FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
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Impostos 20/10/2023 08:55

Governo quer arrecadar mais R$ 700 milhões com ICMS em 20%

O dado foi apresentado pelo Secretário Estadual da Fazenda (Sefaz/RN), Carlos Eduardo Xavier, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (19).

Governo quer arrecadar mais R$ 700 milhões com ICMS em 20%

Com a proposta de manter a alíquota do Imposto de Circulação Sobre Mercadorias e Serviços (ICMS) em 20% no próximo ano, o Governo do Rio Grande do Norte estima arrecadar R$ 700 milhões a mais, comparando-se ao cenário em que o imposto voltaria aos 18%.

O dado foi apresentado pelo Secretário Estadual da Fazenda (Sefaz/RN), Carlos Eduardo Xavier, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (19).

É o mesmo valor da perda de receita de ICMS prevista, caso os deputados estaduais rejeitem o projeto de lei que mantém a alíquota em 20% e que foi encaminhado nesta semana pela governadora Fátima Bezerra à Assembleia Legislativa.

O aumento em dois pontos percentuais foi aprovado no final de 2022 pelos parlamentares e passou a vigorar a partir do dia 1º de abril de 2023, com duração até 31 de dezembro, devendo retornar aos 18% em janeiro de 2024.

Isso contribuiu com o aumento das receitas neste ano, mas Xavier, aponta que outras medidas foram adotadas.

“A gente trabalhou no ano passado com algo na ordem R$ 900 milhões (a mais para 2023), passando de 18% para 20%. Temos um bom resultado do ponto de vista de receitas, graças a essa alíquota, mas também a outras ações que fizemos, como abertura de postos fiscais, desenvolvimento do refinanciamento de débito”, disse.

Já para 2024, ele indica que o retorno aos 18% deve gerar uma perda R$ 700 milhões na arrecadação, ou seja, o mesmo valor que será arrecadado com a aprovação do projeto. “Estamos estimando algo em torno de 700 milhões (de perdas) em 2024, sendo que 25% são dos municípios e 15% do Fundeb. São perdas estimadas que dialogam diretamente com a prestação de serviços essenciais, como saúde, educação, segurança”, pontuou.

Nominalmente, os municípios deixariam de receber R$ 175 milhões e a parte destinada ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) representa R$ 105 milhões. Por isso, o titular da Sefaz afirma que o estado pode entrar em colapso financeiro.

“A perda dos dois pontos percentuais pode trazer o colapso financeiro para o estado e, conseqüentemente, para os municípios”, frisou o secretário.

A justificativa é de manter a competitividade com estados vizinhos, como Ceará e Paraíba, que aumentaram suas alíquotas para 20%, assim como a Pernambuco que tenta elevar a sua para o mesmo patamar.

Carlos Eduardo argumenta ainda que não haverá impacto na inflação, visto que a proposta não é aumentar a carga tributária, mas manter a que já é praticada.

“Essa alíquota era para ser 22,4%, mas a gente acredita que mantendo em 20% dará segurança fiscal e não terá impacto grande na economia do estado. Então, não há que se falar em impacto na inflação porque não há aumento da carga tributária”, acrescenta.

Neste sentido, o Governo quer sensibilizar os deputados a repetirem o que já ocorreu no final do ano passado com o aumento do imposto, porém, enfrenta resistência da bancada da oposição e do bloco independente que se manifestaram contra a manutenção da alíquota no patamar atual.

Some-se a isso protesto do setor produtivo que alega haver o comprometimento no planejamento das empresas. As lideranças do comércio, por exemplo, afirmam que terão que ajustar o número de novas contratações e preços de mercadorias e reclamam que a credibilidade e o diálogo com o governo ficam prejudicados.

“Estamos buscando o equilíbrio financeiro no âmbito do estado e dos 167 municípios para o futuro porque a reforma tributária vai definir distribuição de receitas nos próximos 50 anos e considera a receita media de 2024 a 2028, por isso não podemos reduzir”, alega o secretário.

Quanto à compensação da União pelas perdas ocasionadas pela Lei Complementar federal nº 194/2022, que reduziu o ICMS dos combustíveis, gás natural, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo, ele diz que se refere somente a 2022 e de forma parcial.

“O Consefaz apontou perdas de R$ 45 bilhões e foram pactuados cerca de R$ 22 bilhões. No RN as perdas foram de R$ 430 milhões ao longo do segundo semestre de 2022 e a gente continua e continuaremos sofrendo o impacto. Por isso, a necessidade de manter a alíquota em 20%”, frisou.

Receita de agosto supera meses de 2022 e 2023

O recorde no aumento das receitas do Estado nesse ano é um dos pontos que coloca em xeque a proposta de manter a alíquota do ICMS em 20%.

De acordo com os dados do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), apesar da receita de agosto ter sido R$ 12,5 milhões inferior ao mês anterior, o valor arrecadado supera os outros meses de 2022 e de 2023, inclusive, o acumulado nos dois primeiros quadrimestres de 2023 é quase 11% maior em relação ao mesmo recorte de 2022, numa diferença positiva de R$ 52,7 milhões.

“A gente tem trabalhado com o crescimento de arrecadação para que acompanhe o crescimento de gastos e esperamos que em 2024 a gente consiga caminhar para o equilíbrio fiscal. Do ponto de vista fiscal é uma necessidade que está posta”, diz o secretário da Sefaz/RN, Carlos Eduardo Xavier.

Além disso, relembra que o Estado aderiu ao Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF) do Governo Federal, se comprometendo a reduzir gastos, especialmente com pessoal nos próximos dez anos.

Já sobre reajustes, como a promoção vertical que foi concedida aos professores, gerando uma despesa de R$ 10 milhões por mês, o secretário diz que o Governo não tem como deixar de conceder direitos que estão previstos em lei e que podem ser judicializados gerando danos maiores.

“Trabalhamos com um cenário de menor crescimento possível de despesas, mas o Governo não pode deixar de conceder alguns direitos previstos na lei dos servidores”, explicou.

Deu em Tribuna do Norte

Cláudio Oliveira
Repórter

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista