Vacina 30/06/2021 11:33
AstraZeneca diz que não tem intermediário para vender vacinas
Funcionário da Davati afirma que foi extorquido ao tentar negociar com o Ministério da Saúde
A AstraZeneca negou que a Davati Medical Supply tenha representado a farmacêutica em negociações com o Ministério da Saúde. A declaração, publicada no blog de Otávio Guedes nessa 3ª feira (29.jun.2021), refere-se a suposta tentativa de extorsão de um funcionário da Davati ao negociar a vacina com o governo brasileiro.
“Sobre os questionamentos, gostaria de comentar que não houve representante da AstraZeneca e as vacinas são disponibilizadas por meio de acordos com o Ministério da Saúde e com a Fiocruz”, afirmou a AstraZeneca.
A farmacêutica também disse que não vende doses da sua vacina ao setor privado, nem para governos estaduais e municipais. Todas as negociações são feitas com governos federais ou organizações multilaterais, como o consórcio da OMS (Organização Mundial da Saúde) Covax Facility. As informações constam em reportagem do G1.
O Poder360 entrou em contato com a assessoria da AstraZeneca. Não houve resposta até a publicação desta reportagem.
Luiz Paulo Dominguetti Pereira, representante da empresa Davati, afirmou à Folha de S. Paulo que o então diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, pediu propina de US$ 1 por dose. O ministério anunciou a demissão de Dias horas depois das acusações se tornarem públicas. A exoneração foi publicada nesta 4ª feira (30.jun).
Davati teria oferecido 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca, com uma proposta inicial de US$ 3,5 por cada uma. Dias o teria pressionado para incluir propina de US$ 1 por dose no acordo.
A quantidade de vacinas da AstraZeneca supostamente negociada por Davati é quase o dobro do total que o Ministério da Saúde comprou através da Fiocruz.
O governo fechou uma encomenda tecnológica com a AstraZeneca em setembro (arquivo do contrato de 9,8 MB). Inicialmente, a Fiocruz iria produzir 100,4 milhões de doses com insumos importados da AstraZeneca, e depois fabricaria mais 110 milhões de doses de forma independente.
Mas a fundação reduziu a quantidade a ser produzida de forma autônoma em mais da metade metade. A outra parte será feita com insumos importados. O governo também fechou acordo para importar 12 milhões de doses prontas para uso da Índia, na tentativa de adiantar a vacinação.
O Ministério da Saúde fechou mais de um contrato com alguns fornecedores, como a Pfizer e o Instituto Butantan (que disponibiliza a CoronaVac). No entanto, os contratos individuais nunca ultrapassaram 100 milhões de doses.
A tabela abaixo, do início do mês, apresenta os quantitativos já negociados pela pasta:

Deu em Poder360

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