Psicologia 15/09/2021 08:48
Psicóloga potiguar detalha como lidar com o luto pelo suicídio de um ente querido
Em hipótese alguma devem ser adotadas posições de julgamento possibilitando que os enlutados tenham sua dor respeitada

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), realizam a campanha Setembro Amarelo, desde 2014, com o objetivo de conscientizar a sociedade para a prevenção do suicídio.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que aproximadamente 1 milhão de casos de óbito por suicídio são registrados por ano em todo o mundo.
No Brasil, são registrados anualmente uma média de 12 mil.
Para prevenir o suicídio, é importante que a sociedade fale corretamente sobre o tratamento dos transtornos psiquiátricos, considerados as principais causas que levam uma pessoa a tirar a própria vida. Porém, essa realidade está distante, uma vez que o tema ainda é considerado tabu.
Se falar de suicídio já é difícil, como ficam as pessoas que perdem um ente querido dessa forma?
Segundo a psicóloga do luto do Grupo Morada, Mariana Simonetti, a dor e o sofrimento de quem era próximo de alguém que morreu por suicídio carrega muitas particularidades.
“O suicídio de um ente querido coloca os familiares diante de uma dor intensa e questionamentos infindáveis e torturantes. Sentimentos como culpa, medo, tristeza, revolta, sensação de abandono, impotência e vergonha podem tomar conta dos que ficam”, afirma ela.
Embora haja uma busca incessante pela causa ou culpado, é importante ajudar os enlutados na compreensão de que as reais motivações se foram com aquele que partiu.
“Mesmo que soubéssemos a motivação, isso não garantiria que compreendêssemos a dimensão da dor do outro a ponto de levá-lo a tirar a própria vida”, frisa ela.
O luto por suicídio é cercado de fatores que podem aumentar o risco do desenvolvimento de um processo traumático e duradouro.
“O preconceito diante da ocorrência de mortes por suicídio pode fazer com que haja um silenciamento por parte do enlutado e tudo permaneça em segredo. Isso pode causar constrangimento quando há a necessidade de explicações de como se deu a morte do ente querido, especialmente em famílias com crianças e adolescentes em que comumente são atribuídas outras causas ou doenças para justificar a morte”, explica.
“Essas circunstâncias fazem com que o luto por suicídio se encaixe no que chamamos de lutos não reconhecidos pela sociedade, dificultando a possibilidade de expressão e validação da dor, o que se pode tornar um fator de risco para adoecimentos físicos e ou psíquicos”, revela.
“Há poucos espaços na sociedade para falar sobre a morte, tornando difícil a preparação das pessoas a lidar também com o suicídio. A morte por suicídio é estigmatizada, imersa em tabus sociais, religiosos e culturais. Por exemplo, há um grande medo de falar sobre suicídio e esse ser um gatilho para que pessoas que pensam em suicídio possam vir a morrer dessa forma”, informa ela.
Para dar apoio emocional e conforto para quem perdeu um ente querido por suicídio a lidar com tamanho sofrimento, a primeira atitude é não se afastar dos enlutados na tentativa de protegê-los.
“Muitos precisam falar e não encontram espaço e suporte social aumentando assim a sensação de desamparo e abandono o que aumenta sua vulnerabilidade. Falar de forma honesta e clara sobre o assunto pode ajudar os enlutados diante do processo de luto”, orienta Mariana Simonetti.
Mesmo assim, há casos em que o enlutado deve procurar ajuda profissional.
“Seria bom que o enlutado pudesse ter o suporte assim que possível após o evento traumático, pois indivíduos que perdem um ente querido por suicídio fazem parte do grupo de risco para o comportamento suicida. Sabendo que a intensidade do sofrimento é variável e nem todos apresentarão este tipo de comportamento”, diz a psicóloga do luto do Grupo Morada. “Em hipótese alguma devem ser adotadas posições de julgamento em relação ao ente que morreu por suicídio e seus familiares, possibilitando que os enlutados compreendam que sua dor está sendo respeitada e dessa forma se sintam autorizados a falar sobre como se sentem”, aconselha Mariana Simonetti.
Ilustrador potiguar desenvolve artes sobre o tema
Como forma de abrir espaço de diálogo sobre a temática do suicídio e da valorização da vida por meio de imagens, o ilustrador e jornalista potiguar Aureliano Medeiros (@oiaure) foi convidado pelo Morada da Paz para desenvolver uma série de de ilustrações, que estão sendo publicadas no perfil @moradadapaz no Instagram, todas as segundas e sextas-feiras do mês de setembro.
Aureliano já tem familiaridade com a temática.
Em 2017, ele produziu uma série de quadrinhos em torno do Setembro Amarelo de maneira independente e ainda disponibilizou o material de conscientização gratuitamente. Dessa vez, o material também está sendo todo produzido por ele, com suporte da equipe de Psicologia do Luto da empresa.
“A ideia foi convidar Aureliano para expressar visualmente pensamentos e ideias sobre o tema para o público em geral, e ainda valorizar um artista potiguar, que tão bem traduz as mensagens que queríamos compartilhar. Buscamos tornar esse diálogo proposto pela campanha do Setembro Amarelo em algo mais lúdico e leve através das ilustrações, abrindo possibilidades concretas de percepção de sentimentos e convidando para a conversa, tão necessária nos dias de hoje e sempre”, detalhou a gerente de marketing do Morada da Paz, Eliza Fonseca.
Fonte e foto: Assessoria

Descrição Jornalista
Assembleia Legislativa instala Procuradoria da Mulher em Boa Saúde
30/03/2026 19:20
RN pode atrair R$ 2,5 bilhões para mineração de ferro
30/03/2026 18:42
Paraná Pesquisas: 44,6% aprovam e 52% desaprovam governo Lula
30/03/2026 16:47
02/03/2026 06:21 296 visualizações
Trump: centenas de alvos foram atingidos no Irã e comando militar “se foi”
02/03/2026 04:40 264 visualizações
Atenção, usuários do Pix: novas regras já valem e afetam seu dinheiro
02/03/2026 08:16 261 visualizações
Jovens médicos começam a carreira no ‘escuro’, alerta estudo
01/03/2026 08:11 252 visualizações
Ataques ao Irã: entenda como ocorre o efeito em cadeia da elevação do preço do petróleo
03/03/2026 08:01 252 visualizações
MDB confirma mais três lideranças na disputa por vagas na Assembleia
03/03/2026 05:31 239 visualizações
Lulinha admite a interlocutores que teve voo e hotel pagos pelo Careca do INSS em viagem a Portugal
02/03/2026 11:26 238 visualizações
Ataque ao Irã deve pressionar preço de combustíveis, dizem especialistas
01/03/2026 04:44 234 visualizações
André Mendonça é o único que pode pedir sigilos de firma de Toffoli
02/03/2026 09:42 233 visualizações
Mostra homenageia Assis Marinho e reforça política cultural do Governo do Estado
01/03/2026 07:43 230 visualizações