Natureza 29/01/2026 08:44
Antes dos humanos, gigantes dominavam o RN: Fóssil de preguiça-gigante de até 6 metros e 5 toneladas é descoberto em parque nacional e revela segredos da megafauna brasileira

Fragmentos de ossos atribuídos a uma preguiça-gigante da espécie Eremotherium laurillardi foram identificados na zona rural de Parelhas, no Rio Grande do Norte, em uma área associada ao território do Seridó Geoparque Mundial da UNESCO.
O material foi localizado por um morador da região e, posteriormente, analisado por pesquisadores de instituições acadêmicas, que confirmaram se tratar de um representante da megafauna que viveu no Nordeste brasileiro durante o período Pleistoceno.
De acordo com a análise preliminar, os fósseis correspondem a partes do esqueleto de um único indivíduo.
Entre os fragmentos identificados estão porções de fêmur, costela e falange, estruturas que permitem comparações com outros registros já descritos na literatura científica.
A partir dessas referências, os pesquisadores indicam que o animal poderia alcançar cerca de seis metros de comprimento e pesar até cinco toneladas.
Essas estimativas se baseiam em parâmetros adotados em estudos anteriores sobre a mesma espécie.
Segundo especialistas da área, o Eremotherium laurillardi está entre os maiores mamíferos terrestres que habitaram o atual território brasileiro, com registros distribuídos em diferentes regiões da América do Sul.
A descoberta ocorreu em área rural do município, fora de centros urbanos, dentro dos limites territoriais do geoparque.
Após a localização dos fragmentos, equipes técnicas realizaram a coleta e iniciaram os procedimentos de identificação, que incluíram análise anatômica e comparação morfológica com exemplares já catalogados em coleções científicas.
A confirmação da espécie reforça o potencial do Seridó para abrigar vestígios do passado pré-histórico da região.
Pesquisadores envolvidos no estudo avaliam que registros como esse contribuem para ampliar o conhecimento sobre a distribuição da megafauna no Nordeste, ainda considerada desigual em comparação a outras regiões do país.

Embora o material encontrado seja fragmentado, a presença de ossos longos e elementos das extremidades permite inferir características gerais do animal.
Conforme descrições científicas já publicadas, trata-se de um mamífero de grande porte, com estrutura corporal robusta e adaptada à vida terrestre.
O Eremotherium laurillardi pertence a um grupo extinto de mamíferos popularmente conhecidos como preguiças-gigantes.
Estudos anteriores indicam que esses animais eram herbívoros e ocupavam diferentes tipos de ambientes nas Américas durante o Pleistoceno, período marcado por variações climáticas significativas.
As projeções de tamanho e massa divulgadas pelos pesquisadores seguem referências consolidadas na paleontologia.
No entanto, especialistas ressaltam que essas estimativas dependem diretamente da quantidade e do estado de conservação do material disponível, podendo ser ajustadas à medida que novas análises sejam realizadas.
Ainda segundo pesquisadores da área, a continuidade dos estudos pode permitir uma descrição mais detalhada do exemplar encontrado em Parelhas.
Etapas como catalogação completa, registro fotográfico e comparação com outros fósseis da espécie fazem parte do processo científico antes de qualquer conclusão mais específica.
O Seridó Geoparque Mundial da UNESCO reúne municípios do Rio Grande do Norte em um território reconhecido por seu patrimônio geológico e paleontológico.
Desde o reconhecimento internacional, a área passou a integrar uma rede voltada à conservação, à educação científica e ao desenvolvimento sustentável.
Nesse contexto, os fragmentos fósseis identificados em Parelhas serão incorporados ao acervo oficial do geoparque.
Segundo a coordenação científica, o material passará por processo de tombamento e preservação, seguindo protocolos técnicos adotados para bens de interesse científico.
A possibilidade de futura exposição pública também é considerada, embora dependa de critérios de conservação e da conclusão das etapas de estudo.
De acordo com os responsáveis, a prioridade inicial é garantir a guarda adequada do material e a produção de conhecimento científico a partir do achado.
A presença de uma preguiça-gigante no interior do Rio Grande do Norte é utilizada por pesquisadores como mais um elemento para estudos sobre os ambientes que existiam na região durante o Pleistoceno.
Segundo a literatura científica, animais desse porte necessitavam de oferta vegetal compatível com sua alimentação, o que pode indicar condições ambientais distintas das atuais.
No entanto, especialistas destacam que interpretações sobre clima e vegetação dependem da análise conjunta de múltiplos registros, como fósseis de plantas, sedimentos e outros animais.
Por isso, cada novo achado é tratado como parte de um conjunto maior de evidências, e não como um indicativo isolado.
Além disso, registros da megafauna são frequentemente utilizados em pesquisas que buscam compreender os fatores associados à extinção desses grandes mamíferos, incluindo mudanças ambientais e transformações ao longo do tempo geológico.
Apesar da identificação da espécie, detalhes como a idade exata do fóssil, o contexto geológico preciso do local e a possível associação com outros restos ainda não foram divulgados em documentos técnicos públicos.
Esses dados costumam ser apresentados em relatórios científicos ou artigos acadêmicos após análises mais aprofundadas.
Enquanto isso, os pesquisadores mantêm cautela ao divulgar informações.
O que está confirmado, até o momento, é a identificação dos fragmentos ósseos como pertencentes a Eremotherium laurillardi e a incorporação do material ao acervo do geoparque para fins de preservação e estudo.
Com o registro oficial do achado, a região passa a integrar de forma mais consistente o mapa da megafauna brasileira.
A expectativa de pesquisadores é que novas prospecções e estudos possam ampliar esse conjunto de dados e esclarecer aspectos ainda pouco conhecidos sobre a presença desses animais no semiárido.
Deu em CPG

Descrição Jornalista
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