Saúde 26/03/2020 09:06
Existem 4 tipos de quarentena no mundo. Qual o Brasil deve escolher?
No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro é contra o “confinamento em massa”, sob o argumento de que a gravidade da doença para a sociedade como um todo não justifica medidas com tamanho impacto econômico.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro é contra o “confinamento em massa”, sob o argumento de que a gravidade da doença para a sociedade como um todo não justifica medidas com tamanho impacto econômico.
O Estado de São Paulo e a cidade do Rio de Janeiro, porém, adotaram medidas como o fechamento de escolas e estabelecimentos considerados não essenciais, mas não há restrições à circulação de pessoas – apenas uma recomendação para que fiquem em casa se puderem.
Se por um lado essas quarentenas ganham força ao redor do mundo, por outro a primeira cidade a adotar algo do tipo (a chinesa Wuhan, onde surgiu o surto em dezembro) deixa o isolamento nesta semana, depois que o surgimento de novos casos foi considerado controlado.
Veja quatro tipos de quarentena abaixo.
Dois dos 10 países com mais casos e mortes, Itália e França decidiram adotar medidas duras de distanciamento social, em patamar semelhante ao adotado na China. Nesses dois países europeus em estado de emergência, as pessoas só podem sair de casa quando for essencial.
Não há eventos públicos, aulas, bares nem restaurantes funcionando.
As fronteiras estão fechadas.
Na França, quem não puder justificar o deslocamento está sujeito à multa de 135 euros (R$ 746). Mais de 100 mil policiais serão mobilizados para controles nas ruas, segundo o Ministério do Interior.
Desde o início da quarentena, na terça-feira, a polícia francesa já aplicou quase 92 mil multas por deslocamentos não autorizados.
Na Itália, onde a situação é mais grave e quase 7.000 pessoas morreram, há cidades onde as pessoas estão proibidas de deixar suas casas.
A proibição da circulação de pessoas durante a noite tem sido adotada por países de diversas regiões, como Chile, Romênia, Egito e Arábia Saudita.
Como outros, o governo chileno tem aumentado o rigor de sua estratégia à medida que o número de casos avança (o país tem 922 casos registrados e 2 mortes). Mas quis evitar adotar de imediato uma quarentena no país inteiro, como a vizinha Argentina (que tem 387 casos e 7 mortes).
A implementação de medidas restritivas tem causado reação de classes profissionais, empresários e especialistas, principalmente de trabalhadores autônomos.
Na Bolívia, o toque de recolher noturno gerou protestos de profissionais do sexo. Lily Cortes, representante do sindicato boliviano da categoria, afirmou à agência Reuters que “se os estabelecimentos legalizados não funcionarem, infelizmente as profissionais precisarão sair às ruas e o resultado vai ser pior”.
Segundo levantamento da Unesco (braço da ONU para a cultura), ao menos 157 países adotaram o fechamento de escolas como medida para tentar conter o avanço da doença.
A ideia é parte do esforço para evitar aglomeração de pessoas e, além disso, evitar que as crianças e adolescentes transmitam o vírus a integrantes mais idosos das famílias.
Há dois grandes argumentos em circulação contra esse tipo de medida. O primeiro é que os dados disponíveis até agora indicam que as crianças não são afetadas gravemente pela doença, e a Organização Mundial da Saúde afirma que não houve casos em que a criança era a primeira a apresentar sintomas numa família.
O segundo é que tirar crianças das escolas afeta diretamente a economia e a capacidade do sistema de saúde. Em geral, pelo menos um dos responsáveis precisa passar a ficar em casa para cuidar das crianças, mesmo porque grande parte dos avós, que costumam absorver essa tarefa, está isolada por ser um dos grupos de risco do novo coronavírus.
Assim, essa medida também tem o potencial de deixar parte dos profissionais de saúde em casa. Para evitar isso, países como o Reino Unido elencaram os chamados “trabalhadores-chaves”, grupos de profissionais selecionados pelo governo que têm o direito de levar seus filhos para a escola.
Essa estratégia é a mais incomum e controversa. Inicialmente, o governo do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, defendia a ideia de “imunidade de grupo”, também chamada de “efeito rebanho”.
De acordo com esse conceito, aqueles que estão em risco de infecção podem ser protegidos porque estão cercados por pessoas que se tornam resistentes à doença em geral por meio de vacinação ou de contraírem o patógeno e criarem imunidade contra eles.
Segundo especialistas, para que essa estratégia de deixar as pessoas se infectarem dê certo até o coronavírus parar de circular com força, ao menos 60% da população que está fora do grupo de risco precisaria contrair o vírus.
Mas o risco de sobrecarregar o sistema de saúde e causar a morte de milhares de pessoas (que poderiam precisar de respiradores para auxiliar os pulmões, por exemplo) fez o governo britânico mudar de estratégia. Agora o país recomenda que ninguém saía às ruas se não houver necessidade clara.
Chegou a circular na imprensa que a Holanda adotaria essa estratégia, mas o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, disse que houve um mal entendido e que o objetivo do país é achatar a curva de contágio, ou seja, garantir o menor número possível de infectados ao mesmo tempo para evitar a sobrecarga do sistema de saúde. E, ao longo desse achatamento, a imunidade de grupo seria alcançada “naturalmente”, segundo ele.
Deu na BBC

Descrição Jornalista
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