Economia 14/05/2020 10:34
Queda de 1,7% da indústria no 1º tri mostra futuro preocupante ao setor
A lentidão da retomada econômica somada aos efeitos iniciais do coronavírus fez com que a produção industrial caísse 1,7% no primeiro trimestre deste ano.

A lentidão da retomada econômica somada aos efeitos iniciais do coronavírus fez com que a produção industrial caísse 1,7% no primeiro trimestre deste ano.
O tombo deve ser ainda maior a partir de abril, quando os efeitos restritivos da pandemia de Covid-19 afetaram o mês inteiro de produção, refletindo num ritmo ainda mais lento dentro de uma economia que lutava para retomar a produtividade.
A queda registrada no primeiro trimestre deste ano, intensifica o tombo da indústria, que havia recuado 0,5% no quarto trimestre de 2019. Em março, a queda no país foi de 9,1% na produção industrial. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 14, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Os dados de março são efeitos diretos do isolamento social que afetou o processo de produção no Brasil”, explica o analista da pesquisa, Bernardo Almeida.
Segundo o analista, essa foi a primeira queda generalizada em todos os locais de pesquisa desde 2008, por consequência da crise financeira global. Na época, a pesquisa contemplava 14 localidades do país e, desde 2012, passou a ter 15, com a entrada do Mato Grosso.
Neste novo formato, é inédita a queda da atividade industrial em todos os locais pesquisados. Durante a greve dos caminhoneiros, em maio de 2018, a atividade industrial recuou em 14 dos 15 locais.
Grande parte do tombo registrado em março se deve a São Paulo.
O estado que concentra 34% da produção industrial teve recuo de 5,4% na atividade. O estado é o mais afetado pela Covid-19 no Brasil. Dos 188.974 casos confirmados no Brasil, 51.097 são em São Paulo. O estado registra também o maior número de mortes: 4.118.
As medidas de isolamento social no estado começaram a valer em meados de março, com o fechamento do comércio e serviços não essenciais, como shoppings centers.
Com o recuo no consumo, há recuo na produção. Os setores de vestuário (-37,8%) e calçados (-31,5%) inclusive, registraram a maior queda dentre as 28 atividades industriais analisadas pelo instituto.
O tombo na atividade industrial em São Paulo já era dada antes das medidas de distanciamento social em São Paulo. Essa foi a segunda taxa negativa do estado consecutiva, acumulando em fevereiro e março perda de 6,6%. Duas atividades contribuíram fortemente para essa queda: veículos, um dos setores que mais atua no estado, e bebidas.
Deu em Veja

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