedido de tutela formulado pela 777 Carioca.
A medida liminar teve como base fundamental as constatações alarmantes apresentadas pelo Conselho Fiscal da SAF. Com a determinação judicial, o mandatário do clube associativo perde de forma imediata o seu poder diretivo sobre a empresa que gere o futebol.
Além de Pedrinho, os conselheiros Christiano Stockler Campos e Felipe Elias também foram estão fora do Conselho de Administração da SAF. Desse modo, para assumir o controle da transição, a advogada e ex-diretora jurídica da CBF, Samantha Longo, foi nomeada como interventora judicial do processo.
Em suma, a nova gestora terá a responsabilidade de reorganizar os bastidores administrativos e reestabelecer o fluxo institucional da companhia nos próximos meses.
Aliás, o documento detalha as obrigações urgentes que a interventora precisará cumprir perante o Poder Judiciário.
“Samantha vira a gestora e precisa adotar, no prazo de 60 dias, as providências necessárias ao restabelecimento da regularidade dos processos de governança, da transparência, da prestação de contas e da circulação de informações entre os órgãos sociais da Companhia, devendo apresentar relatórios a cada 15 (quinze) dias para supervisão deste Juízo”, aponta a decisão.
A princípio, a magistrada Caroline Fonseca sustentou que o parecer emitido pelo Conselho Fiscal da SAF, publicado no último balanço financeiro relativo ao exercício de 2025, identificou problemas estruturais profundos na gestão.
O texto aponta a existência de “falhas graves” de governança corporativa, deficiência crônica nos controles internos e severas limitações impostas ao exercício das atividades de fiscalização, além da falta de aprovação formal em atos societários de extrema relevância.
O estopim para a intervenção ganhou força com a revelação de práticas coercitivas nos bastidores do departamento de futebol
“Em sua fundamentação, informa que o recente parecer emitido pelo Conselho Fiscal da SAF em 30/04/2026, no que tange às demonstrações financeiras relativas ao exercício de 2025, identificou graves falhas de governança corporativa, deficiência de controles internos, limitações ao exercício da atividade fiscalizatória, ausência de aprovação formal de atos societários relevantes. Diante da informação do Conselho Fiscal sobre práticas coercitivas na contratação de atletas, esta Magistrada, no exercício do poder geral de cautela, realizou breve busca na internet e constatou denúncia grave do atleta Jean David, realizada no dia 30/01/2026, acerca da exigência de pagamento de comissão a terceiros sob ameaça de não participação”, citou a juíza no despacho.
O atacante chileno Jean David, que teve uma passagem apagada por São Januário e deixou a equipe ao final da temporada de 2025, expôs publicamente os bastidores conturbados que enfrentou no Rio de Janeiro. Em seu forte relato, o jogador associou o rendimento ruim em campo e o histórico recente de sofrimento do clube à práticas escusas.
“Aconteceram algumas coisas e percebi que pessoas dos dois clubes (Toluca e Vasco) estavam envolvidas. Outros jogadores do Vasco me disseram a mesma coisa: eles foram ameaçados de que, se não pagassem a comissão, não jogariam. Talvez seja por isso que o Vasco lute contra o rebaixamento há tanto tempo”, disparou o atacante, que emendou na sequência:
“É uma longa história. Quando eu jogava no Toluca, tive opções para ir para outro clube no México. Mas a diretoria não queria que eu reforçasse outro time no mesmo país, e meu salário era muito alto para uma renovação. Então surgiu a proposta do Vasco. Mas o único obstáculo era que outra pessoa, que não fosse meu agente, precisava me levar até lá. Pediram para eu não me envolver nas negociações por causa da comissão e tudo mais.
Eu disse que tudo bem, sem problemas, que conversaria com meu agente, que disse não ter problema nenhum, mas que queria revisar os contratos para garantir que não havia nada suspeito. Fui até lá, disse quanto eu queria ganhar. Até então, tudo estava em ordem. Dois meses depois de chegar ao Rio de Janeiro, essa pessoa que me levou até lá entrou em contato comigo e disse:
‘Ei, sabe de uma coisa? Agora você tem que pagar uma comissão.’ Eu disse: ‘Comissão por quê? Que história é essa? Como funciona?”
Por fim, a diretoria do Vasco chegou a vir a público e negou veementemente a existência de qualquer tipo de irregularidade em seus processos de mercado.
Além disso, informou que abriu uma investigação interna rigorosa para apurar a fundo as declarações do chileno. O caso agora segue sob a fiscalização quinzenal da Justiça do Rio de Janeiro.
Deu em Correio Braziliense

Descrição Jornalista
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