Brasil bate recorde de importados em junho após fim da taxa das blusinhas - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

E-commerce 20/07/2026 09:37

Brasil bate recorde de importados em junho após fim da taxa das blusinhas

Brasil bate recorde de importados em junho após fim da taxa das blusinhas

As pequenas compras do exterior totalizaram R$ 2,6 bilhões no mês de junho, segundo dados do Programa Remessa Conforme da Receita Federal.

O valor é o maior da série histórica do Fisco, desde que o registro passou a ser mensal. O saldo só perde para os R$ 2,69 bilhões registrados no bimestre de abril e maio de 2024 e os R$ 3,13 bilhões de junho e julho de 2024.

Em agosto daquele ano, foi implementada a chamada “taxa das blusinhas”, de modo que passou a ser cobrado o imposto de importação federal de 20% sobre compras de US$ 50 em sites do exterior e 60% para itens de US$ 50,01 a US$ 3 mil.

O tributo vigorou até a metade inicial de maio deste ano, quando o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), assinou uma medida provisória zerando a “taxa das blusinhas”.

As compras consideradas no cálculo são aquelas feitas no âmbito do Programa Remessa Conforme.

Além de estabelecer que as empresas recolham impostos estaduais, o novo sistema da Receita impôs que o tributo seja pago no momento da compra. Com a antecipação do pagamento, todo o processamento do produto pelo Fisco é adiantado e, por tanto, a entrega do item fica mais ágil.

Resistência do setor privado

Apesar da aprovação do público, a medida gerou polêmica no setor privado, que pressionou contra o fim da “taxa das blusinhas” e chegou a pedir que o Congresso Nacional devolvesse a MP assinada por Lula.

Em um manifesto conjunto, entidades afirmam que a retirada do tributo amplia a diferença de tratamento entre empresas instaladas no Brasil e concorrentes estrangeiros.

O documento ainda sustenta que, enquanto companhias brasileiras estão sujeitas à legislação tributária, trabalhista, ambiental e de defesa do consumidor, plataformas internacionais continuam operando com custos menores.

“Defender a isonomia tributária não significa defender privilégios. Significa assegurar que todos os agentes econômicos estejam sujeitos às mesmas regras e contribuam de forma equivalente para o desenvolvimento do país”, afirmam as entidades.

O manifesto resume a reivindicação em uma frase: “Se baixar para estrangeiro, tem que baixar para brasileiro”.

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) ainda enfatizou que “a medida, se mantida, gera uma concorrência desleal que destrói empregos no Brasil e sabota a economia nacional”.

Ricardo Rosado de Holanda
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