Curiosidades 25/01/2026 14:42
Favor permanecer vivo’: a lei inusitada que proíbe mortes em fins de semana em cidade espanhola

À primeira vista, Lanjaron, no sul da Espanha, pode parecer uma cidade comum, onde seus moradores vivem tranquilamente entre montanhas, fontes termais e ruas estreitas de aparência medieval. Mas um pequeno detalhe faz com que ela chame atenção desde 1999.
O motivo?
Foi aprovada, naquele ano, uma lei municipal bizarra que proíbe as pessoas de morrerem na região aos fins de semana.
Criado pelo então prefeito José Rubio, o decreto que mais parece uma piada de mau gosto, surgiu como resposta a um problema real. Acontece que naquela época o cemitério local se encontrava superlotado, não havendo sequer espaço disponível para novos sepultamentos. Assim, enquanto a prefeitura procurava um novo terreno, Rubio decidiu, de maneira bem-humorada, criar o texto em questão.
De acordo com o portal O Globo, o decreto recomendava que os cerca de 4.000 habitantes da cidade “cuidassem da saúde” com o máximo de zelo, a fim de evitar a morte até que o município resolvesse a situação. E não se tratava de um simples aviso. A medida era incisiva ao dizer: “Fica proibido morrer em Lanjaron.”
Não se sabe ao certo se o novo cemitério chegou a ser construído. No entanto, o episódio envolvendo a lei marcou profundamente Lanjaron. A cidade é conhecida por suas fontes naturais de água mineral, em especial a da Fonte Salud, que, há séculos, é engarrafada e vendida. O local também atrai atenção de visitantes por seus banhos termais e pela proximidade com a serra da Sierra Nevada.
A lei, que ganhou repercussão na imprensa internacional na época, foi recebida com bom humor pelos moradores. O próprio prefeito chegou a declarar, em entrevista ao Deseret News, que “todos encararam o decreto com senso de humor e muita vontade de obedecer”.
Apesar da criatividade, Lanjaron não foi a única localidade a utilizar-se da legislação para proibir a morte. No ano de 2008, foi a vez do vilarejo francês de Sarpourenx, onde o então prefeito Gérard Lalanne publicou um decreto que determinou que ninguém poderia morrer sem antes possuir vaga no cemitério.
Aqui, assim como no caso da cidade espanhola, também houve o problema da superlotação. Diz a fonte que a ordem incluía até mesmo uma ameaça de “punição severa” para os infratores. É claro que tudo não passou de uma grande brincadeira.
Também no Brasil, observou-se situação parecida, na cidade de Biritiba Mirim, interior de São Paulo. Nesse caso, porém, a medida foi tomada como forma de protesto.
O objetivo, segundo o então prefeito Roberto Pereira da Silva, era alertar o Governo do Estado e órgãos ambientais acerca da urgência de se liberar a licença de um novo cemitério.
A proposta, apesar de simbólica, acabou se tornando viral, circulando em diversos jornais ao redor do mundo.

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