FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
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Guerras 12/10/2023 10:04

Israel diz que água e luz só serão religados em Gaza após Hamas liberar reféns

Estima-se que pelo menos 150 pessoas tenham sido levadas pelo Hamas e mantidas como reféns pelo grupo.

Israel diz que água e luz só serão religados em Gaza após Hamas liberar reféns

Tropas de Israel continuam cercando o entorno da Faixa de Gaza mantendo a população local sob total controle. Ninguém sai ou entra do território que teve o fornecimento de água e luz interrompido.

O ministro israelense da Energia, Israel Katz, disse que o fornecimento só será restabelecido quando o grupo radical Hamas liberar os reféns que foram levados para Gaza durante o ataque de sábado que provocou a morte de cerca de 1,2 mil israelenses.

“Nenhuma tomada será ligada, nenhuma torneira terá água, nenhum caminhão tanque vai entrar em Gaza,” disse Katz.

Estima-se que pelo menos 150 pessoas tenham sido levadas pelo Hamas e mantidas como reféns pelo grupo.

Números não oficiais dão conta de mais de 1,2 mil mortes também na Faixa de Gaza desde que a área começou a ser intensamente bombardeada pelas forças israelenses em retaliação aos ataques do Hamas. Mais de 300 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas.

Na quarta-feira (11/10), a única usina de geração de energia existente em Gaza interrompeu definitivamente o funcionamento por falta de combustível. Desde então, todo o território depende de geradores individuais, incluindo o funcionamento de hospitais.

Autoridades militares israelenses dizem que um dos objetivos dos bombardeios é a destruição da enorme rede de túneis mantida pelo Hamas por onde o grupo consegue escoar produtos e armamentos de modo clandestino.

Há especulação de que o Hamas tem mantido alguns reféns no interior destes túneis para prevenir ataques de Israel.

Logo depois da primeira reunião de um governo de emergência criado para lidar com o conflito com o grupo extremista palestino Hamas, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou na noite de quarta-feira (11/10) que “todo combatente do Hamas é um homem morto”, prometendo uma retaliação fatal aos ataques do no sábado (07).

Netanyahu e o líder da oposição Benny Gantz concordaram em formar um governo de emergência para lidar com o conflito — deixando de lado a sua rivalidade política.

Com essa medida, nenhum projeto de lei ou decisão governamental que não diga respeito ao assunto será discutido enquanto durarem os confrontos.

Gantz afirmou que é “momento para uma guerra” e que o governo de emergência está pronto para “tirar essa coisa chamada Hamas da face da Terra”.

Enquanto isso, a população da Faixa de Gaza também continua sendo fatalmente afetada pela retaliação: na noite de quarta-feira, um novo bombardeio realizado por Israel deixou pelo menos 51 mortos, segundo o Ministério da Saúde local.

Militares israelenses afirmaram que centenas de milhares de soldados estão perto de Gaza “prontos para executar a missão que nos foi dada”.

Isso deixa claro que Israel deve invadir em breve a Faixa de Gaza por terra, diz Paul Adams, correspondente diplomático da BBC.

Além do grande número de tropas reunidas no sul de Israel, há também muitos tanques e outros veículos blindados.

“Menos claro é quando a ordem será dada ou quais são os objetivos finais do governo israelense”, afirma Adams.

“Com as autoridades israelenses falando em criar uma nova realidade no Oriente Médio – essencialmente uma Faixa de Gaza sem o Hamas –, há todos os indícios de que esta operação irá exceder todas as anteriores em escala e alcance.”

A avaliação de observadores é que os ataques aéreos já são diferentes de tudo o que já viram antes.

Em cinco dias de ataques, Israel já matou quase metade dos palestinos que morreram durante as seis semanas da guerra em Gaza em 2014.

“É provável que Israel continue a atacar Gaza pelo ar durante vários dias, enfraquecendo tanto o Hamas que, quando a incursão terrestre ocorrer, a capacidade do grupo para continuar lutando terá sido severamente reduzida”, avalia Adams.

Mulher carrega colchão em meio aos escombros em Gaza

CRÉDITO,GETTY População em Gaza procura abrigo em escolas e hospitais em meio a bombardeios

Também na manhã desta quarta-feira, houve mais violência na fronteira de Israel com o Líbano. A milícia libanesa Hezbollah afirmou ter disparado dois mísseis contra um posto do Exército israelense em resposta à perda de três de seus combatentes em conflitos com Israel nesta semana. Israel bombardeia uma área no sul do Líbano em resposta.

Na terça-feira (10/10), o conflito contou com um novo componente bélico: militares israelenses anunciaram que foguetes também foram lançados a partir do território da Síria.

As Forças de Defesa israelenses afirmaram que repeliram “com artilharia contra a origem de lançamentos na Síria”.

Entre os mortos em Israel, estão dois brasileiros, o gaúcho Ranani Nidejelski Glazer, de 23 anos, e a carioca Bruna Valeanu, de 24. Eles foram vítimas de um massacre em evento que era a versão israelense do festival de música brasileiro Universo Paralello.

Militares isralenses na fronteira de Gaza

CRÉDITO,GETTY Militares israelenses se concentram na fronteira com Gaza

Apelos por assistência em Gaza

“Suprimentos cruciais para salvar vidas, incluindo combustível, alimentos e água, devem ser autorizados a entrar em Gaza. Precisamos de acesso humanitário rápido e desimpedido agora”, disse Guterres.

Os Estados Unidos estão trabalhando com Israel e Egito para estabelecer uma rota de passagem segura para civis para fora de Gaza, disse a Casa Branca.

O governo egípcio também mantém discussões com os envolvidos no conflito para que haja uma trégua para fornecer ajuda humanitária na Faixa de Gaza.

“Quero agradecer o Egito pelo seu empenho em facilitar o acesso humanitário através da passagem de Rafah e em disponibilizar o aeroporto de El Arish para assistência crítica”, disse Guterres.

A Faixa de Gaza abriga cerca de 2,3 milhões de pessoas e tem uma das maiores densidades populacionais do mundo.

Israel cortou o fornecimento de electricidade, combustível, alimentos, bens e água ao território.

Em Gaza, bairros inteiros foram destruídos devido a ataques aéreos de Israel. A população em Gaza procura abrigo em escolas e hospitais.

Mais de 338 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas em Gaza enquanto os militares israelenses continuam a bombardear o enclave palestino, disse a ONU.

Deu em BBC

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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