FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
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Consumidor 25/01/2025 10:59

Carne podre submersa em enchente no RS foi reembalada no RJ como produto importado

Empresa no Rio de Janeiro é investigada por reembalar e revender carne deteriorada como importada do Uruguai

Carne podre submersa em enchente no RS foi reembalada no RJ como produto importado

Uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro revelou que a empresa Tem di Tudo Salvados, localizada em Três Rios (RJ), reembalou carne deteriorada, submersa nas enchentes históricas no Rio Grande do Sul, para que parecesse importada do Uruguai.

A denúncia levou à prisão de quatro pessoas ligadas à empresa, na última quarta-feira (22), por suspeita de revenderem a carne imprópria para consumo humano.

800 Toneladas de Carne Estragada

O caso envolve 800 toneladas de proteína animal que ficaram em estado de decomposição após serem atingidas pelas enchentes em Porto Alegre, em maio de 2024. Segundo o delegado Wellington Vieira, responsável pela investigação, a carne foi revendida de forma fraudulenta:

“A gente se surpreendeu porque a tragédia do Rio Grande do Sul foi uma tragédia que abalou todo o país. E a gente acha que as pessoas teriam o mínimo de respeito. No caso dessas pessoas, não tiveram nenhum sentimento, a ideia era só lucrar”, afirmou Vieira em entrevista à TV Globo.

O delegado informou que a Tem di Tudo Salvados adquiriu a carga por R$ 800 mil, muito abaixo do valor de mercado, que seria de aproximadamente R$ 5 milhões caso estivesse em boas condições.

Foto: Reprodução/TV Globo

Carne Vendida Nacionalmente

As investigações indicam que 32 carretas de carne estragada foram revendidas para açougues e mercados em diversas regiões do Brasil. A Polícia Civil agora trabalha para localizar os compradores, que, segundo o delegado, desconheciam a real procedência do produto.

Durante as operações, os agentes encontraram na sede da empresa pacotes de carne embalados a vácuo provenientes do lote contaminado, além de pedaços de carne pendurados em locais inadequados, congelados armazenados em prateleiras enferrujadas e sacos de alimentos no chão.

Origem da Fraude

A empresa Tem di Tudo Salvados possui autorização para reaproveitar produtos vencidos com o objetivo de transformá-los em ração animal. No entanto, a investigação revelou que a carne adquirida de um frigorífico gaúcho foi adulterada e revendida como carne própria para consumo humano.

O caso ganhou força quando produtores no Rio Grande do Sul identificaram, por meio de etiquetas das embalagens, que a mercadoria descartada havia sido adquirida pela Tem di Tudo Salvados. A denúncia veio à tona depois que um frigorífico que vendeu parte da carne acabou comprando de volta outro lote, o que levou à descoberta da fraude.

Prisões e Acusações

Entre os presos está Almir Jorge Luís da Silva, um dos proprietários da empresa. Além de responderem por vender ou armazenar mercadorias impróprias para o consumo, os suspeitos podem ser enquadrados pelos crimes de:

  • Associação criminosa;
  • Receptação;
  • Adulteração de alimentos;
  • Corrupção de produtos alimentícios.

A gravidade dos crimes levanta preocupações sobre os impactos em todo o país, dado o risco à saúde pública e à segurança alimentar.

Operação “Carne Fraca”

Delegacia do Consumidor (Decon-RJ), responsável pela operação “Carne Fraca”, cumpriu oito mandados de busca e apreensão em locais associados à Tem di Tudo Salvados.

O caso reforça a necessidade de maior fiscalização sobre empresas que lidam com produtos descartados e revela brechas no controle de qualidade e segurança alimentar no país.

Deu em ContraFatos

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista