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Comportamento 17/03/2026 19:05

Cartas de amor proibido do início do século 20 são descobertas em arquivo de empresa

Cartas de amor proibido do início do século 20 são descobertas em arquivo de empresa

Uma herdeira da alta sociedade e um oficial do exército se apaixonam, trocam cartas e passam a viver um amor proibido. Parece o enredo de um filme — mas essa história aconteceu na vida real, e sua recente descoberta revelou uma paixão intrigante.

Uma caixa contendo cartas de amor perdidas, trocadas entre o casal de amantes no início do século 20, foi encontrada nos arquivos de uma empresa de contabilidade da década de 1960. O achado foi divulgado no último dia 13 de março por pesquisadores do English Heritage.

A coleção, com mais de 100 cartas, documenta o romance de Dora Smith — filha de Sir Herbert Smith, proprietário da mansão Witley Court, localizada em Worcestershire, na Inglaterra — e seu amante, Noel Murray “Fred” Pearson, que, além de oficial do exército, também era proprietário de terras.

A mansão Witley Court, propriedade do pai de Dora — Foto: David Stowell/Wikimedia Commons
A mansão Witley Court, propriedade do pai de Dora — Foto: David Stowell/Wikimedia Commons

As diversas correspondências revelam uma dinâmica cheia de afeto, diversão e intimidade entre o jovem casal, mas também expõe a história de seu amor proibido, já que ambos se conheceram quando Dora ainda era casada com George Ingman, um agrimensor credenciado (profissional que mede e mapeia limites legais de propriedades).

O início do romance proibido

O material revela que Dora e George se casaram em 1922 e tiveram um filho. Cinco anos depois, um triângulo amoroso se formou quando eles conheceram Pearson, que buscava ajuda para desenvolver suas propriedades.

Um divórcio entre Dora e George ocorreu após acusações de que a jovem estaria com Pearson em um hotel — algo que não foi desmentido pelos amantes.

“Elas [as cartas] detalham o caso amoroso deles, que era sabido ser um caso [extraconjugal]”, disse Matty Cambridge, curadora assistente do English Heritage. “Mas sabemos que Dora e Noel finalmente se casaram em 1929.”

Dora e Noel frequentemente usavam apelidos carinhosos em suas cartas — Foto: English Heritage
Dora e Noel frequentemente usavam apelidos carinhosos em suas cartas — Foto: English Heritage

O relacionamento, que se iniciou de forma escandalosa, durou pouco mais de 10 anos. De acordo com Cambridge, Pearson se alistou na Força Aérea Real Britânica e morreu em 1941.

As cartas dos amantes foram colocadas em uma caixa de sapatos nos arquivos de uma empresa de contabilidade de Worcestershire por volta da década de 1960 e mantidas em segurança por uma funcionária, Elizabeth Jones.

De acordo com os curadores, as cartas apresentam um retrato vívido da proximidade entre os jovens, e capturam o humor e a ternura presentes no relacionamento. “Encontrar essas cartas foi uma alegria imensa. Elas são tão carinhosas e divertidas, mas o que é realmente tocante é o período de tempo que abrangem”, disse Cambridge.

Mas essa história não foi tão feliz assim para o marido traído, que buscou vingança. Segundo o jornal britânico The Telegraphum recorte de jornal também foi encontrado entre os documentos. Ele registra um processo movido por Ingman contra Pearson, no valor de 10 mil libras, por danos após o caso extraconjugal ser descoberto.

Atualmente, enquanto novas informações ainda podem surgir, a equipe de curadoria do English Heritage estuda o material encontrado para determinar sua importância histórica e as necessidades de conservação.

A seguir, confira trechos das cartas trocadas entre os amantes, disponibilizados pela rede britânica BBC:

Uma carta de Noel para Dora

“Minha adorável gazelazinha,

“Meu amorzinho, se eu pudesse ter minha querida bebezinha aconchegada no carro comigo, eu dirigiria imediatamente para longe de todas as suas preocupações e encontraria um ninho para você onde não existissem problemas e tudo fosse um longo e maravilhoso sonho.”

Uma carta de Dora para Noel

“Meu amor, jamais imaginei que você se tornaria a base da minha vida e tudo o que é precioso para o meu coração.”

“De fato, eu não acreditava que alguém, homem ou mulher, pudesse afirmar ter um afeto tão sincero.”

Deu em Galileu

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista