Saúde 25/07/2026 06:39
Composto que ajuda a manter músculos com avanço da idade é identificado

Uma equipe da Universidade de Kyushu, no Japão, identificou um composto que pode reforçar a capacidade do organismo de reparar tecidos musculares ao longo do envelhecimento.
Os resultados, publicados nesta sexta-feira (24) na revista Scientific Reports, indicam que a molécula conhecida como LASSS (trissulfeto de ácido lipoico) aumentou a eficiência de um importante sinal biológico ligado à regeneração muscular em experimentos de laboratório e em camundongos.
Com o avanço da idade, os músculos tendem a perder força e volume. Esse processo está associado ao surgimento de cicatrizes, ao acúmulo de gordura entre as fibras musculares e à redução das fibras responsáveis por movimentos rápidos e intensos, o que pode comprometer a mobilidade e a independência dos idosos.
Foi pensando nisso que os pesquisadores decidiram investigar se e como LASSS poderia influenciar esse processo.
Dessa maneira, observou-se que a molécula não apenas protegia uma proteína essencial para o reparo muscular, mas ainda potencializa a sua ação.
“Isso superou nossas expectativas. Sabíamos que os trissulfetos tinham diversas funções biológicas, mas nunca imaginamos que a simples mistura de HGF com LASSS produziria um efeito tão impressionante”, afirma Ryuichi Tatsumi, coordenador do estudo, em comunicado à imprensa.
O estudo teve como foco o fator de crescimento de hepatócitos, conhecido pela sigla HGF. Apesar do nome, essa proteína desempenha um papel importante também nos músculos.
Em condições normais, o HGF permanece armazenado em torno das fibras musculares e é liberado quando há uma lesão ou quando o músculo é submetido a esforço. Sua função é ativar as chamadas células satélite (uma espécie de célula-tronco presente no tecido muscular), responsáveis por iniciar o processo de regeneração.
Ao serem ativadas, elas se multiplicam e ajudam a reparar as fibras danificadas, permitindo a recuperação do músculo.
Pesquisas anteriores da mesma equipe mostraram que o envelhecimento altera quimicamente o HGF por meio de um processo chamado nitração. Nele, a proteína recebe grupos químicos que prejudicam sua capacidade de se ligar ao receptor responsável por transmitir o sinal de reparo.
Uma vez nitrado, o HGF perde sua capacidade de se acoplar ao receptor, como uma chave enferrujada que não encaixa mais na fechadura. Essa falha pode estar entre as causas da perda muscular relacionada ao envelhecimento e da redução da capacidade de recuperação dos tecidos.
“O HGF não desaparece necessariamente com o envelhecimento”, acrescenta o pesquisador. “Na verdade, ele pode sofrer alterações químicas após ser produzido. Isso nos levou a questionar se um composto com forte capacidade antioxidante poderia protegê-lo.”
Uma equipe da Universidade de Kyushu, no Japão, identificou um composto que pode reforçar a capacidade do organismo de reparar tecidos musculares ao longo do envelhecimento.
Os resultados, publicados nesta sexta-feira (24) na revista Scientific Reports, indicam que a molécula conhecida como LASSS (trissulfeto de ácido lipoico) aumentou a eficiência de um importante sinal biológico ligado à regeneração muscular em experimentos de laboratório e em camundongos.
Com o avanço da idade, os músculos tendem a perder força e volume. Esse processo está associado ao surgimento de cicatrizes, ao acúmulo de gordura entre as fibras musculares e à redução das fibras responsáveis por movimentos rápidos e intensos, o que pode comprometer a mobilidade e a independência dos idosos.
Foi pensando nisso que os pesquisadores decidiram investigar se e como LASSS poderia influenciar esse processo.
Para investigar essa hipótese, os cientistas testaram dois compostos ricos em enxofre, elemento químico conhecido por participar de diversos processos biológicos: o GSSSG (trissulfeto de glutationa) e o LASSS.
Ambos conseguiram reduzir a nitração do HGF.
No entanto, quando os pesquisadores aumentaram a concentração das substâncias, apenas o LASSS apresentou um efeito adicional: a proteína passou a se ligar ao receptor muscular com mais que o dobro da eficiência observada originalmente. Isso levou a equipe a sugerir a formação de uma versão aprimorada da proteína, apelidada pelos próprios cientistas de “Super HGF”.
“O que isso nos mostra é que o LASSS faz mais do que simplesmente neutralizar moléculas reativas. Ele pode interagir diretamente com o HGF e induzir uma sutil mudança estrutural, criando uma forma aprimorada de ‘Super HGF’, que se liga ao receptor com mais força e resiste à nitração”, indica Tatsumi.
Os pesquisadores também avaliaram os efeitos do composto em camundongos submetidos a um modelo experimental de atrofia muscular — condição caracterizada pela perda de massa muscular devido à falta de uso. Os animais que receberam LASSS apresentaram níveis significativamente menores de nitração da proteína.
Apesar dos resultados promissores, os autores ressaltam que ainda são necessários estudos em animais idosos e, posteriormente, em seres humanos para determinar a segurança e a eficácia do composto.
A expectativa é que, no futuro, a estratégia possa contribuir para preservar a função muscular em animais domésticos, idosos, pacientes acamados por longos períodos e pessoas com doenças associadas à perda de massa muscular.

Descrição Jornalista
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