Prever o vencedor de uma Copa do Mundo pode parecer uma questão de intuição. Mas a ciência tenta fazer isso de um jeito diferente: usando estatística e milhares de simulações feitas por computador.
Para o torcedor brasileiro, porém, os resultados podem não ser exatamente os esperados.
Um grupo de estatísticos de diferentes universidades da Europa rodou 100 mil simulações do torneio completo, recriando a competição inúmeras vezes para entender quais seleções têm mais chances de conquistar o título e como essas probabilidades lidam com a incerteza do futebol.
A ideia não é prever exatamente quem será campeão, mas usar estatística para calcular as chances de cada seleção.
Em vez de uma única Copa do Mundo real, o computador cria milhares de versões alternativas dela. Em cada uma delas, o caminho das equipes muda: em algumas simulações, os favoritos avançam como esperado, já em outras, resultados inesperados acontecem e seleções menos prováveis vão mais longe.
No fim, o resultado não aponta um único vencedor, mas mostra quais equipes têm mais chances de chegar ao título.
Esse tipo de modelo não é novo e já foi testado em Copas anteriores. Segundo os pesquisadores, na Copa do Mundo Feminina de 2019 o sistema acertou a previsão de vitória dos Estados Unidos. Já nas Copas de 2022 e 2023, os campeões, Argentina e Espanha, não eram os favoritos do modelo, mas apareciam entre os candidatos mais fortes ao título.
Os resultados para a Copa de 2026 apontam a Espanha como a principal favorita ao título, com 14,5% de chance de título. Logo atrás aparecem Inglaterra e França, ambas com 12,4%, seguidas pela Alemanha, com 11,2%. Portugal (8,9%), Argentina (8,2%) e Holanda (5,6%) também estão entre os candidatos mais fortes ao título. O Brasil aparece apenas em 8º lugar, com 4,7%.
De acordo com os estatísticos, o formato ampliado da competição ajuda a explicar por que o grupo de favoritos aparece tão equilibrado. Nesta edição, que conta com 48 equipes e cinco fases eliminatórias, seis seleções têm probabilidades relativamente próximas de conquistar o título.
Como funciona a previsão?
Como destaca o The Conversation, para construir esse tipo de previsão, os modelos usam dados de partidas das seleções nacionais nos últimos anos, junto com diferentes formas de medir a força de cada equipe.
Isso inclui o desempenho recente nos jogos e também estimativas baseadas em casas de apostas internacionais, que refletem expectativas de especialistas e do mercado.
O cálculo ainda considera informações individuais dos jogadores, como desempenho em clubes e seleções, participação em gols e valor de mercado estimado. Todos esses dados são reunidos em um modelo de aprendizado de máquina treinado com partidas de grandes torneios desde a Copa do Mundo de 2006, o que ajuda a relacionar essas variáveis aos resultados reais dos jogos.
A partir disso, cada partida é definida de forma probabilística, com base em chances calculadas pelo modelo. Repetindo esse processo milhares de vezes, o modelo consegue identificar quais seleções aparecem com mais frequência nas fases finais e quais raramente chegam lá.
Um dos pontos destacados pelas análises é que o futebol continua sendo muito instável, mesmo quando é estudado por computadores. Pequenas mudanças — como um gol inesperado, uma expulsão ou um erro de um jogador — podem alterar completamente o resultado de uma partida e, por consequência, de toda a simulação.
Por isso, mesmo as seleções mais fortes não aparecem como campeãs certas, mas sim como times com mais chances dentro de vários cenários possíveis.
O estatístico Achim Zeileis, da Universidade de Innsbruck, na Áustria, destacou que os resultados devem ser interpretados como probabilidades, não como previsões definitivas.
“Todas as nossas previsões são probabilísticas, claramente abaixo de 100%, e, portanto, de forma alguma certas”, escreveu, em seu próprio site Zeileis.org.
“Embora possamos quantificar essa incerteza em termos de probabilidades a partir de um multiverso de torneios potenciais, está longe de ser predeterminado qual desses torneios potenciais veremos durante o torneio em si.”
Deu em Galileu

