‘Beto louco’ e ‘primo’: quem são os chefes do esquema bilionário do PCC em combustíveis - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
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Crime organizado 29/08/2025 04:55

‘Beto louco’ e ‘primo’: quem são os chefes do esquema bilionário do PCC em combustíveis

‘Beto louco’ e ‘primo’: quem são os chefes do esquema bilionário do PCC em combustíveis

Alvos da maior operação contra o crime organizado no país, deflagrada nesta quinta-feira, “Beto Louco” e “primo” foram apontados como elementos centrais do esquema do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis. Cerca de mil postos vinculados à facção movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, segundo as investigações.

Mohamad Hussein Mourad, o “primo” ou “João”, ligado ao grupo Aster/Copape, foi descrito como o “epicentro das operações”.

As investigações apontam que ele chefiava a organização que utilizava empresas do setor para fraudes fiscais, ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro. Ele teria formado uma rede criminosa com parentes, sócios e profissionais cooptados.

Esquema do PCC a partir de postos de combustível — Foto: Editoria de Arte
Esquema do PCC a partir de postos de combustível — Foto: Editoria de Arte

No LinkedIn, Mohamad se dizia CEO da empresa G8LOG, especializada no transporte rodoviário de cargas perigosas (como combustível), e consultor do grupo Aster/Copape, voltado à formulação de gasolina a partir de derivados de petróleo.

Em postagem nas redes sociais, ele disse acreditar “na potência do trabalho, da disciplina e do comprometimento” para atingir “resultados sólidos”.

Já Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, seria co-líder da organização. Segundo as investigações, era ficava responsável por gerir as empresas Copape e Aster, pelas quais o grupo cometia as fraudes fiscais e viabilizava a lavagem de dinheiro.

A defesa dos acusados não foi localizada, até o momento.

“Primo” e “Beto Louco” já foram alvo de investigações passadas pelos mesmos motivos: fraudes fiscais e contábeis, e lavagem de dinheiro. Antes da Operação Carbono Oculto, os nomes dos acusados já eram bastante conhecidos do Ministério Púbico e da Receita Federal.

Mohamad, o “primo”, foi denunciado em junho do ano passado por sonegação de impostos e adulteração de bombas nos postos para obter lucros milionários, conforme revelado pelo Fantástico, da TV Globo. Ele já respondia por falsidade ideológica e fraude em bombas de combustível em 2018.

A novidade agora é que o grupo formado por eles expandiu sua atuação e passou a atuar em toda a cadeia produtiva desse setor, inclusive na compra de usinas de etanol, com intimidação de fazendeiros para venderam suas propriedades.

Veja outros nomes investigados pela Carbono Oculto

Amine Hussein Ali Mourad: É irmã de Mohamad e aparece como titular de uma rede de lojas de conveniências com 168 filiais. Também é sócia da Sudeste Terminais e Armazéns Gerais Ltda, empresa que assumiu a posição da Copape após a cassação de sua licença.

Armando Hussein Ali Mourad: Irmão de Mohamad. É presidente de distribuidora de combustíveis e de postos em Goiás. Aparece como diretor presidente da Europa Produtos de Petróleo S/A, uma empresa criada para contornar a suspensão da Copape.

Himad Abdallah Mourad: Primo de Mohamad e apontado como uma das principais lideranças do grupo. Ele criou empresas para blindagem patrimonial e lavagem de capitais. Utiliza diversos fundos de investimento imobiliários para esses fins.

Ricardo Romano: É identificado como uma figura-chave em um dos grupos que compõem a organização criminosa, sendo vinculado a atividades de lavagem de dinheiro e conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC). É dono de rede de postos de combustível e lojas de conveniência.

Crimes somam R$ 8,4 bilhões

De acordo com as investigações, a atuação desse grupo no setor sucroalcooleiro chegou a diversos estados do país e os crimes cometidos por eles já somariam mais de R$ 8,4 bilhões.

As investigações mostraram que a organização criminosa ampliou suas operações multiplicando postos de combustíveis nos estados de São Paulo e Goiás, que tinham como donos familiares de Mohamad Hussein Mourad e “laranjas”, comprados para lavagem de capitais.

Os postos passaram a ser abastecidos com combustíveis fornecidos por usinas sucroalcooleiras e distribuidoras pertencentes ao grupo.

Com a ampliação de suas atividades, o grupo passou a explorar redes de conveniências dos postos, muitas delas também em nomes de laranjas.

Os investigadores encontraram muitas “shell companies” (empresas de fachada) sem finalidade econômica real, com duplicidade de CNPJs registradas em nome de titulares diversos, sinalizando que essas empresas eram usadas para lavagem de dinheiro.

Para isso, os criminosos usaram as fintechs (startups do setor setor financeiro) com contas que não identificam individualmente o nome do titular. Essas contas permitem ocultar a origem e o destino dos recursos.

Deu em O Globo

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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