Ciência 29/03/2025 13:50
Cientistas trazem de volta à vida alga pré-histórica de 7 mil anos

Depois de 7 mil anos sem luz e oxigênio, espécies pré-históricas de algas no fundo do Mar Báltico recuperaram a vida. Segundo o Instituto Leibniz para Pesquisa do Mar Báltico (IOW), na Alemanha, elas haviam entrado em um estado de dormência conhecido como “modo de suspensão”.
Em estudo publicado no The ISME Journal, os pesquisadores conseguiram reviver alguns desses organismos a partir de amostras de sedimentos do Mar Báltico.
Amostras retiradas a 240 metros de profundidade foram analisadas pelo IOW para encontrar células dormentes de fitoplâncton do passado capazes de viver, em uma abordagem chamada “ecologia da a ressurreição”.
Quando estão em modo de suspensão, os organismos mudam para um estado de menor atividade metabólica. Nesse estágio de dormência, eles apresentam estruturas protetoras robustas e reservas de energia armazenadas internamente, e são cobertos por sedimentos no fundo do mar ou de qualquer corpo d’água em que se encontram, mantendo-se em condições sem oxigenação.
“Esses depósitos são como uma cápsula do tempo que contém informações valiosas sobre ecossistemas passados e as comunidades biológicas que os habitam, seu desenvolvimento populacional e mudanças genéticas”, explicou Sarah Bolius em comunicado.
Aqueles estágios dormentes atribuídos a períodos específicos da história do Mar Báltico, devido à estratificação do sedimento, são trazidos de volta à vida e caracterizados genética e fisiologicamente. Assim, os pesquisadores os comparam com as populações de fitoplâncton atuais.
Em nove amostras coletadas de diferentes camadas de sedimentos, apenas uma espécie de diatomácea (microrganismo eucariontes unicelular) foi revivida em todas elas, a Skeletonema marinoi. “Elas crescem, se dividem e fazem fotossíntese como seus descendentes modernos”, afirmou Bolius.
Mesmo os isolados de alga mais antigos podem produzir oxigênio, com valores médios de 184 micromoles de oxigênio por miligrama de clorofila por hora. “Esses valores também são comparáveis aos dos representantes atuais dessa espécie”, afirmou Bolius.
As células dessa diatomácea estão entre os organismos mais antigos já revividos com sucesso a partir de um estágio dormente como esse. “Nosso estudo também mostra que podemos rastrear diretamente as mudanças genéticas ao longo de muitos milênios, analisando células vivas em vez de apenas fósseis ou traços de DNA”, disse Bolius.
Isso porque os pesquisadores também analisaram o perfil genético das algas ressuscitadas e observaram que camadas de sedimentos de diferentes idades correspondiam a grupos genéticos distintos, provando que populações sucessivas da espécie no Mar Báltico mudaram geneticamente ao longo de milhares de anos.

Descrição Jornalista
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