Cuba fica sem combustível, enfrenta apagões quase diários e vê uma onda de painéis solares chineses tomar a ilha, mas falta de baterias e rede envelhecida impede que energia do sol resolva a crise I - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Energia. 13/08/2026 13:45

Cuba fica sem combustível, enfrenta apagões quase diários e vê uma onda de painéis solares chineses tomar a ilha, mas falta de baterias e rede envelhecida impede que energia do sol resolva a crise I

Cuba fica sem combustível, enfrenta apagões quase diários e vê uma onda de painéis solares chineses tomar a ilha, mas falta de baterias e rede envelhecida impede que energia do sol resolva a crise I

A energia solar em Cuba avançou rapidamente durante a crise elétrica: pelo menos 59 parques foram construídos em dois anos, enquanto equipamentos chineses se espalharam pela ilha.

Mesmo com a fonte respondendo por cerca de 10% das necessidades de eletricidade, os 10 milhões de habitantes ainda convivem com cortes quase diários.

 

 

Energia solar em Cuba ganhou 59 parques em dois anos

Segundo a RenewAtlas, base que acompanha projetos solares e imagens de satélite, Cuba construiu pelo menos 41 parques solares de médio porte e outros 18 de menor escala nos últimos dois anos.

O governo cubano afirmou, em 2024, que pretende chegar a 92 parques de médio porte até 2028. A expansão ganhou força após uma série de apagões nacionais registrada naquele ano.

Os novos empreendimentos poderiam produzir aproximadamente 1.000 megawatts quando operassem no pico. Isso representa quase cinco vezes a capacidade solar que Cuba possuía anteriormente.

A dimensão também chama atenção diante do consumo do país. A demanda máxima típica é de aproximadamente 3.200 megawatts, fazendo com que os novos projetos possam equivaler a quase um terço desse volume em condições máximas de geração.

Segundo o governo, a energia solar atualmente atende cerca de 10% das necessidades de eletricidade de Cuba. No início do ano passado, essa participação estava em apenas 3%.

Cuba fica sem combustível, enfrenta apagões quase diários e vê painéis solares chineses se espalharem pela ilha, mas falta de baterias e rede envelhecida limita energia que já atende 10% da demanda
Imagem: Reprodução

China enviou US$ 117 milhões em equipamentos solares

A China aparece como principal fornecedora dos equipamentos usados nessa expansão. Dados alfandegários mostram que Pequim enviou US$ 117 milhões em equipamentos solares para Cuba em 2025.

O salto foi expressivo em comparação com 2023, quando os embarques somaram US$ 3 milhões. A China também enviou mais unidades de armazenamento por baterias neste ano.

O primeiro-ministro cubano, Manuel Marrero Cruz, afirmou que parte dos projetos foi financiada com receitas obtidas com o níquel.

O plano econômico do governo para 2026 também registra 320 megawatts em painéis solares doados pela China. Vietnã e Japão fizeram doações menores de equipamentos.

Um relatório do Inter-American Dialogue aponta que a China ampliou rapidamente as doações e o financiamento relacionados ao clima no Caribe.

Falta de combustível continua pressionando a rede elétrica

O avanço solar ocorre enquanto Cuba enfrenta queda nos estoques de combustível. A situação piorou após o bloqueio de praticamente todos os embarques de energia para Havana no fim de janeiro pelo governo Trump.

Em maio, Cuba afirmou ter esgotado suas reservas de combustível. Posteriormente, o governo Trump permitiu alguns embarques destinados a empresas privadas na ilha.

O problema também envolve a estrutura existente. Usinas alimentadas por combustíveis fósseis se deterioraram ao longo das últimas décadas, reduzindo a capacidade de geração.

As linhas de transmissão também apresentam perdas. Segundo pesquisa do economista Ricardo Torres Pérez, aproximadamente 16% da eletricidade da rede é perdida durante a transmissão.

Falta de baterias limita aproveitamento dos novos parques

Mesmo com a expansão da energia solar em Cuba, parte da capacidade instalada não é utilizada. Em abril, o ministro de Energia afirmou que o país não possui armazenamento suficiente para administrar as oscilações da geração solar.

Uma bateria foi instalada em julho e outras três estão planejadas, segundo a imprensa estatal.

Famílias e organizações também instalaram sistemas em telhados. China, Espanha e outros países doaram milhares de painéis destinados a edifícios individuais, mas essas instalações ainda não foram suficientes para alterar significativamente a crise.

Cuba registrou pelo menos seis apagões nacionais neste ano, além de períodos de vários dias sem eletricidade em diferentes localidades.

Ricardo Torres resumiu o contraste: sem os parques solares, segundo ele, os apagões seriam ainda piores. Apesar do avanço da nova fonte, porém, os cortes de energia continuaram se agravando.

Esta matéria foi elaborada com base em informações da RenewAtlas, do governo de Cuba, de dados alfandegários, do Inter-American Dialogue e das declarações de especialistas reproduzidas no material fornecido, com dados, números e declarações preservados conforme o conteúdo consultado.

Deu em CPG
Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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