Uma confusão entre grupos de jipeiros que realizam passeios turísticos nas dunas de Búzios, em Nísia Floresta, no litoral sul do Rio Grande do Norte, terminou na delegacia nesta sexta-feira (2).
A disputa envolve quem tem autorização para circular na área turística e ocorreu em um dos períodos de maior movimento de visitantes no litoral sul do RN.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram o clima de tensão no local. Dois grupos discutem, trocam acusações e impedem a passagem de veículos.
O g1 procurou a Prefeitura de Nísia Floresta pra saber se é preciso ter autorização para fazer passeios nas dunas e como funciona a fiscalização, mas não teve retorno até a última atualização desta matéria.
De um lado, um grupo mais novo de jipeiros afirma ter realizado um curso de capacitação que, segundo eles, autoriza a atuação em áreas turísticas. Os profissionais dizem que têm direito de trabalhar no local e denunciam tentativas de boicote e intimidação por parte de outros jipeiros.
“Estão fazendo isso porque como não tem lei que impeça a ninguém de trabalhar, eles estão agindo dessa forma, uma forma injusta, né? Olha o constrangimento que a gente tá passando aqui, olha a situação dos turistas. Isso é injusto, gente, não pode, isso tem que parar. Isso é olho grande, porque falta carro aqui para os turistas passearem 4×4, então não há necessidade disso”, disse a jipeira Emanuella Cerveira, que faz parte do grupo mais novo.
De acordo com esse grupo, o estopim da confusão foi a entrada em uma duna localizada em área particular. Mesmo com o ingresso pago, os jipeiros alegam que foram impedidos de acessar o local e decidiram acionar a Polícia Militar.
“Na situação de hoje, apesar de ser uma duna particular, o dono não pode proibir ou distinguir o cliente, qualquer pessoa pode entrar. Nós todos estávamos com o ticket comprado e fomos informados pelo segurança que não poderíamos entrar porque só os jipeiros do sindicato estavam autorizados”, explicou Emanuella Cerveira.
Já o sindicato dos jipeiros, que representa o grupo mais antigo, afirma que apenas profissionais credenciados pela Prefeitura de Nísia Floresta podem circular pelas dunas. A entidade questiona a validade do curso apresentado pelo outro grupo e levanta preocupações com a segurança dos turistas.
“Um curso em tempo recorde, 15 dias, de forma online, (…) O perigo é gigantesco. Você pega umas pessoas que não têm experiência nenhuma, né? Só com feitos financeiros, botaram em cima de uma duna”, disse Adriano Pegado, vice-presidente do Sindicato dos Jipeiros de Nísia Floresta.
O sindicato também defende uma fiscalização mais rigorosa e cobra a formalização de um convênio entre a prefeitura e a Polícia Militar para coibir o que considera atuação irregular. Segundo a entidade, a falta de regras claras tem contribuído para o aumento dos conflitos.
“Pode haver um convênio, sim, da prefeitura de Nísia Floresta assinando para que os PMs fiscalizem a área. Cadê o convênio?”, questiona
A Polícia Militar informou que a situação não é isolada. De acordo com a corporação, outras confusões semelhantes já foram registradas em diferentes pontos turísticos da região, inclusive com relatos de disparos de arma de fogo. Durante a ocorrência desta sexta-feira, também houve relato de disparo.
Todos os envolvidos foram encaminhados à delegacia para o registro da ocorrência. Um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) foi lavrado.
Enquanto isso, turistas que participavam do passeio acabaram sendo levados à delegacia junto com os jipeiros e tiveram o roteiro do dia frustrado. Um grupo vindo de São Paulo relatou surpresa com a situação e disse que o passeio turístico precisou ser interrompido.
“Fomos trazidos pra delegacia, perdemos umas duas, três horas de lazer, ficou complicado”, disse o servidor público Pedro Henrique.
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Dunas de Búzios, no litoral sul do Rio Grande do Norte — Foto: Fernanda Zauli/g1

