Combustíveis 20/03/2026 10:04
Combustível pode faltar no Brasil em abril após queda de 70% nas importações

A possibilidade de falta de combustíveis no Brasil começa a ganhar força nos bastidores do mercado. A manutenção dos preços praticados pela Petrobras no mercado interno pode levar a um cenário crítico já na segunda metade de abril.
De acordo com Sergio Araujo, presidente Executivo da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a redução nas contratações para entrega no próximo mês é significativa.
O principal motivo é a diferença entre os valores internacionais e os preços praticados no país.
Os números mostram um recuo expressivo nas aquisições feitas por importadores. Segundo Araujo, a defasagem inviabiliza operações comerciais.
“Não faz sentido para um importador comprar lá fora petróleo e derivados cotados em mais de US$ 110 por barril e vender aqui dentro por menos da metade do preço por causa de uma decisão política da Petrobras.
Ninguém quer perder dinheiro, por isso param de contratar combustível. Em breve, vai começar a faltar”, explicou Araujo em entrevista a Oeste.
A diferença atual é relevante: cerca de 67% no diesel e 52% na gasolina em comparação com o mercado internacional.
Apesar do cenário preocupante, o fornecimento neste mês segue estável. Isso ocorre porque os contratos foram fechados antes do início da guerra no Irã, o que garantiu a chegada das cargas ao país.
O cenário muda drasticamente quando se observa o volume contratado para abril. A redução chega perto de 70% em relação ao mês anterior.
Caso essa tendência não seja revertida rapidamente, o impacto será direto: falta de combustíveis no mercado interno.
Araujo afirma que o governo já tem conhecimento do problema e busca alternativas para evitar um colapso no abastecimento. No entanto, ele alerta que a política de preços da Petrobras pode dificultar qualquer solução.
“O governo está ciente desse risco e está tentando achar uma solução. Entretanto, se a Petrobras continuar reprisando os preços dessa forma, não terá como evitar um desabastecimento”, explica Araujo. “A Petrobras fez um aumento muito pequeno. Ainda tem mais de R$ 2,40 de diferença sobre o diesel.”
Relatos recentes de falta de combustível no sul do Brasil já começaram a surgir, especialmente entre agricultores. Ainda assim, Araujo classifica esses episódios como isolados.
Segundo ele, a combinação entre expectativa de alta de preços e aumento da demanda durante a colheita elevou o consumo acima do previsto.
“Com a expectativa de aumento de preço e coincidindo com o aumento da colheita, teve um aquecimento da demanda, que está maior do que a prevista. Algo natural, pois, se espera uma alta dos preços, os consumidores acabam enchendo o tanque. Quem tem infraestrutura estoca combustível. E isso pode ter provocado um desabastecimento pontual”, diz o executivo.
Na tentativa de evitar problemas maiores, distribuidoras pediram volumes adicionais às refinarias da Petrobras. No entanto, esses pedidos não foram atendidos pela estatal, o que limita ainda mais a capacidade de resposta do mercado.

Descrição Jornalista
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