Eleitores temem ser hostilizados por motivação política - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
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Política 13/05/2026 12:34

Eleitores temem ser hostilizados por motivação política

Eleitores temem ser hostilizados por motivação política

Seis em cada 10 brasileiros afirmam ter medo de agressão física devido às posições políticas que têm.

É o que mostra a pesquisa Medo do Crime e Eleições 2026: Os Gatilhos da Insegurança, realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha. Divulgada ontem, a sondagem aponta para a continuação do ambiente de tensão semelhante ao da disputa presidencial de 2022.

No levantamento, 59,6% dos entrevistados disseram temer serem agredidos fisicamente pela escolha política ou partidária — em 2022 o índice era 68%.

Isso indica, segundo o Fórum, que há uma acomodação em patamar elevado do medo da violência. O contexto eleitoral de 2022 é descrito como “marcado por episódios de violência política, discursos de confronto e dúvidas lançadas sobre o próprio processo eleitoral”.

A pesquisa mostra que 2,2% dos entrevistados relataram ter sofrido violência política nos últimos 12 meses. Isso que corresponde a cerca de 3,6 milhões de brasileiros.

A pesquisa conclui que, para as eleições de outubro, a segurança pública não é apenas um tema de debate, mas o critério que reorganiza a vida, o consumo e a circulação do eleitor.
“A percepção de que certos territórios já operam sob regras próprias mostra que a insegurança não se resume ao risco de sofrer um delito, mas inclui a sensação de viver em contextos nos quais o poder de regular a vida local está em disputa entre o Estado e o crime”, sintetiza o estudo.

Crime organizado

Isso leva 77% das pessoas a classificar o crime organizado como um problema nacional. Daí porque a pesquisa aponta que o medo está relacionado à presença de facções e milícias.

Entre 41% dos entrevistados com 16 anos ou mais — cerca de 68,7 milhões de pessoas — que afirmaram viver em bairros onde há presença dessas organizações criminosas, 59,5% disseram evitar falar sobre política por medo de represálias.

“O crime organizado não atua apenas pelo uso direto da força, mas pela capacidade de induzir silêncio, autocensura e restrição da circulação. A vida social é sequestrada quando grupos armados passam a ditar as regras de quem pode entrar ou sair de determinados territórios”, observa a pesquisa, que acrescenta:

“Para o debate eleitoral de 2026, essa é uma implicação central: a segurança pública não pode ser apresentada apenas como promessa de confronto, mas como tarefa de recuperação das condições mínimas para que justiça, circulação e projeto de futuro deixem de ser condicionados pelo poder armado”.

Ainda segundo o levantamento, 96,2% da população (160,4 milhões de pessoas) declararam receio de ao menos uma situação de violência. Esse sentimento é manifestado pelo medo de golpes pela internet ou celular (83,2%), seguido pelo roubo à mão armada (82,3%) e pelo temor de morte durante um assalto (80,7%).

Tal situação forçou 57% da população a mudar de comportamento, incluindo a decisão de 33,5% dos cidadãos de deixarem de sair com o celular por medo de assaltos, índice que atinge 45,2% nas capitais.

“O medo do crime no Brasil contemporâneo funciona como um mecanismo que organiza o cotidiano das pessoas. Não se trata apenas de uma sensação abstrata, mas de um clima social persistente que molda onde as pessoas caminham, como usam seus celulares e de que forma se relacionam com o espaço público”, salienta a pesquisa.

As mulheres apresentam índices de medo mais elevados em todas as categorias, especialmente em relação à agressão sexual (82,6%). Já a população negra teme a violência letal, como o medo de “bala perdida” (80,3%) e de ser assassinado (77,4%).

Enquanto as classes A/B — com rendas mensais superiores a R$ 8 mil — focam a preocupação no patrimônio digital e financeiro, as classes D/E — com rendas mensais de até R$ 3,5 mil — vivem uma insegurança física e territorial, com 85% temendo roubos à mão armada e 53,4% receando agressões domésticas.

A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas presenciais, com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais, em 137 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

US$ 11 bilhões para a segurança

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança, hoje, o plano do governo federal para o combate ao crime organizado. Com as eleições de outubro no horizonte, serão anunciados investimentos de R$ 11 bilhões na segurança pública, com foco na asfixia financeira e logística das facções criminosas.

O plano é cobrado por especialistas em segurança pública desde o começo do governo e tornou-se um dos pontos fracos que os bolsonaristas exploram para tentar evitar a reeleição de Lula.

Segundo o ministro José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais, o texto do Programa Brasil Contra o Crime Organizado será dividido nos seguintes eixos no combate às facções criminosas:

1) asfixia financeira e logística;

2) controle do sistema prisional;

3) enfrentamento ao tráfico de armas e munições;

4) retomada e proteção de territórios; e 5) redução da impunidade.

O montante destinado ao combate a crime organizado será dividido entre R$ 1 bilhão oriundo da União e os outros R$ 10 bilhões via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para as unidades da Federação investirem em ações de inteligência, fiscalização e enfrentamento do crime organizado.

O programa exigirá a adesão de estados e Distrito Federal para acesso aos recursos.

O Palácio do Planalto decidiu acelerar o programa depois da ameaça do governo do presidente Donald Trump em enquadrar do Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho como organizações terroristas com potencial de ameaça aos interesses dos Estados Unidos.

Uma vez nessa lista, isso possibilitaria aos norte-americanos executarem ações militares de combate a essas organizações em territórios de outras nações. Se o PCC e o CV forem classificados como terroristas, os EUA poderiam colocar o Brasil como palco de algum ataque às duas facções.

Para tentar evitar esse enquadramento, Brasil e Estados Unidos formalizaram, em 10 de abril, um acordo de cooperação contra o crime organizado, com foco no tráfico de armas e drogas. (Com Agência Estado)

Ricardo Rosado de Holanda
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