Brasil 17/03/2026 11:00
Deputado sugere dividir o Brasil em dois países em debate sobre o Senado, separa Norte e Nordeste de Centro Oeste, Sudeste e Sul

O deputado federal Paulo Bilynskyj, do PL por São Paulo, afirmou em um podcast que o Brasil poderia ser dividido em duas partes. A fala ganhou peso político porque encostou em um tema sensível da organização do Estado e da representação regional no país.
Na divisão sugerida por ele, Norte e Nordeste formariam o chamado Brasil do Norte. Já Centro Oeste, Sudeste e Sul passariam a compor o Brasil do Sul, em uma proposta apresentada durante uma conversa sobre o sistema político brasileiro.
O pano de fundo do debate foi o Senado Federal, onde cada estado e o Distrito Federal elegem três senadores, sem relação direta com o tamanho da população. Foi justamente essa regra que apareceu como base para a provocação feita no programa.
A declaração foi dada durante participação no Redcast, exibido em 18 de setembro de 2025. No debate, o apresentador Junior Masters reagiu dizendo que a proposta configuraria separatismo, e o parlamentar respondeu questionando qual seria o problema.
Na sequência, Bilynskyj argumentou que países menores tenderiam a ser mais democráticos do que países com grande extensão territorial. Essa linha de raciocínio foi apresentada como justificativa para a divisão sugerida durante a conversa.
A fala chamou atenção porque não tratou apenas de uma mudança administrativa. Na prática, a ideia apresentada envolveu repartir o território nacional em dois novos blocos políticos, algo que ultrapassa o debate comum sobre reforma do Senado ou pacto federativo.
Isso amplia o impacto da declaração porque mexe com a forma como o país é organizado desde a Constituição de 1988. Quando a discussão sai do número de senadores e entra na hipótese de dividir o território, o tema passa a tocar diretamente a estrutura da federação brasileira.
Segundo Metrópoles, portal de notícias com cobertura nacional, Bilynskyj afirmou que o Norte votaria em Lula e o Sul em Bolsonaro. Mas o próprio registro aponta um dado relevante: no segundo turno de 2022, Bolsonaro teve 51,03% dos votos na região Norte, contra 48,97% de Lula.
Esse detalhe enfraquece a justificativa simplificada usada no debate e mostra que o mapa político do país não cabe com facilidade em uma divisão regional tão rígida. O peso simbólico da fala continua alto, mas a base eleitoral apresentada por ele não resume com precisão o comportamento da região.
A Constituição de 1988 afirma que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos estados, dos municípios e do Distrito Federal. Em linguagem simples, isso significa que a separação do país em dois não faz parte do modelo constitucional brasileiro.
O mesmo texto também estabelece que o Senado representa os estados e o Distrito Federal, com três senadores para cada unidade. Ou seja, a regra que motivou a crítica no podcast existe de forma expressa na Constituição e integra o desenho federativo em vigor.
No campo penal, a Lei 14.197, de 1º de setembro de 2021, incorporou ao Código Penal o crime de atentado à integridade nacional. A norma trata de casos em que há violência ou grave ameaça para separar parte do território e formar um país independente.
Isso quer dizer que uma fala polêmica em podcast não se confunde automaticamente com esse tipo penal. Ainda assim, o episódio pressiona a região política do debate porque encosta em um ponto que a Constituição protege de forma direta, que é a preservação da unidade territorial brasileira.
No fim, a declaração de Paulo Bilynskyj, deputado federal com mandato de 2023 a 2027, saiu do campo da provocação e entrou no centro de uma discussão institucional. Quando um parlamentar fala em dividir o país, o tema deixa de ser apenas retórico e passa a tocar uma das bases do sistema político nacional.
O episódio também mostra como o debate sobre representação no Senado continua gerando atrito entre população, peso regional e poder político. Só que, no Brasil, qualquer proposta de separação encontra uma barreira clara na Constituição e muda a leitura estratégica do debate nacional.
Deu CPG

Descrição Jornalista
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