Animais 03/01/2026 12:08
Cientistas abrem ovo de dinossauro de 70 milhões de anos e encontram algo inesperado

Um ovo de dinossauro com cerca de 70 milhões de anos, encontrado na Formação Chishan, na China, surpreendeu pesquisadores ao conter cristais de calcita, permitindo identificar uma nova oospecies e gerar dados inéditos sobre microestrutura, fossilização e condições ambientais do sítio.
O fóssil, do tamanho aproximado de uma toranja, foi encontrado em um sítio fossilífero chinês e apresentou uma condição incomum. Em vez de embrião ou sedimentos, o interior do ovo estava revestido por cristais brilhantes de calcita aderidos à casca interna.
Essa configuração transformou o ovo em uma geode natural de dinossauro, algo raro no registro paleontológico.
O material chamou a atenção dos pesquisadores por preservar a casca de forma íntegra, ao mesmo tempo em que revela um processo mineralógico pouco documentado nesse tipo de fóssil.
A análise mostrou que os cristais não fazem parte da estrutura original do ovo, mas resultam de processos posteriores ao soterramento. Essa preservação incomum oferece novas possibilidades para estudar eventos ocorridos após a deposição do material no solo.
O estudo detalhado da microestrutura da casca levou à identificação de uma oospecies inédita, denominada Shixingoolithus qianshanensis. A descrição foi publicada em artigo de 2022 liderado pelo paleontólogo Qing He, da Universidade de Anhui.
A classificação baseou-se na organização microscópica da casca, considerada mais semelhante à de outros ovos de dinossauro do que à de ovos de répteis ou aves. Essa característica foi decisiva para reconhecer tratar-se de uma nova espécie de ovo fossilizado.
Dois ovos foram descobertos e classificados no mesmo oogenus. Nenhum deles, porém, continha embrião preservado, o que limita a identificação do animal responsável pela postura e impede associações diretas com esqueletos conhecidos.
Os ovos estão entre as primeiras evidências de dinossauros registradas na Formação Chishan, unidade do Cretáceo Superior com idade estimada em cerca de 70 milhões de anos, localizada na Bacia de Qianshan.
A região é tradicionalmente conhecida por fósseis de tartarugas, mamíferos e aves do Paleoceno. Por isso, a presença de ovos de dinossauro amplia o entendimento sobre a diversidade faunística local no fim do Cretáceo.
O achado sugere que dinossauros frequentaram ou nidificaram na área, mesmo que restos esqueletais ainda não tenham sido identificados. Esse dado contribui para reavaliar a importância paleontológica da formação.
Para que cristais minerais se formem dentro de um ovo de dinossauro, uma sequência específica de eventos precisa ocorrer. Inicialmente, o embrião se decompõe completamente, deixando o interior do ovo vazio.
Posteriormente, a água subterrânea infiltra-se lentamente pela casca por meio de microporos e pequenas fissuras. Os minerais dissolvidos nessa água passam a se depositar no interior, acumulando-se gradualmente até formar cristais de calcita.
Esse processo indica que a mineralização ocorreu após o soterramento do ovo. A análise das conchas e dos cristais pode fornecer informações relevantes sobre os fluidos subterrâneos e o ambiente geoquímico do sítio fossilífero.
Em um artigo publicado no início deste ano, cientistas utilizaram cristais de calcita de outro ovo de dinossauro para datar diretamente o próprio ovo, algo inédito na paleontologia. O método aproveita a precipitação mineral posterior ao enterramento.
Além da datação, esses cristais podem reter informações sobre os fluidos que circularam pelo leito fossilífero e sobre o ambiente geoquímico do ninho original. Esses dados ampliam as possibilidades de estudo de ovos fossilizados.
O ovo com geode de calcita exemplifica como processos naturais preservam a história da vida. De ossos incrustados de minerais a estruturas substituídas por opalas, esses registros oferecem evidências duradouras de organismos extintos e seus ambientes.
Artigo elaborado com base em informações de estudo científico publicado em 2022, liderado pelo paleontólogo Qing He, da Universidade de Anhui, e em artigo científico divulgado no início deste ano sobre o uso de cristais de calcita em ovos de dinossauro para datação direta na paleontologia.
Deu em CPG

Descrição Jornalista
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